quarta-feira, 31 de março de 2010

SP: Quintas (1)

********************************************
 QUINTAS
 PÁGINA DE MARCIANO VASQUES 
PUBLICADA 
NA QUINTA- FEIRA



 *********************************************************************************

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@



REFLEXÕES SOBRE A LITERATURA INFANTIL


O que há entre Branca de Neve e Moisés? A pergunta tem sentido. Quando a Branca  chega à casa dos anões (sete!), instaura a limpeza, a organização, ela organiza, promove a limpeza na casa, ensina a higiene, impõe as regras básicas de higiene, como lavar as mãos antes das refeições. Enfim, ensina o que a humanidade demorou séculos para aprender, e a criança, representada pelos anões, aprende em duas horas.
       Moisés, quando retornou do monte, com os mandamentos inspirados no código de Hamurabi, o que traz é na verdade regras. Os mandamentos são regras sociais. Ele ensina ao povo as regras básicas de higiene, como lavar as mãos antes das refeições. Educa o povo através das regras.
       Com o aperfeiçoamento dos tempos, os mandamentos são reduzidos a dez (sistema decimal), os prioritários, como: não matar, e entre eles, um curioso, não desejar, não cobiçar a mulher do próximo, mandamento visivelmente vinculado ao patriarca, ao patriarcal. Com o estabelecimento do monoteísmo, surge o Deus masculino, o senhor, e a mulher do próximo (uma propriedade) não pode ser cobiçada, ela passa a ser representada como a idéia do desejo, o valor da mulher é o valor do desejo. Bem, vamos retornar.
       Branca de Neve, a mulher, organiza, arruma a casa e ensina regras  básicas de higiene. Educa.
       Mas eis um apaixonado que nos comove, o soldadinho de chumbo, ele mesmo, o persistente. Soldadinho de chumbo significa persistência, honradez, ética; a sua ética  é a mais profunda! Seu profundo sentido ético orienta a sua vida. Ao se recusar a pagar os impostos para o ratão do esgoto,  age em conformidade com a sua ética.

In CONTOS DE ENCANTAR
       E o seu persistente e destemido amor pela bailarina? Que amor maior pode ter havido neste mundo? Tristão e Isolda? Romeu e Julieta? Abelardo e Heloisa?
Cena do filme "Doutor Jivago"

Doutor Jivago e Lara? Dostoievski e Ana Grigórievna? Rimbaud e a liberdade? Falo dos amores literários, dos amores históricos. Que bela história de amor é a do soldadinho de chumbo!

In CAVALEIRO DA DINAMARCA
       Andersen tanto ensinou aos pequenos, com o seuSoldadinho, o seu Patinho. Andersen! Que encantou Kierkegaard, Andersen, que foi o primeiro que me fez pensar num aspecto da filosofia: Teriam os filósofos nascido sem infância? Quase não se sabe nada da infância dos filósofos, parecem até produtos acabados. Seria o filósofo alguém que nasceu adulto, como se estivesse num paraíso? Um produto acabado, que passa a existir a partir da existência de um sistema de pensamento. Como filosofia é texto, realmente para ela não interessa, em hipótese alguma, a infância do filósofo. Seria isso mesmo? Mas, e para a literatura?

        Cada conto infantil tanto nos ensina! Cada conto é um tesouro infinito, um tesouro de mil possibilidades. Ficando apenas nos clássicos: Cinderela nos ensina, entre outras coisas, que a medida certa é o absoluto, a exatidão.O sapatinho é o que importa! Não adianta inventar! O sapato entrou é o que importa.Isso é algo tão certeiro como uma lei de uma ciência exata, uma lei matemática, universal, que não se altera na regência do universo.
       A fábula O Lobo e o Cordeiro  nos transmite que contra a força não há argumentos. A Guerra das Formigas (Não é um clássico!) de Julian Murguía, um simpático livrinho editado no Rio Grande do Sul, é a literatura que vale por um mês de aula. Tantos são os seus ensinamentos! Nós, humanos, somos aquelas formigas. Há uma formiga preta e uma vermelha em cada um de nós! As formigas, as pretas e as vermelhas, são iguais. Não há diferença entre elas.Tão importante como ler, por exemplo, Análise do Homem, de Erich Frohmm, é ler A Guerra das Formigas. Literatura infantil obrigatória para os adultos.

In TRIBO DA LEITURA
O Casamento da Dona Baratinha, de origem oriental (a barata é um animal nobre em certas regiões), um clássico encantador – como as crianças o amam! Quem quer casar com a dona Baratinha? Todos querem! Pois ela tem dinheiro na caixinha. Mas ela casa com o Dom Ratão e o rato é vil, é um sujeito baixo,  demasiado voltado para os prazeres físicos, adora feijoadas e a comida é mais importante que o resto. Dona Baratinha aprende uma bela lição!
       A atração que a literatura infantil (que deve ser a protagonista em qualquer projeto de alfabetização) e as cantigas exercem sobre as crianças é impressionante. E a cantiga nem sempre é politicamente correta. Não é certo, por exemplo, atirar o pau no gato.
O sapo príncipe é maravilhoso. A sua lógica é da ética. Você prometeu terá que cumprir! -diz o pai. E a princesa terá que aprender a dura lição! Ela está diante de seu primeiro grande desafio, é o momento da perda da inocência, quando o jogo da vida se apresenta, quando você se torna a pessoa que decide, quando aprende o significado da palavra, quando aprende que promessa é dívida. Quando compreende duramente, que o verbo às vezes rege a vida.
Com a literatura infantil universal (Além dos clássicos, temos a literatura infantil africana, e a tradição oral em várias regiões do mundo!) aprendemos todos os valores. Todos! Conhecemos a inveja, o ódio, a mágoa, a má água, a amizade, as traições, os porões da mente, os belos ideais, os corações imensos voltados para o que permanece, e os pequenos, voltados para o transitório, para o efêmero.
Conhecemos a malignidade do invejoso, a cobiça, o amor irracional, a competição, o herói, enfim, os mesmos valores que encontramos em Othelo, em Iago. O que encontramos em Othelo, na literatura universal  já está na literatura infantil, nos contos de fadas, como a eterna luta entre o bem e o mal dentro do homem, a mesma que encontramos no zoroastrismo, em Osmurd na ponte enfrentando a sua outra metade, nos manuscritos do Mar Morto; a eterna luta interior entre o bem e o mal, cujo campo de batalha é a consciência, está aqui, na literatura infantil, simbolizada por fadas e bruxas.
A mulher que covardemente espanca uma criança, que a explora. Sim, essa devemos temer! A que permite que a menina seja explorada por um mísero. Eis a bruxa. Existe sim. Essa é uma outra espécie de bruxa.
Os contos de fadas podem salvar a criança. Ela estará protegida deste mundo se estiver sob a proteção dos príncipes encantados, das bruxas, das fadas e dos duendes. Mas os contos infantis não existem para proteger a criança do mundo, como se esse fosse uma entidade fictícia, algo fora de nós, como certas criações  evangélicas. A literatura infantil e os clássicos das fadas existem para ensinar a criança a viver no mundo. Para mostrar os caminhos da consciência, para orientá-la, os contos de fadas dizem: vá por ali!
Uma criança alfabetizada com o alfabeto das fadas é feliz e aprende a desligar a televisão sozinha.
Todas as pessoas que se dedicaram à literatura infantil são pessoas que deram uma contribuição imensa para o aperfeiçoamento da humanidade, para a lapidação da consciência humana. Pode parecer exagero afirmar que os contos de fadas têm a mesma importância que os grandes sistemas filosóficos, mas eu me atrevo. Sempre fui atrevido.
Mesmo as contribuições mais recentes, como o nosso Monteiro Lobato,
Walt Disney - Reprodução

Walt Disney, levando os clássicos para a indústria cultural, modificando, mas, inegavelmente embelezando-os. Todas as contribuições são importantes, e, enquanto houver uma cigarra cantando, uma menina levando doces para a vovó, o mundo terá esperanças brancas como a neve.
É oportuno encerrar com a verificação de que todo o encantamento  dos contos de fadas é medieval, castelos, reis, seres fantásticos. É apenas uma curiosidade, mas faz lembrar que não apenas os contos de fadas, mas muitas coisas da nossa cultura são medievais, talvez por isso os contos exerçam tanto fascínio sobre as crianças.
Muita gente não considera a literatura infantil como literatura. Infelizmente. Mas são  apenas intelectuais equivocados. Posso citar um exemplo. Já aconteceu de ser organizada caravana de escritores para representar o Brasil em evento literário internacional e na lista governamental nenhum nome de autor infantil.

Versão cinematográfica da Bela Adormecida
Porém, enquanto houver no mundo uma floresta, sempre haverá em algum coração de menino ou de menina a certeza de que em algum lugar, em alguma clareira, dorme a Bela Adormecida do bosque.

 MARCIANO VASQUES

terça-feira, 30 de março de 2010

SP: Os nove pontos

Boletim de La Charte
Hotel de Massa 36, rue du Fbg. Saint-Jacques 75014 Paris

CHARTE- INFO
La Charte dos autores e ilustradores para crianças e jovens


Os “seis pontos” viram... “nove”

Faz já algum tempo que, diante da falta de transparência de certas práticas editoriais, uma complexidade crescente, não necessariamente justificada, de contratos de edição e uma degradação das condições de trabalho dos criadores, os autores e ilustradores para crianças e jovens decidiram, para se defender, jogar a carta da solidariedade.

Assim, durante anos, La Charte assinalou 6 pontos a serem respeitados. As coisas mudam, o digital mostra bem o seu nariz... Então, por ocasião do CA (Conselho de Administração) do 9 de março de 2010, esses seis pontos se tornaram 9 pontos essenciais a serem respeitados.

1.Uma cessão, uma remuneração

Confirme e verifique que a cada cessão de direitos corresponde uma remuneração.

2. Montante de direitos autorais

Aconselhamos a não assinar abaixo de 6% (como todo, para um livro, a repartir entre eventuais co-autores). É um mínimo. Não esqueça, ainda, de pedir direitos progressivos.

3.Cessão digital

Os direitos digitais serão objeto de um acordo em relação ao contrato inicial.
Esperando que as coisas fiquem mais claras, a duração dessa cessão será limitada a três anos tacitamente renovados e o percentual de direitos não será de modo algum inferior aos direitos papel.

4. Formato de bolso

Quando houver uma passagem ao formato de bolso, conserve a
mesma porcentagem de direitos autorais.

5. Preço fixo (forfait) limitado

A remuneração a preço fixo é limitada unicamente a obras coletivas do gênero enciclopédia ou à cessão de algumas ilustrações (artigo I. 131 -4 do Código da Propriedade Intelectual). Segundo o Código dos Usos (Code des Usages) a remuneração fixa só se aplica a uma primeira tiragem. Prever no contrato uma nova remuneração a cada reimpressão.

6.Direitos audiovisuais

Os direitos audiovisuais devem ser objeto de um contrato distinto dos direitos de edição. A sua cessão não é nem obrigatória nem automática. Aconselhamos esperar uma proposta de adaptação para assiná-lo.

7.Provisão para o retorno

A provisão para o retorno (devolução) é objeto de visíveis abusos da parte de certos editores. Fique atento para que ela não ultrapasse 20% no primeiro ano e seja reintegrada no ano seguinte.

8. Prestação de contas

Uma prestação de contas conforme o artigo L 132 - 13 do CPI deve obrigatoriamente comportar o número de exemplares fabricados no curso do exercício, a data e a quantidade das tiragens e o número de exemplares em estoque. Verifique se essas menções figuram em seus contratos e em suas prestações de contas.
O acúmulo de vendas permite considerar a aplicação dos direitos progressivos.
O editor deve “fornecer ao autor todas as justificativas próprias ao estabelecimento de suas contas (artigo L 132 -14) e tem uma obrigação legal de prestar contas sobre a utilização (publicação) das obras no estrangeiro.”

9. Encomendas recusadas

O ressarcimento em caso de obra de encomenda executada pelo autor, mas recusada in fine pelo editor, está previsto por uma clausula do Código dos Usos (Code des Usages) assinado pelo Sindicato Nacional da Edição (Syndicat National de l´Édition) em 1978. Foi fixado em 30% mínimo do valor inicialmente previsto. Para isso, na falta de contrato, pense em guardar os traços escritos de toda encomenda.

Seja vigilante antes de assinar seus contratos.
Faça circular esses nove pontos...
Ser Chartista é isso, também.
Até breve! 
La Charte

RS: Associada participa de Feira em Capão da Canoa/RS



Dia 30/04
Local: Espaço da Feira em Capão da Canoa
Oficina "A vez do conto" - 10h
Sessão de autógrafos - obra "No limite dos sentidos"
(Editora Movimento) - 11h

RS: Do blogue do Celso Sisto

Reproduzo aqui o texto escrito por nosso associado - o escritor, contador de histórias e ilustrador Celso Sisto - por ocasião de sua participação na mesa-redonda ano passado no I Seminário Por um Espaço Especial para a Literatura na Escola coordenado pela AEILIJ/RS. Celso integrou a mesa Literatura Infantil e Juvenil - O essencial é invisível aos olhos, junto à Annete Baldi (editora), Anna Claudia Ramos (escritora) e Beloni Baggio (diretora de escola). 

Com a autorização do autor reproduzimos sua fala abaixo. O presente texto encontra-se publicado originalmente no blogue do autor, aqui.

Att,
Hermes Bernardi Jr.
ccordenador regional AEILIJ/RS


OLHOS BUSCADORES DE ESSÊNCIAS, MEMÓRIAS PERFUMADAS PARA SEMPRE

Um dos significados da palavra essência é perfume!
É também “concentrado”
É também “extrato”, “sumo”
A essência principal num perfume é o cheiro predominante, por isso se pode falar em perfumes amadeirados, florais, etc.
E a essência da literatura é o jogo de palavras? O lúdico pode saltar aos olhos... Mas a brincadeira pela brincadeira às vezes não fabrica uma essência... Então, textos apenas “brincantes” podem carecer de essência! Essa talvez seja a minha primeira crítica! Será que não há hoje, no mercado editorial, um excesso de livros querendo apenas brincar com o leitor infantil, impregná-lo de uma musiquinha que tem ritmo gostoso, que não sai da cabeça, mas que pode ser puro modismo! Feita pra tocar na rádio!
A essência precisa ser buscada com cuidado. Se fosse num processo químico, a essência ia aparecer quando todo o composto passasse por um processo de separação. No processo de separação das partes, às vezes se obtém uma quantidade tão pequena de essência! E esses perfumes são os que acabam logo, são os que evaporam rápido. São os textos em que o pseudo-literário é apenas um mau fixador. Quer dizer, para a literatura funciona de modo contrário: primeiro a gente lê, sente, prova, brinca, repete, sonha, imagina, completa, entende, desentende, amplia, etc., tudo misturado. Depois a gente tenta separar para compreender o processo formativo daquele texto que nos afetou tanto. A crítica age assim. O professor age assim. O leitor comum não age assim! Mas o professor pode ajudar a seus alunos, leitores seduzidos, a perceberem as maravilhas e os ingredientes que compõem o texto saboroso e perfumoso! Não para desconstruí-lo e despedaçá-lo, mas para ampliar ainda mais o seu sabor, para espalhar ainda mais o seu perfume!
Palavras só ganham perfume, só se aromatizam quando conjugadas de forma que gerem um conjunto harmônico, saboroso, gostoso de ouvir, de ler, de dizer. O sabor da palavra é o perfume da palavra. E a palavra preparada com sabor é capaz de ser perfume que se espalha na nossa pele, porque palavra saborosa propicia arrepio, faz a gente sentir a emoção correndo feito riozinho dentro da gente. Então, essência na literatura é tudo isso: é esse ficar em silêncio, talvez, ouvindo o marulhar das águas da emoção, atravessando os afluentes, lá dentro do nosso corpo.
A essência é o que distingue as coisas. Do contrário, todo e qualquer texto seria a mesma coisa! É a essência que individualiza cada obra, cada texto, cada autor. E cada texto exige de quem o apresenta, uma estratégia diferente. Por isso, quem escolhe como instrumento de trabalho a literatura, escolhe a permanente renovação, a permanente estratégia de sedução, escolhe um perfume que combine com cada ocasião e com cada roupa que se vai vestir. Mas, pelo amor de Deus, não estou falando de textos para cada data cívica do calendário! Isso seria o mesmo que os dias transversais, para não usar a palavra tema!!!! Ou trema!
Não importa quanto tempo se gaste para se chegar a essência de um bom texto. Aliás, só se chega a essência de um bom texto quando ele vem morar dentro da gente, quando a gente é capaz de se pegar dizendo em voz alta, pedaços inteiros daquele texto. Quando a gente nem percebe que reproduz quase que as mesmas palavras escritas no papel, porque agora elas ficaram inscritas no corpo. Palavras tatuadas são aquelas que adornam a nossa memória, como ficaram em mim os versos de Bandeira: “Vou-me embora pra Pasárgada, pois lá sou amigo do rei”. E cada texto literário, fica sendo então uma Pasárgada, e eu quero chegar lá para ficar sendo amigo daquele autor-rei!
Uma boa história perfuma seu leitor, seu ouvinte. Pasárgada tem cheiro de terra nova. Livro bom também. Essa terra fresca fica morando na memória e em todos os sentidos. Tem bom fixador, como de um perfume francês. E engraçado, quando se fala em odor de um perfume, se fala em alma e em notas...
O papel do professor mediador de leitura é exatamente ajudar seu leitor a atingir, sem pressa, a alma do texto. Ir chamando para fora do texto as “notas” que compõem o perfume, a essência. Há tanta beleza num texto para ser destacada: Quem pode negar que “Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior, nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam, todos com juízo suficiente, menos uma meninazinha. A que por enquanto...” não é uma perfumada construção de Guimarães Rosa para o texto “Fita verde no cabelo”? que ele ainda chama de nova-velha história? Que nasceu lá naquela versão dos camponeses franceses, quando o lobo ao encontrar com a menina no caminho, levando pão e leite, pergunta-lhe se ela vai pelo caminho das agulhas ou pelo caminho dos alfinetes? Mas os caminhos escolhidos pelo texto às vezes fazem doer algumas coisas dentro da gente! Portanto, fica aqui a minha segunda crítica, abaixo a ditadura do final feliz e da resolução sempre positiva: é preciso trazer também para o leitor frascos de perfumes que à princípio não são tão agradáveis. Um perfume provocante nem sempre é aquele mais gostoso e fácil de aspirar. Portanto, não é preciso ficar poupando os narizes de nossos alunos! Eles logo descobrem uma maneira de lidar com os perfumes fortes! Os extratos! São fortes, são duradouros! São inesquecíveis!
Mas a maneira de perceber a alma de um texto pode mudar, pode se chegar a essa alma do texto por muitos caminhos... O mais importante é que esse caminho seja uma viagem agradável, se ainda se está no momento da conquista. Para conquistar a namorada também se escolhe um perfume bom, esperando, no mínimo que ela vá notar e gostar. E que perfume bom o de Clarice, quando ao final do seu Felicidade Clandestina, a narradora diz “Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante”. Polvilhar o caminho de encontro do leitor com a alma do texto, de forma instigante, convidativa, é papel do professor. Muitas vezes, para se chegar a um texto, se pode puxar da memória, outros textos. Ir preparando um texto para que ele aflore com toda a sua força e potência é exercício árduo. Para se chegar à “Fita verde no cabelo”, há que se ter passado por “ exemplo, por “Era uma vez uma pequena aldeã, a menina mais bonita que poderia haver. Sua mãe era louca por ela e a avó, mais ainda. Esta boa senhora mandou fazer para a menina um pequeno capuz vermelho. Ele lhe assentava tão bem que por toda parte aonde ia a chamavam Chapeuzinho vermelho.”, como nos diz Charles Perrault.
E como ganha novo perfume a mesma história recontada por Chico Buarque; “Era a Chapeuzinho Amarelo. Amarelada de medo. Tinha medo de tudo aquela Chapeuzinho. Já não ria. Em festa, não aparecia. Não subia escada nem descia. Não estava resfriada mas tossia. Ouvia conto de fada e estremecia. Não brincava mais de nada, nem de amarelinha”. E como se modifica ainda mais esse perfume, quando em “Chapeuzinho Vermelho de Raiva”, Mário Prata nos diz: “Vovó, sem querer ser chata, o seu nariz hoje está tão esquisito, tão vermelho. – É a poluição, Chapeuzinho, desde que começou a industrialização do bosque que é um Deus nos acuda, passo o dia inteirinho respirando esse ar poluído do bosque! Chegar a banhar-se do extrato, da essência, não pode ser obrigação. Usar um perfume que não nos atrai, que nos provoca esgares de nojo, produz dor de cabeça. Um texto no qual não se chegou a atingir a alma, provoca, lógico, repulsa. Mas a repulsa não poderia ser evitada? Principalmente se ler não for apenas uma tarefa mecânica. Não somos construtores de robôs, que precisem chegar a responder aos comandos sempre da mesma maneira! O sumo, o concentrado de um texto não está em tirar dele lições de morais ou lições gramaticais, está em bebê-lo também para que ele se misture com o sangue que corre nas nossas veias. Sangue misturado com palavras é sangue bom, sangue azul, porque nos enobrece! Texto que se quer beber é texto que dá água na boca! Mas textos diferentes exigem caminhos diferentes: o perfume da poesia aparece de um jeito, o da crônica de outro... Me lembrei da bela crônica que Paulo Mendes Campos escreveu quando sua filha completou 15 anos, fazendo uma belíssima comparação com Alice no País das Maravilhas. “Agora, que chegaste à idade avançada de quinze anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas. Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti. Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade. A realidade, Maria, é louca...”
O que é essencial na literatura infantil e juvenil só é perceptível aos olhos que desenvolveram lentes adequadas para lê-los! Ler a superfície e as outras camadas. De novo, o perfume, que é um todo, revela suas partes, como o texto revela suas camadas. E o que se faz com um texto literário? Tudo! Se cria a partir dele. Inclusive nossa própria imagem. Eu posso me ver através de todos os textos que me afetaram, os que eu li mais de uma vez, os que eu quis contar inúmeras vezes, porque as minhas escolhas me revelam. Mas é preciso ter olhos pra ver! Destampar os vidros de perfumes que um texto literário contem e aplicá-lo em cada leitor,dá trabalho. É tarefa para professor-mediador-perfumista. Mas não se esqueça, um texto que não é literário, não permite esses usos múltiplos, porque em geral, só serve para uma coisa: afastar os nossos narizes sedentos de bons odores, do jardim das palavras. Palavras sem perfumes são palavras fósseis, palavras-ossos, que jazem no cemitério dos livros. Estou mais do que convencido que mesmo o texto literário, de qualidade mais do que comprovada, exige a presença de um bom perfumista!

RS: Publicado em Ijuí

Açorianos em Ijuí

Artigo do professor Larry Wizniewsky (da Unijuí) publicado no Jornal O Repórter em 28/11/2009.

                O Prêmio Açorianos de Literatura Adulta e Infantil é o maior prêmio literário do Rio Grande do Sul e, também, o mais prestigiado e prestigioso. Com categorias literárias: conto, crônica, ensaios, especial, infantil, infanto-juvenil, narrativa longa e poesia e não-literárias: capa e projeto gráfico, o açorianos reconhece o talento e o desempenho dos escritores, artistas gráficos e intelectuais gaúchos ao longo de todo o ano. Além disso, o prêmio destaca também editora e/ou livraria; projeto de incentivo; promoção e divulgação da literatura; mídia digital; mídia impressa; rádio e TV. O livro do ano, por sua vez, recebe um prêmio de R$ 10 mil. É uma verdadeira  festa da literatura, aliada a uma grande confraternização cultural, que reafirma os laços de união e força de quem se dedica à causa das letras, num mix de caudilhismo e universalidade, que só o açorianos tem.
                Neste ano concorrem em Projeto Gráfico: De Carona com Nitro de Luiz Dill, Infantil: Doido Para Voar de Hermes Bernardi Jr. e Transpoemas de Ricardo Silvestrin, Infanto-juvenil: De Carona com Nitro e Todos Contra Dante de Luiz Dill e em Poesia Prosa do Mar, de Marlon Almeida. O sensacional disto tudo, não é apenas o talento dos autores indicados, que é imenso, mas também o fato de que todos estiveram aqui em Ijuí, falando exatamente destes livros, ou criando estes livros ou ainda discutindo estes livros, antes mesmo de sua publicação. O responsável pelo milagre é o projeto Encontros Literários do SESC, que nos últimos dois anos fez circular entre nós as maiores promessas e os nomes consagrados da literatura gaúcha. A circulação de Marlon, Dill, Hermes e Silvestrin, por Ijuí, gerou um monte de debates, oficinas e ionizou o nosso cenário literário de forma inédita e sem precedentes. Como incentivo à escrita, à leitura, à criação literária, nada supera,nunca, o contato com o escritor “em si”, assim de carne e osso e, principalmente, disposto a passar adiante sua centelha de sabedoria particular.
                Pela parte que me toca, já que fui mediador destes encontros, considero os Encontros Literários do SESC  como o mais consistente evento de circulação e convívio com a literatura atualmente em ação no Rio Grande do Sul. Por sua sistemática de organização e periodicidade, os encontros propiciam a diversidade temática e a expressão de talentos individuais, que o açorianos só faz confirmar a cada ano. Do lado dos escritores, não preciso nem dizer, este contato é fundamental para impulsionar o processo criativo, pois o autor testa o seu texto, diretamente, no contato com a platéia.
                A grande morubixaba por trás de todo este sucesso chama-se Magali Lipert, a visionária organizadora e mentora intelectual deste encontros. Bibliotecária antenadézima com a formação de leitores e coordenadora do setor de literatura do SESC – RS, Magali implantou “na raça” esta idéia e a fez funcionar por todo o Rio Grande do Sul. As cidades que receberam os Encontros Literários, tem muito a agradecer a esta saudável ousadia, que fez com que os mais variados tipos de discussão literária percorressem o estado. Em seu rastro de criatividade, ficaram também inúmeros novos talentos, despertados pelas oficinas ministradas durante o projeto. Só aqui em Ijuí são pelo menos uns dez novos, para não falar nos veteranos cujo talento foi aperfeiçoado em noites e tardes de batalhas com o reino das palavras. Foi esta saudável invasão açoriana, que agora se consagra nas indicações aos prêmios, que garantiu a oxigenação de nossa cena literária. Junto com a Magali estão de parabéns o Ronaldo, a Patrícia, a Ângela e o Cesário, os responsáveis ijuienses pela viabilização da saudável loucura criativa proposta pela Magali. Parabéns a todos, pois este prêmio já está ganho no nosso renovado mundo literário.

Postado por H 

terça-feira, 23 de março de 2010

SP: Canto & Encanto da Poesia - As aventuras do pintinho azul

A poesia que apresento este mês consta do meu livro interativo "As aventuras do Pintinho Azul" que é a continuação do "O ovo Azul da galinha Rosa". Azul é o filhinho da galinha Rosa e do galo Tenor e objeto do desejo da Perua, a vilã. Frustrada por nunca ter conseguido chocar um ovo, a Perua passa a história toda perseguindo Azul.

São quatro quadras, representativas das aventuras que aconteceram naquele galinheiro...

Quiquiriqui, quiquiriqui,cocorocó.
Rosa e Tenor estão de fazer dó!!
Adivinhem o que aconteceu:
O pintinho Azul desapareceu!

A Angola gritou, amedrontada:
— Imaginem se Azul levar uma pernada
Daquela estranha eremita,
A esquisita coelha Chiquita...

Para aumentar a confusão,
Alguém se lembrou do Corujão,
O misterioso mocho mateiro.
Um perigo verdadeiro!

A Perua se fez de desentendida,
Mas, estava feliz da vida.
Maravilhosa, sensacional!
Inteligente, linda e fatal!


Quem quiser desvendar o mistério do sumiço de Azul, pode ler "As aventuras do pintinho Azul" da Paulus Editora.
Um beijo,
Regina Sormani

quinta-feira, 18 de março de 2010

SP: Pé de meia literário (7)

POR QUE A LITERATURA MEXE COM A NOSSA CABEÇA?

O título deste texto poderia ser uma afirmação, não uma pergunta. Poderia ser uma exclamação ou uma afirmação reticente. Por que eu escolhi o caminho da pergunta?

Como escreveu, e sempre disse, o inesquecível mestre Paulo Freire, “nada como uma boa pergunta” para alavancar o conhecimento. Ou a emoção. Ou o pensamento.

Aí está, portanto, uma boa pergunta: por que a literatura mexe com a nossa cabeça. A qualidade de uma boa pergunta é sugerir (indicar, apontar, fustigar, pedir, dizer, sacar, orientar, provocar, etc) muitas respostas. Como esta(s).

A literatura mexe com nossa cabeça porque desabotoa vontades, expõe nossa frágil organização de defesa diante da humilhação de nos saber incompletos e tão cheios de desejos, guardados e escondidos aqui e ali nas dobras das rugas, no penteado bem comportado dos cabelos.

Mexe com nossa cabeça porque faz um mapeamento nada solene das dúvidas. E são quantas e tantas, perdidas em nosso ser esquematizado para não errar. E assim, mapeando coisas não sabidas, instiga os olhos adiante do que vemos.

A literatura, quem diria, sopra o pó dos sonhos. Assim limpos da poeira do tempo morno, os sonhos ousam fazer frente à realidade e pedir passagem, marcar presença, riscar novos traçados. O sonho enche a alma de querer viver.

A literatura, quem diria, desacomoda certezas, empurra o limite do saber para longe, muito longe, mas ainda tão perto que possamos alcançar e ultrapassar. E aprender de novo. Aprender o novo. De novo. Porque esse é o ritmo da vida.

A literatura mexe com nossa cabeça porque insiste em alterar os horizontes de nossa utopia pessoal, para além desse mísero gole de existência. Adiante, mais à frente, o passado e o futuro se encontram, um de olho no outro, o presente concretamente escorregadio entre os dedos.

Mexe com nossa cabeça porque nos permite desviar das pedras do meio do caminho ou atrita-las até que o conhecimento se faça fogo, assim dando lucidez à pluralidade dos saberes adormecidos em nós.
E mexe, por inteiro, porque nos acostuma a dar voz ao silêncio. Tira a carranca da boca fechada e intima todo passageiro das palavras a pensar alto, a por palavras no fígado, a morder idéias, a chupar o caldo saboroso do prazer de dizer. O silêncio rompido é o carinho dos ouvidos tristes.

O silêncio rompido é beleza palpável que enche de brilho nosso caminho.

A literatura mexe com as palavras enfraquecidas, com as idéias dormidas e caladas, com os costumes de aquietação, com as perguntas escondidas e as respostas adormecidas. E faz uma sinfonia plural de emoções. Depois de mexidas, o que se há de fazer senão abrir o palco para a cena montada?

Mexe com nossa cabeça porque alavanca novos entendimentos, porque cruza as fronteiras do conhecimento já estabelecido, porque inventa outras caras para os desejos e porque incita cada um de nós a ter uma pessoa feliz dentro de si.

Mexe porque é a prova mais viva e definitiva de que não estamos sozinhos no mundo, nem nunca estivemos, e a prova do acerto socrático milenar que sabemos pouco e há muito o que aprender.

Mexe porque a literatura nada cobra do leitor, a não ser a disponibilidade de ceder algum tempo da vida para a curtição do prazer da descoberta. E não cobrando, recebe de volta o envolvimento das amarras desligadas, dos vigilantes da moral adormecidos, da sensação gostosa de não ter que prestar contas.

E mexe, enfim, porque... porque nos convida, provoca, chama, seduz e permite entrar de cabeça na plenitude da vida, o mais delicioso de todos os mistérios.

É preciso mais?

Edson Gabriel Garcia

segunda-feira, 15 de março de 2010

RS: Seminário AEILIJ-RS

O seminário organizado pela AEILIJ-RS Por um espaço Especial para a Literatura na escola já tem datas, programação e convidados definidos para a 56a Feira do Livro de Porto Alegre. Serão oito palestrantes e quatro oficineiros, além de um convidado muito especial para a palestra de abertura. E a homenagem este ano será... Bem, por enquanto é surpresa. Este ano o debate será em torno do Politicamente (In)Correto em Literatura Infantil e  Juvenil.

Em breve, maiores detalhes.

domingo, 14 de março de 2010

SP: Um livro do qual gostei muito - Mãos de vento e olhos de dentro

Meus caros,
Estamos inaugurando uma nova página no Blog de Sampa.
Este mês, a escritora Eliana Martins comenta o belo livro da nossa associada Lô Galasso.
Grande abraço a todos,
Regina


Nome do Livro: MÃOS DE VENTO E OLHOS DE DENTRO.
Autora : LÔ GALASSO.
Editora:SCIPIONE – Coleção dó-ré-mi-fá / 2002.

RESUMO DA HISTÓRIA: Tico e sua família mudaram-se para o interior. Na nova cidade, ele encontra uma amiguinha: a Lia. A brincadeira predileta dos dois é ficar olhando para o céu e descobrindo que formas têm as nuvens. Tico diz que vê uma nuvem parecida com o gato da tia dele, outra com uma pomba e muitas outras coisas. Lia se mata de rir e concorda com tudo. Os dois passam horas olhando o céu e descobrindo formas. Um belo dia, Tico decide esculpir em argila as formas de nuvens que estão vendo no céu. Ele esculpe e Lia ajuda; passando as mãos nos contornos das esculturas, para elas ficarem bem lisinhas. Tudo ia bem ate que, certo dia, o pai de Lia foi transferido para outra cidade. Lia se foi com sua família. Tico ficou muito triste. Mas lembrou de quando haviam se mudado para aquela cidade; ele não gostava, sentia falta dos antigos amigos. Mas acabou gostando, encontrando Lia. Agora era hora de nova mudança em sua vida. Aos poucos, ele descobre que tudo na vida muda. Descobre também, através da mãe, que Lia era cega. Que todas aquelas coisas que ela via no céu, via com os olhos de dentro, os olhos da imaginação. 

Mãos de Vento e Olhos de Dentro, de nossa colega da AEI-LIJ Paulista Lô Galasso, é um livro que, apesar de eu ter lido há muito tempo, permaneceu na minha memória. E quando quero, posso recordá-lo com os olhos de dentro. 

PS: Ficaram curiosos por saber o que são as mãos de vento? Foi um apelido que Lia colocou no Tico; por causa das esculturas em argila que ele fazia.

Comentarista: Eliana Martins 
Saiba mais sobre a escritora acessando:

RJ: Pós-Graduação em Literatura Infantil e Juvenil na Universidade Católica de Petrópolis (UCP)

Pós-graduação em Literatura Infantil e Juvenil:
Veredas na Universidade Católica de Petrópolis (UCP).


Coordenação Geral: Cintia Cecilia Barreto
Coordenação Pedagógica: Cristiane Madanêlo de Oliveira

Disciplinas e Corpo Docente

  • O maravilhoso na literatura para crianças e jovens: Doutoranda Georgina Martins
  • A.L./ D.L. - Os primórdios de uma literatura infantil e juvenil brasileira: antes, durante e depois de Lobato: Doutoranda Antonella Catinari
  • Arte literária e Literatura Infantil e Juvenil: Ms. Leandro A. Rodrigues
  • Literatura, teatro, cinema e música: diálogos: Doutorando Raiff Magno
  • Quando fala a ilustração: Esp. Claudio de Oliveira
  • O humor na literatura infantil: Ms. Cintia Barreto
  • Perspectivas literárias contemporâneas: Drª Ana Crélia Dias
  • África e Brasil: diálogos literários: Ms. Cristiane Madanêlo
  • O "era uma vez" em sala de aula: Ms. Vera Leite
  • Seminário 1 e 2: Ms. Cristiane Madanêlo
  • Metodologia da pesquisa científica 1 e 2: Ms. Cintia Barreto

O curso terá início no dia 10/04/2010. Aulas somente aos sábados. 

Para mais informações:
http://webserver2.ucp.br/html/joomlaBR/index.php?option=com_content&task=view&id=758&itemid=1

Cintia Barreto 
Coordenadora Geral 
www.cintiabarreto.com.br
(21) 84431012

RJ: Lançamento do livro "Treze casos de viola e violeiros" de Fábio Sombra

O autor Fabio Sombra e a Editora Escrita Fina convidam a todos para o lançamento do livro Treze casos de viola e violeiros.

Será no dia 13 de março, às 17 horas.

Local: Livraria Museu da República (Museu da República)
Endereço: Rua do Catete, 153 - Catete

O Museu da República dispões de estacionamento e fica em frente à estação de metrô do Catete.

segunda-feira, 8 de março de 2010

SP: Página do Ilustrador - Carlos Avalone

  1. PÁGINA DO ILUSTRADOR - 1 - MARÇO DE 2010

    CARLOS AVALONE

    Todos os meses um ilustrador da AEILIJ Paulista será convidado para enriquecer este blog e encher nossos olhos com o encanto de seu trabalho.
    Nesta primeira edição convidamos Carlos Avalone, veterano do quadrinho nacional e hoje ilustrador de literatura infantil e juvenil.
    Você pode acompanhar sua biografia e muitas incríveis curiosidades sobre o mestre nestes links:
    Contatos:
    avalone.art@hotmail.com
    13 3231-4347

    E agora, com a palavra, formas e cores, Carlos Avalone...

    Eu fiz essa ilustração para um livro de inglês para crianças de 7 a 8 anos. A editora é a FTD.
    É uma ilustração de rotina, não há nada de especial, curioso ou engraçado para falar dela.
    Então, para não ficar sem assunto eu vou mostrar aqui como ela foi feita.
    Eu faço ilustrações digitais usando três programas. O Adobe Photoshop eu uso para fazer
    ilustrações de livros didáticos. O Adobe Illustrator para ilustrações vetoriais que poderão ser
    usadas em vídeos ou websites em Flash. E o Corel Painter eu uso para fazer artes de livros
    infantis, pois é um programa que simula com perfeição as técnicas tradicionais de desenho e
    pintura, como guache, óleo, lápis de cor, etc.
    Então, essa é uma ilustração digital, é para livro didático e foi feita usando o Adobe
    Photoshop. Vamos ver como foi, em 6 passos.






















    PASSO 1
    Uma das diferenças entre uma ilustração
    tradicional e uma digital é que na tradicional
    o ilustrador trabalha sempre em uma única
    superfície, a folha de papel. Já na digital ele
    pode usar camadas, como se cada uma fosse
    uma folha de papel, e distribuir nas camadas
    as etapas da produção da arte. Se errar numa
    etapa é só deletar aquela camada e fazer de
    novo, preservando as etapas anteriores.
    No Photoshop eu abri a primeira camada e fiz
    a base do esboço. Nessa etapa eu não me
    preocupei com detalhes, apenas com as
    formas e a composição da cena.






















    PASSO 2
    Eu abri uma nova camada e fiz nela o esboço
    mais detalhado. Observe que eu usei cores
    diferentes no esboço para torná‐lo mais
    legível. Um esboço feito só com uma cor
    pode ficar confuso quando tem muitos
    elementos.






















    PASSO 3
    Na terceira camada eu fiz o traço principal
    em preto juntamente com os traços
    coloridos. É esse esboço que vai para revisão
    e aprovação do editor ou do diretor de arte.






















    PASSO 4
    Depois que o esboço volta da revisão eu faço
    as correções ou alterações pedidas. A fase de
    esboço está terminada, agora começa a fase
    de finalização da arte. Eu abri a quarta
    camada e fiz nela o traço em preto definitivo,
    que vai receber as cores.






















    PASSO 5
    Na mesma camada do traço eu fiz as cores
    chapadas. Veja que eu rebaixei as cores da
    janela para ela ser empurrada para segundo
    plano na cena. Nesse passo eu acrescentei
    também algumas estampas ou texturas nas
    roupas, salientei as bochechas dos
    personagens com uma cor mais quente e
    coloquei batom na boca da mulher.






















    PASSO 6
    Aqui eu abri uma nova camada, acrescentei
    as sombras e coloquei umas luzes onde achei
    conveniente. Pronto, a arte está feita.
    Muitos ilustradores usam passos diferentes
    para chegar a esse mesmo resultado. Espero
    que tenham gostado da demonstração.
    Quem quer ver mais ilustrações nesse estilo
    que eu uso para didáticos, ou no estilo
    pintura digital que eu uso em livro infantil,
    pode visitar meu website em.www.avalone.art.br























    Até o próximo mês com um novo mestre...

    Um comentário:

    1. Parabéns! Uma aula para qualquer desenhista!! E lindo trabalho!
    !