segunda-feira, 28 de março de 2011

SP: Pé de meia literário (17)

O QUE CABE NO GOSTO PELA LEITURA

Há anos faço parte dessa turma que pensa a leitura na perspectiva do gosto e do prazer. Hábito é outra coisa e se inscreve na galeria das coisas mornas, repetitivas, sem sentidos novos.
Pensando assim, escrevi um roteiro, que apresentei em um seminário em João Pessoa, parte do integrante do Prazer em Ler, programa de incentivo à leitura implementado pelo Instituto de Educação C & A. 
A ideia do roteiro, que segue abaixo, é mapear todas as significações que cabem dentro do “gosto” pela leitura.
Vamos lá.


1. Cabem os verbos: perguntar, responder, imaginar, inventar, voar, sonhar, abrir, pensar, informar, deduzir, inferir, relacionar, intertextualizar, conversar, dialogar buscar, anotar, registrar, opinar, argumentar, decidir, propor, narrar, rabiscar, mexer, programar, resumir, editar, codificar, decodificar, representar, escolher, compartilhar, seduzir...

2. Cabem as qualidades da palavra: porosidade, segurança, mediação, trajetória, liberdade, criatividade, imaginação, disponibilidade, repertório, gratuidade, pluralidade...

3. Cabe um acervo: plural, diverso, variado, renovado, disponível, organizado, representativo...

4. Cabe um espaço: adequado, arejado, de bom tamanho, ajustado ao seu objetivo, simpático, equipado, aconchegante, oferecido, nominado, bem localizado...

5. Cabe um mediador que:
-seja leitor
-queira se constituir como formador de leitores
-seja sujeito do seu processo pedagógico
-seja aberto a novas aprendizagens
-seja curioso, provocador
-seja crítico, paciente e impaciente
-seja criativo
-seja disponível ao diálogo

6. Cabem atividades rotineiras:
-organização do acervo
-disposição criativa do acervo
-apresentação de livros novos
-empréstimo
-leitura oral de textos
-rodas (de leitura, de crítica, de propaganda, etc...)
-varal de propaganda
-manutenção do mural (novos/eu li/eu gostei/recortes, etc)
-empréstimos para os pais e mães
-reposição de acervo
-orientação a pais/mães e professores/as
-registro da história do espaço

7. Cabem atividades de formatos inventados, criativos, diferentes, fora de rotina:
-feira de trocas
-saraus
-noite de terror
-tarde do avesso dos contos de fada
-pé de livros
-corredores
-um livro que mexeu com a minha cabeça
-entrevistas
-concursos e premiação
-visitas
-autor homenageado/estudado/lido.

Cabem, enfim, um outro tanto de idéias, propostas e significados que cada um de nós, que trabalhamos com a leitura da leitura, queira incluir. 
E dessa forma, ampliar o nosso pé de meia literário.

Sampa, março de 2011 
Edson Gabriel Garcia
(Educador e Escritor)


3 comentários:

Cristina Sá29 de março de 2011 07:04
Olá! Regina,
Gostei muito do seu pé de meia.rsrsrs
Lindo texto!
Cristina Sá do blog:

Regina Sormani30 de março de 2011 14:25
Oi, Cristina querida!
Obrigada pela participação, mas, a página Pé de Meia Literário é escrita pelo Edson Gabriel Garcia, um amigo muito querido. A postagem foi minha pque sou coordenadora regional da aeilij paulista. Fico feliz ao saber que vc acompanha nosso blog.
Bjão,
Regina Sormani

Responder

MARCIANO VASQUES2 de abril de 2011 06:19
Seu Pé de Meia é coisa boa mesmo...
Brincava de pés descalços no campinho da beira do rio, pés mais velozes que corcel e relâmpago, e cá estou agora nesse Pé de Meia aprofundando meus conhecimentos, e, o que é mais importante, sem perder o gosto de ser menino, mesmo que lá no fundo do fundo do coração, pois seus textos geralmente causam isso, Edson.
Ganhei meu sábado matutino.
Marciano Vasques

sexta-feira, 25 de março de 2011

SP: Quem conta um conto... - Regina Sormani

Meus amigos,

Uma jovem mãe, que costuma passear pelas lojas que vendem brinquedos nos shoppings paulistanos, contou-me a história abaixo. Pode ser que ela tenha aumentado um ou dois pontos, mas, achei interessante e resolvi repassá-la a vocês. 
Um beijo,
Regina Sormani


De verdade!

O vendedor se esforçava para agradar o freguês que estava inseguro, ali, na sua frente. No balcão, uma montanha de brinquedos de todos os tipos. Confuso, o moço demonstrava que era sim, pai de primeira viagem. O que comprar? Será que sua filhinha iria apreciar o coelhinho de pelúcia? Ou seria melhor levar a boneca? Sim, era linda, mas...
Depois de algum tempo, o vendedor, já impaciente e disposto a vender a boneca de qualquer forma, lançou mão do seguinte argumento: a preciosa boneca era tal qual uma criança de verdade.
— Veja — ele demonstrava — esta boneca fala: ma-mãe! Tal qual uma criança de verdade. Além disso, ela mama toda a mamadeira, uma graça! Até parece de verdade.
Sua filha vai gostar de pentear a boneca, pois os cabelos são quase de verdade.
O rapaz, continuava em dúvida, ouvindo e sorrindo.
Para reforçar a argumentação, o vendedor resolveu dar a última cartada:
— O senhor não vai se arrepender se levar a boneca. Ela é tão semelhante a uma criança de verdade, que ao colocar sua cabecinha no travesseiro, a boneca fecha os olhinhos e já começa a ressonar, em sono profundo.
Imediatamente, o indeciso contestou:
— Essa não, meu amigo! Você, com certeza não é pai! Não sabe o que é uma criança de verdade...

quinta-feira, 24 de março de 2011

SP: Quintas (51)

MENTIRAS


Quantas mentiras fazem uma vida? Quando eu era menino e corria de chuva, nem me lembro se as mentiras realmente eram, pois afinal, não tinha culpa de ser menino, e culpa era coisa de velhos. Não de idosos, entendem?
Aquelas mentiras não machucavam, e nem sequer enganavam a alma, que aliás, vivia escapando entre as frestas dos bambuzais e o barro vermelho que se estendia longe, bem longe... Tive privilégios? Sim, as coisas que transbordavam no brilhante charco dos meus olhos estavam no dia, e o dia era o espaço onde tudo acontecia. O dia jamais era um esboço. Não quero ficar lembrando, para não causar admoestação alguma ao espírito da época nem sequer entristecimentos nos corações das crianças de hoje.
Mentiras? Nada a ver com as fadas, os príncipes, os castelos, os aventureiros e as criaturas das florestas... Nada a ver com as ilusões das histórias que percorriam o meu crescimento.
Elas vieram depois...
Não sei quanto tempo alguém pode suportar as mentiras que aos poucos vão corroendo as forças do querer... E eu as recolhi, não entre os cascalhos dos meus pés descalços correndo no vento que levava a pipa na linha de um infinito carretel...
Meus olhos ainda estavam impregnados talvez de um carrossel, ou das páginas de nanquim de algum gibi, quando elas surgiram, primeiro de forma despretensiosa... Até que fui me dando conta.
As juras de amor se desfazem na frouxidão do cotidiano áspero e brusco. O riso forte e a gargalhada do homem mais justo se despedaçam na piada que menospreza e desvaloriza o outro. O grande magazine, que sente orgulho, mas arrebenta a crença em qualquer sentimento de justiça, ao remarcar preços de forma irreal e desprovida de bom senso.
No primeiro de Abril, as brincadeiras inocentes e bobas das crianças, que inventam mentiras apropriadas para o dia, nem de longe se aproximam das mentiras que nos contam diariamente, aquelas, como a mentira oficial, de vidas tragadas pela falta de poesia e de sinceridade. A minha alma sempre dói mais e se despetala, se desbota num processo mais vertiginoso e amargo, não pelo fato de estar poeta, mas por ter me entrelaçado desde cedo nas folhas dos eucaliptos.
Mentiras, tantas são: a tela azulada da TV, com seus programas ensinando aos jovens que a felicidade é desnecessária, basta a alegria, alegria frágil e nem sempre inócua.
Mentiras, que a escolaridade nos garantirá sempre um futuro promissor, assim como a religião nos tornará melhor, como se o melhor já não estivesse em cada um, adormecido, clamando num grito surdo e insondável pela urgência do despreendimento, aquele de varais e pardais em dias ensolarados e em ventanias sopradas pelos mais sinceros entardeceres.
Mentiras, que o racismo é coisa de livros escolares. Mentiras, que o artista, por ser artista, assim como o poeta e o escritor, são homens acima do bem e do mal, criaturas incapazes de fazerem o mal ao alheio; que a inveja não assola os seus corações...
Não é possível divagar nem trafegar de forma confortável no manancial de mentiras que aos poucos moldam o caráter e a alma de alguém, ou então, que ferem ou mancham de dores e hematomas os corações outrora límpidos e cristalinos.
"Eu sou a mentira! Possua-me! Quero ser fecundada diariamente!"... Sim, a mentira precisa ser alimentada, por isso muitos não lhe negam reforço e nutrientes. Basta observar a hipocrisia de uma sociedade que, convivendo com o ideal tecnológico que aos poucos substitui o pensamento humanista..., basta observar nessa sociedade os meninos desamparados, as meninas molestadas e violentadas em sua pureza, nos campos e nas cidades. Basta ver as propagandas enganosas de governantes e de partidos, basta ver as crianças que crescem num lodaçal de mentiras, não as que já enfeitaram outras infâncias. Essas são saudáveis, estão nas histórias mais belas que o espírito criou.
As mentiras em todas as suas ramificações, estão aí, caudalosas e enraizadas na alma contemporânea.
Quem lavar os olhos no riacho da poesia, quem sabe estará solicitando uma pausa, um momento, um retorno.
O tempo é cíclico, diriam. E então, quem sabe o momento seja o do retorno. Retorno para um tempo em que as verdades prevaleçam. Afinal, bem se disse: a verdade não tem jeito. Qualquer que seja ela. E lá está o barco no ancoradouro, esperando, em seu seguro cais, que alguém, com coração puro, possa chegar, feito criança...

MARCIANO VASQUES

RS: Convite de Jacira Fagundes

Pequenos Notáveis – seleção de crônicas e minicontos é o mais novo livro de minha autoria, meu primeiro livro digital. Experimento o novo formato em novo suporte com intensa expectativa e antecipo que a leitura não será em nada inferior às leituras que leitores convencionais fizeram de meus livros impressos. Apenas diferente – o clique na seta ordenando o abrir de páginas e a gratuidade.

terça-feira, 22 de março de 2011

SP: Mensagem - A etiqueta da amizade

A etiqueta da amizade

No carnaval escrevi um livro infanto-juvenil sobre o bullying do consumismo. Foi minha amiga Elsa quem sugeriu. Psicóloga, ela trabalha com crianças e adolescentes e comentou o quanto sofrem pais e filhos atualmente com as tentações da mídia. O ser humano deixou de andar nu como os índios e passou a ser escravo de si mesmo, numa busca interminável pelo topo de uma imaginária montanha da felicidade vinculada ao status material. Se nós, adultos, nos deixamos sucumbir pela tentação, o que podem fazer as crianças? Considerando que os pequenos não entendem o mecanismo das campanhas publicitárias, como explicar? 

Eles não sabem que o cantor preferido muitas vezes nem conhece a fábrica que produz o brinquedo que leva seu nome. Apresentadoras de TV sabem cantar e dançar, mas não sabem como se costura uma roupa ou monta-se um laptop. Precisamos passar às crianças a desvinculação da etiqueta do produto. Mostrar que elas podem usar um computador sem foto de artista, mas não podem usar a foto do artista sozinha. Podem vestir uma blusa se cortarem a etiqueta, mas não podem se vestir somente com etiquetas. No livro, conto o caso de uma bolsa que é feita pela tia de uma criança e custa quatro vezes mais quando ela entrega para a fábrica que só costura a etiqueta com a marca famosa. 

Obviamente, temos a questão da qualidade, algumas marcas são vinculadas ao desenvolvimento tecnológico, design e qualidade do produto. Mas cada vez mais, essa realidade está mudando. A linha B das montadoras de eletrodomésticos, por exemplo, oferece o mesmo motor, o mesmo formato e só muda a porta ou painel e o preço cai consideravelmente. Tem sido grande a repercussão da campanha de uma cerveja popular por uma cantora que é extremamente “certinha”. Brincadeiras como “Ela é devassa, usa esmalte diferente nos pés e nas mãos” comprovam que o sucesso da campanha foi atingido. Falem mal, mas falem de mim. A cantora já havia dito que não bebe cerveja. Agora ela vende cerveja. Segundo ela, fez uma pesquisa e o produto é realmente bom. Claro, ninguém vai associar sua imagem a um produto péssimo. Mas, ninguém vai recusar um cachê milionário se o produto não for excelente. Assim, a concorrência é prejudicada. Quantos bons produtos não podem pagar um cachê desse nível? 

Enquanto isso, os pais deixam a televisão de babá e não verificam o que o filho assiste. Alguns se sacrificam para dar um tênis que vai para o lixo antes de terminar de pagá-lo. Nas escolas, as crianças destilam o veneno próprio da infância. Quem assistiu ao filme “A Fita Branca”, vai se lembrar das crianças que mentiam, culpavam a outra quando eram pegas, chegavam a machucar os menores e houve até morte. Em outro filme recente, o menino mata a menina porque queria ficar com seu animalzinho de estimação. Claro que nem todas as crianças são assim cruéis, mas a verdade é que muitas não pensam duas vezes e praticam bullying. 

Risadas e apelidos são comuns nas escolas. As crianças acreditam que precisam adquirir certos produtos para serem respeitadas. A necessidade de inferiorizar o outro é uma busca doentia por sentir-se especial. Essa cultura contemporânea de medir o que somos pelo que temos tem que ser reavaliada. Tem que começar em casa. Não adianta falar para o nosso filho não criticar o que os amigos usam, se nós reparamos e valorizamos com comentários do tipo: “Você viu o relógio dele”?”“ Você viu o carro dela?”Ou nos referimos a objetos pelas marcas em vez de usarmos substantivos. Criança escuta, incorpora e transfere. 

Para nossos pequenos serem mais humanizados e menos materialistas, precisamos dar o exemplo. Cada um sabe de suas posses. Ter mais poder de consumo que o vizinho não significa ser melhor pessoa que ele. Os olhos precisam ser educados para enxergar o que realmente importa e que não tem etiqueta. 

Como o vento e o perfume das flores.

Simone Pedersen

segunda-feira, 21 de março de 2011

SP: Página do Ilustrador - Rui de Oliveira

Nesta edição, apresentamos quinze ilustrações de Rui de Oliveira escolhidas por ele, e um texto enviado para a página do ilustrador

Como vejo a arte de ilustrar
Gosto de ilustrar livros com conteúdos e propostas literárias bem diferentes umas da outras. Acredito que este seja o aspecto mais fascinante do ato de ilustrar, e, sem dúvida, o maior desafio para o ilustrador.
Em meu trabalho, sempre almejo que a interpretação que tenho do texto não seja a única. Procuro, sempre que possível, criar portas — verdadeiras passagens secretas para que as pessoas tenham as suas próprias e particulares visões. Preocupa-me, portanto, não condicionar em demasia o leitor.
Penso que o ato de criação de imagens se origina não diretamente na palavra, mas no entre- palavras. Daí vem minha preocupação em criar para cada texto uma imagem adequada, que muitas vezes está de acordo, ou não, com meus gostos pessoais, ou com a minha visão de arte. Por isto, não tenho nenhuma intenção em ser reconhecido de um livro para outro. Eu substituiria em meu trabalho a palavra estilo por método de abordagem. O texto é a origem de tudo. É impossível ilustrar sem gostar de literatura. É impossível ilustrar sem gostar de ler.
Trecho do texto que se encontra na íntegra no site e no blog.

A Bela e a Fera - Livro de imagem

A Bela e a Fera - Livro de imagem

A Formosa Princesa Magalona - Rui de Oliveira

A Tempestade - William Shakespeare

A Tempestade - William Shakespeare

Africa Eterna - Rui de Oliveira

Cartas Lunares - Rui de Oliveira

Fausto - Luis Antonio Aguiar

Max Emiliano - Livro de imagem

O Chapeuzinho Vermelho - Livro de imagem

Uma Historia de Amor sem Palavras - Livro de imagem

Tres Contos da Sabedoria Popular- Rogerio Andrade Barbosa

Sete Visoes da Emilia - Rui de Oliveira

Pena de Ganso - Nilma Lacerda

O Principe Triste - Rui de Oliveira e Lilia Schwarcz

pARA CONHECER MAIS DO TRABALHO DE rUI DE oLIVEIRA ACESSE:

Um comentário:

  1. Rui, tudo o que você faz me encanta! E fico ainda mais encantada (e honrada) ao lembrar que tive um livro meu ilustrado por você... Grande abraço,
    Angela Leite de Souza

sábado, 19 de março de 2011

SP: Um livro do qual gostei muito - Onde estamos?


Caros amigos e associados!

Tenho este livro há muitos anos. E toda vez que o releio, me surpreendo com sua graça e simplicidade. Este é um livro que realmente funciona! Escrito por Ely Barbosa, publicado pelas Paulinas, o ponto alto dessa história são as ilustrações, com desenhos criados pelo próprio Ely e Ademir Pantes e arte final de Wanderley Feliciano. Livro dirigido aos pequenos leitores, tem poucas folhas, iniciando com a pergunta: — Você sabe onde estamos? — Os protagonistas são duas crianças encantadoras, um menino e uma menina que vão sendo estimulados a descobrir o universo a partir do seu quarto, da sua casa, seu quarteirão, seu bairro, sua cidade e assim, sucessivamente, até chegar ao sistema solar e ao conceito de universo.
A ilustração faz o apoio, magistralmente, com traços minuciosos e ao mesmo tempo livres. Parabéns ao escritor e aos ilustradores!

Um grande beijo,
Regina Sormani

quinta-feira, 17 de março de 2011

SP: Quintas (50)

Marciano Vasques
   

REFLEXÕES NA FORTALEZA DA SOLIDÃO
   
Como é possível que a traição não interfira na alegria e na sensação do dever cumprido? Como é possível que a traição não adquira importância fundamental na seqüência dos atos de uma vida? Como é possível que o espírito gregário, o coletivismo, a circunstância grupal não revele cruamente o sentido da traição?
O espírito gregário, a necessidade de estar em grupo, a fortaleza dos que se juntam em nome de objetivos e ideais, dos que em grupo promovem seus abandonos plenamente justificados, seus deslumbramentos, suas falsas vitórias, suas aparentes felicidades.
Sim, há que se manter íntegro, há que se manter solitário, se for o caso, há que se buscar incansavelmente a confiança, há homens confiáveis e há mulheres confiáveis, há que se ter o cuidado, o zelo, a atenção redobrada, para que não seja a nossa consciência perfurada pela implantação óbvia de estereótipos, pois se não houver esse cuidado, daqui a pouco estaremos pronunciando que todo político é igual, que todo professor é igual, que todo poeta é igual, e por assim adiante.
Não somos iguais. Temos as nossas sagradas diferenças, edificarei a minha fortaleza da solidão e nela receberei os sinceros de coração e estarão na vida, na alegria simples de não terem passado por cima de quem quer que seja como um rolo compressor. Ninguém precisa anular ninguém, ninguém precisa trair ninguém.
Quem quiser que tenha o direito de se organizar em grupos, em projetos, em movimentos, afinal cada qual toma as rédeas de seu viver em suas mãos, cada qual sabe a extensão de seu próprio coração, cada qual tem a audição apurada de acordo com a sua consciência, para o eterno canto das sereias. Sempre teremos as opções de escolha, entre as sereias e as cigarras. Mas que cada um reflita sobre as motivações submersas da necessidade de se estar em um grupo.
A traição, o sentimento de estar em grupo, a condição de trair, a capacidade fértil de isolar o outro — que precisa ter os olhos arrancados. Como se tornou possível a ausência de peso no coração dos que traem?
O deslumbramento, o encantamento, a sensação de consagração que causa entre os iguais, a fartura dos abraços dos iguais, a neblina que só o espírito grupal pode proporcionar, a exuberância dos afetos, o regozijo, o aquecimento que a união pode causar.
Povo unido, poeta unido. É verdade, poeta unido jamais será vencido. A união faz a força, mas a força nem sempre é justa.
Nem serei mais poeta nem menos por estar em um grupo. Da mesma forma, não é o fato de ter privilegiado a escolha da fortaleza da solidão o que me tornará mais poeta. Não somos poetas por isso, por termos escolhidos nossos caminhos da forma como escolhemos. Ninguém será mais poeta ou mais artista por ter escolhido as suas formas de estar no mundo. Ninguém será mais poeta por ter traído.

De que adiantam os e-mails repletos de meus amores, meu grande amor, de que adiantam as palavras amorosas, de que adianta o uso de tal recurso, se o coração não for postado junto? Como as palavras são...
Como as palavras têm, às vezes,  a capacidade de caminharem em direção oposta ao sentido natural da vida! A vida não é edificada, não é feita de palavras, mas de ações. Se as palavras são camaleônicas, e até, se isso for conveniente para alguém, capazes de caminhar em direções contrárias ao ato de viver; viva as palavras pelo poder que adquirem, pela capacidade de serem extremamente reveladoras, por revelarem em si, contraditoriamente, o caráter, a natureza das pessoas.
Como já me deixei levar pelas palavras! Como já fui tolo! Ludibriado! Como vivi impiedosamente o poder do encantamento da palavra, sem compreender, e só compreendendo bem depois, que a palavra não está isolada, mas sim, ela está profundamente enraizada na vida, não pode ser desprendida, não pode ser desvinculada da vida,  não é um ser abstrato, que nasceu de um toque mágico, a palavra não é solitária, não pode ser compreendida separadamente da vida que a pronuncia.
Da mesma forma que um fenício um dia olhou para o peixe e inventou a letra N, da mesma forma que as escamas do peixe originaram uma letra, e a construção de uma cerca originou a nossa letra H, da mesma forma que o alfabeto nasceu extremamente entrelaçado com a vida, a palavra jamais poderia estar isolada, ser um ser ou um ente desprovido de alma, sendo que tal alma é a vida, que significa: a forma como se vive o articulador da palavra, aquele que a pronuncia.
Usar a palavra é a coisa mais fácil, colocá-la num e-mail então é mais fácil do que sempre foi numa carta de papel, dizer coisas bonitas é naturalmente fácil, há tanta facilidade em nossos tempos!
Já disse inúmeras vezes que não sou nem poderia ser contra a existência de grupos, movimentos e projetos, mesmo porque temos a clara consciência de que a humanidade deve muito ao trabalho em equipe e muitos benefícios humanos foram conseguidos em torno, ou melhor, pela existência do grupo, do espírito coletivo, é um fato pois evidente e inegável.

Mas quantos males o tal espírito gregário nos trouxe! Como o coletivo nubla, como tem o poder de entorpecer a mente!
Só o coletivo admite, só ele favorece, e só ele é responsável pelo bélico poder da mídia, só o coletivo é responsável pela impossibilidade de outros poetas penetrarem em determinadas páginas.

O ser humano se reparte em dois, um é o individual, outro, o coletivo. É triste, mas é isso.
Em poesia, em literatura, em cultura, quando há um grupo, um movimento, um projeto que envolva muita gente, quando muitos se unem em um movimento, certamente alguém estará de fora. Mas isso não quer dizer que necessariamente um projeto grupal, coletivo, não possa ser bom. 
A vida é uma só, e curta. Se cada um adquirisse a consciência da brevidade do seu próprio tempo por aqui, seria mais cuidadoso, mais zeloso, trairia bem menos.
Incompatibilidades convivem perfeitamente em harmonia na mente humana. Discursos contrários às ações do individuo são pronunciados tranqüilamente sem que a consciência seja afetada ou sequer arranhada.

Quem trai também poetiza, quem engana, quem isola também se arvora no direito de ser chamado de poeta.
Como é aparentemente gratificante a convivência com os opostos! Como é aparentemente produtiva a convivência com as incompatibilidades entre o mental e a ação concreta! 

Como é fácil trair! Não é preciso nenhum aprendizado, nenhum curso. Qualquer um pode trair e — essa é a gravidade!— seguir poeta, seguir artista. mas podem estar confusos entre as sereias e as cigarras.
Que continuem os grupos, os movimentos, os projetos, que continuem as equipes, as agremiações, e que sejam destacadas, que apareçam claramente, que não sejam confundidas as que promovem o crescimento humano com as que são apenas vitrais, formas encontradas pelos que, na carência de autenticidade ou vigor poético, na carência de talento, precisam da união, do aparato do grupo, da implantação do coletivo, para justificarem as suas forças.

Trair, trair, trair. O que realmente fere é a traição. A traição é a dor maior. A traição só ocorre quando há confiança total. Quando você descobre que o alguém em quem você tanto confiava é igual aos outros.
  Poeta trai, artista também,  todos são capazes de trair,  uma pessoa que faz doutorado também tem a capacidade de trair, e que a melhor maneira de traição ser autenticada é a inserção no coletivo. A chancela do grupo é a garantia da qualidade de traição. O grupo minimiza e dá cobertura ao ato individual, que tende a ser esfarelado no coletivo. Antes de tal descoberta, vivia o encantamento da poesia, vivia num mundo ilusório, era prisioneiro das ilusões. Não havia optado conscientemente pela solidão.

Como se juntam os iguais! Como é gratificante trair quando se está no coletivo.
A arte, ou melhor, o artista reproduz o político, assim como o professor reproduz a sociedade, reproduz o padrão cultural da sociedade na qual ele está inserido. Os que escapam são colocados num isolamento ou se isolam por vontade própria.
Geralmente a falta de talento é direcionada para o coletivo. A falta de criatividade é camuflada nos grupos, alguns projetos são máscaras, são maquiagens, são formas de camuflar a ausência de talentos. A união faz a força. Se isso é bom e necessário em certas circunstâncias (numa tragédia, por exemplo, em que a força da solidariedade só pode ser coletiva), em outras, como é temerosa!
A união faz a força e diante da força eu me calo. Da fortaleza da solidão observarei alguns poetas e artistas com suas vitórias.
Em outras fortalezas da solidão, outros estarão produzindo e encontrando forças, não na união, mas na própria traição da qual são vítimas. Se eu não tivesse sido traído não encontraria tanta força para continuar, e cada vez mais acreditando no meu caminho.

RS: Convocatória para a Bienal de Ilustrações de Bratislava

Bienal de Ilustrações da Bratislava - BIB 2011

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ, como seção brasileira do International Board on Books for Young People - IBBY, e parceira da Bienal de Ilustrações da Bratislava - BIB, tem o prazer de convidar os ilustradores brasileiros de livros infantis e juvenis a participarem da BIB 2011, enviando, para a FNLIJ, seus livros de 2010 e 2011 para a seleção.

A FNLIJ fará a seleção dos ilustradores e das ilustrações conforme acordado com a BIB. Cada ilustrador selecionado será comunicado pela FNLIJ e deverá enviar seus trabalhos diretamente para a BIB/Bratislava, Eslováquia, arcando com os custos de remessa dos livros e das artes, bem como o retorno das mesmas. A partir da seleção apresentada pela FNLIJ, caberá à BIB fazer a seleção final das artes recebidas dos diversos países. A FNLIJ não se responsabiliza pela remessa e pelo retorno das ilustrações.

Para participar da seleção, envie sua obra para a FNLIJ, até 01/04/11:

Fundação Nacional do Livro Infantil - FNLIJ
Rua da Imprensa, 16 - Sala 1212
20030-120 - Rio

Elizabeth Serra
Secretária Geral.
Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ
Seção Brasileira do IBBYRua da Imprensa, 16 - salas 1212 a 1215
20030-120 - Rio de Janeiro - RJ
Tel/fax: 55 21 2262-9130
E-mail: comunicacaofnlij@fnlij.org.br

Postado por H 

segunda-feira, 14 de março de 2011

SP: Vale a pena ficar por dentro

Olá, pessoal!,
Recebi esta mensagem e considerei oportuno repassá-la a todos.
Um beijo,
Regina Sormani

AUDIOTECA SAL E LUZ 

São áudios de 2.700 livros que podem ser enviados a pessoas com deficiência visual
Divulguem por favor ! 
Eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO !!! Procurem o site: 
http://www.audioteca.org.br/catalogo.htm e vejam os nomes dos livros falados disponíveis.

Caros amigos,
Venho por meio deste e-mail divulgar o trabalho maravilhoso que é realizado na Audioteca Sal e Luz e corre o risco de acabar. 
A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos,que produz e empresta livros falados (audiolivros).
Mas o que seria isto? 
São livros que alcançam cegos e deficientes visuais, (inclusive os com dificuldade de visão pela idade avançada) de forma totalmente gratuita.
Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados sob a forma de fita K7, CD ou MP3. 
E agora, vocês estão se perguntando: O que temos a ver com isso?
É simples. Ajudem-nos, divulgando. Se vocês conhecem algum cego ou deficiente visual, falem do nosso trabalho. DIVULGUEM!
Para ter acesso ao nosso acervo, basta se associar na nossa sede, que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125- Centro. RJ. Não precisa ser morador do Rio de Janeiro.
A outra opção, foi uma alternativa que se criou face à dificuldade de locomoção dos deficientes na nossa cidade. Eles podem solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, e enviaremos gratuitamente pelos Correios.
A nossa maior preocupação reside no fato que: apesar do governo estar ajudando imensamente, é preciso apresentar resultados. Precisamos atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem o trabalho, se não, ele irá se extinguir e os deficientes não poderão desfrutar da magia da leitura. Só quem tem o prazer na leitura, sabe dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros...

Ajudem-nos, Divulguem!
Atenciosamente,

Christiane Blume - Audioteca Sal e Luz
Rua Primeiro de Março, 125- 7. Andar
Centro- RJ. CEP 20010-000 
Fone: (21) 2233-8007 (21) 2233-8007 

Horário de atendimento: 08 às 16 horas
http://audioteca.org.br/noticias.htm 

INSISTINDO: eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÂO

 
Um comentário:

Anônimo16 de março de 2011 14:14
Uma colega me passou o site, e como trabalho com dois alunos deficiente visual, gostaria muito de ter acesso a alguns livros falado. Alcinópolis, MS

domingo, 13 de março de 2011

RS: Não estamos em guerra.

Direitos autorais: esta NÃO é uma luta do Ecad contra o Creative Commons!
por Leo Cunha, domingo, 13 de março de 2011 às 13:35


Neste fim de semana eu li muitos textos de blogs, sites, twitters e facebooks sobre a questão dos direitos autorais.

O que me deixou mais impressionado é que tudo parece se resumir, de forma simplista, a uma guerra entre duas turmas: a turma do ECAD e a turma do Creative Commons (incluindo os chamados "blogueiros progressistas").

Isto me parece um erro enorme de percepção. Claro, estas duas "turmas" são mesmo as mais proeminentes, mas não são os únicos "jogadores" em campo.

Como escritor de literatura infantil, há 20 anos, e membro fundador da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEI-LIJ), há mais de 10 anos, eu acho importante deixar claro que, fora do Ecad e para além dele, há vários outros setores da classe artística que também têm suas preocupações, opiniões e reivindicações próprias, no que se refere aos Direitos Autorais e à Propriedade Intelectual.

No caso da AEI-LIJ, uma de nossas bandeiras é a recusa ao Parágrafo Único do Artigo 46 (da proposta de mudança da lei dos DAs), por entender que ele fere mortalmente nossos direitos autorais, que afinal são, como temos explicado insistentemente, os nossos direitos trabalhistas.

Entendam: os DAs são a única remuneração dos escritores, são o nosso salário. Não podemos nos dar ao luxo de abrir mão dos nossos DAs (nosso SALÁRIO, repito) para depois compensar fazendo shows ou participando de festivais, por exemplo. Somos diferentes, neste sentido, de uma banda de rock ou de um curta-metragista, para quem os DAs podem ser, muitas vezes, algo secundário.

É muito comum eu (e muitos escritores) encontrar sites que publicam o PDF gratuito de um livro meu e ver que estes sites ganham dinheiro com banners ou patrocínios diversos.

O site vai argumentar que está simplesmente "disponibilizando" ou "compartilhando" o arquivo, termos muito simpáticos, modernos e politicamente corretos. Mas, para mim, o que este site faz é "publicar" meu livro sem me pagar direitos autorais. É "vender" meu livro (pois mesmo que seja gratuito, o site ganha a parte dele e não me repassa a minha parte).

Quero deixar claro que não me importo que algum site ou blog reproduza qualquer texto meu, DESDE que não lucre em cima disso.

Então, por favor, não venham dizer que sou contra o compartilhamento, contra a democracia virtual, contra a inteligência coletiva, ou algo parecido. Sou a favor de tudo isso, desde que ninguém ganhe nada, ou, melhor ainda, desde que cada um ganhe a sua parte.

Abraços,
Leo Cunha

Postado por H

sábado, 12 de março de 2011

RS: Carta enviada em apoio


Rio de Janeiro, 09 de março de 2011

Exma Ministra da Cultura

Sra. Ana de Hollanda,

Ilma. Ministra,

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) vem manifestar total apoio às declarações de V. Exa. sobre as mudanças na Lei de Direitos Autorais.

A posição adotada por esta Administração traz grande alento aos autores que, finalmente, veem o MinC preocupar-se em respeitar os direitos dos autores de obras artísticas e intelectuais. A orientação política delineada por V. Exa. vem ao encontro das demandas que apresentamos ao v. antecessor, e divulgadas em nossas publicações e cartas há muito tempo.

A AEILIJ tem participado da Câmara Setorial do Livro, Leitura e Literatura por alguns anos e em diversas ações do MinC. Em 2010 publicamos na edição nº 14 de nosso boletim uma entrevista com Marcos Alves de Souza, da Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC, que nos garantiu que nenhuma cláusula lesiva aos direitos dos autores passaria no anteprojeto de Lei. Como pudemos constatar, não foi bem isso o que aconteceu. O parágrafo único do artigo 46 da minuta proposta pela antiga gestão do MinC, por exemplo, fere todos os nossos direitos ao permitir o uso quase ilimitado do nosso trabalho sem autorização e remuneração.

Tornamos público nosso apoio e colaboração à corajosa iniciativa de V. Exa., na certeza de que defendemos a sobrevivência artística e profissional dos autores que representamos, assim como à democratização da Literatura no Brasil.

Atenciosamente,

Anna Claudia Ramos

Presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil


Postado por H 

RS: Manifesto

Excelentíssima Presidenta e Ministra, 

Venho através deste documento representar mais de mil profissionais da área de ilustração, que desenvolvem trabalhos de criação artística e intelectual e investem tempo e dinheiro se especializando para criarem imagens que compõem livros didáticos e literários, cartilhas, e as mais diversas peças gráficas. A ilustração vem se tornando cada vez mais o ofício de muitos. Uma profissão que existe há séculos e até hoje não recebe o devido reconhecimento. Para preservar os poucos direitos já adquiridos os profissionais desta área vêem se unindo e lutando por melhorias na profissão. 

Nosso maior direito até então conquistado é o “Direito de Uso de Imagem” que se enquadra como “Direitos Autorais”. Um direito que garante que nós, ilustradores, obtenhamos uma parcela ainda que mínima nas edições e reedições de projetos em que estivemos envolvidos e em que empenhamos todo o nosso poder de criação, desenvolvendo um trabalho artístico, intelectual e único. Direito esse que complementa nossa renda e assegura que recebamos por nosso trabalho enquanto este estiver sendo veiculado e gerando lucro para empresas, sejam elas editoras, revistas, jornais e etc. 

A ilustração é uma linguagem que possui o poder de se comunicar com todos, despertando inúmeras interpretações e sentidos e estimulando a imaginação e a criatividade. A ilustração ensina, forma opinião e estimula o leitor, complementando e agregando valor aos textos. Por isso, os profissionais da área de ilustração precisam ser mais bem reconhecidos. A regulamentação da profissão é ainda o nosso principal objetivo e a nossa maior luta. E a manutenção do direito autoral é uma forma de fortalecer a nossa profissão, é conservando os direitos já adquiridos que alcançaremos e conquistaremos nossos maiores objetivos. Deixar de lado este direito, simplesmente retirar de nossas mãos esse direito é “pisar” em quem fomenta o mundo cultural e artístico do país, é não se importar com milhões de trabalhadores que dependem dessa profissão para sobreviver. 

Lutar pelos nossos direitos autorais é uma maneira de defendermos o que é nosso e de nossos herdeiros, uma forma de garantir que o que foi criado através da nossa capacidade artística e intelectual seja valorizado enquanto estiver sendo usado. É nosso dever lutar para que não seja “jogado fora” tudo que foi produzido durante anos. Se vocês desejam acabar com este direito para unificar e democratizar toda a criação, o que será dos pensadores e criadores uma vez que essa é a sua profissão e precisam receber para isso? Se toda a criação for reutilizada de maneira escrupulosa a qualidade despencará e os profissionais sumirão, tornando o Brasil um país pobre de sabedoria e intelectualidade. Precisamos conservar as criações e pensadores de todas as artes.  

Neste caso defendo a área da ilustração e os profissionais ilustradores. Veja os livros que vocês compram para si mesmos, para seus filhos, sobrinhos, netos... Pense que em cada traço que ali está, há uma alma criativa por trás, que possibilita que vocês, leitores, entrem no mundo da imaginação e da fantasia. Quantas crianças e analfabetos podem “ler” os livros através apenas de suas imagens. Com certeza esse profissional precisa ser bem recompensado e motivado para continuar realizando seu trabalho com todo empenho possível e, para isso, seus direitos têm que ser “preservados” e não destruídos e descartados. 

Atenciosamente, 

Bruno Grossi (Begê Ilustrador) & Diane Mazzoni 
Editores do Portal do Ilustrador 
Postado por H 

SP: Mural - Março de 2011


NÚMERO 17 - MARÇO DE 2011
O Mural é uma agenda cultural postada todo início de mês,
porém, editada ao longo do mês conforme os eventos surgem.
A agenda das bibliotecas é renovada semanalmente.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo, contribua... 
aguardamos notícias dos eventos do interior.







Meus romances de cordel
Contrariando aqueles que pensam que, no Brasil, a literatura de cordel não existe mais ou tenha perdido a força da primeira metade do século XX, a Global Editora, ciente de que ela está mais viva do que nunca, lança Meus romances de cordel, de Marco Haurélio. Nesta obra, estão reunidos os primeiros cordéis publicados por esse poeta baiano, nascido em Ponta da Serra, estudioso da cultura popular e cordelista de primeira linha.
A apresentação é assinada pela professora Vilma Mota Quintela, doutora em Letras pela UFBA, com estágio doutoral na Universidade de Paris X, e mestre em Teoria Literária pela Unicamp, com dissertação e tese na área de literatura de cordel. A obra traz, ainda, xilogravuras do premiado ilustrador Luciano Tasso.
A multiplicidade de temas e de persona­gens construídos por seus escritores é um dos principais traços da literatura de cor­del praticada no Brasil. Além desse aspecto que demonstra sua diversidade, marca própria da nossa cultura po­pular, o cordel também tem conseguido espaço e visibilidade graças ao es­tilo apurado de seus autores.
Meus romances de cordel reúne sete histórias que lograram grande sucesso na ocasião em que foram lançadas em folheto, formato consagrado por esse gênero de nossa poesia popular. Aqui reunidas, apresentam a profusão de ti­pos construídos pelo autor, incluindo des­de os tradicionais heróis marcados pela bravura até aqueles satirizados por seus gracejos e ingenuidades. Para construir suas narrativas, Marco Haurélio se inspirou tanto na leitura dos clássicos como em sua própria biografia, bebendo informalmente na rica fonte da cultura sertaneja nordestina. A escrita sensível e a capacidade de imaginar e de fazer imaginar do autor mostram que o cordel feito no Brasil tem um hábil ti­moneiro, que conduz o barco numa rota cer­teira e promissora.


Sobre o autor:
Marco Haurélio nasceu em 1974 em Ponta da Serra, na época município de Riacho de Santana, sertão baiano. Poeta popular, professor, folclorista e editor, mui­to cedo tomou contato com a literatura de cordel, tendo escrito sua primeira história aos seis anos e adquirido intimidade desde a infância com a cultura sertaneja, quando conheceu, graças ao convívio com sua avó paterna, vários contos populares.
Numa trajetória brilhante, Marco Haurélio é hoje uma das principais referências de nossa literatura popular. Radicado em São Paulo desde 1997, é um dos fundadores da Caravana do Cordel, movimento ativo na cena paulista. Formado em Letras pela UNEB, viaja o país proferindo palestras e ministrando oficinas sobre o cordel e temas relativos à cultura popular brasileira. Em folhetos, entre outros, escreveu A história de Belisfronte, o filho do pescador, O herói da montanha negra, Presepadas de Chicó e astúcias de João Grilo e As três folhas da serpente. Publicou vários livros infantis e juvenis, entre eles O príncipe que via defeito em tudo, A lenda do Saci‑Pererê em cordel e As babuchas de Abu Kasem. É autor de Contos folclóricos brasileiros e de Breve história da literatura de cordel.


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NOTÍCIAS DE FÁBIA TERNI E SEU LANÇAMENTO "TIA, ME COMPRA UM PASTEL? E OUTRAS HISTÓRIAS"

A autora Fabia Terni acaba de lançar seu 8° livro infanto juvenil"Tia, Me Compra um Pastel?
e outras histórias", pela Ed. Cortez, ilustrado por Silvana Menezes, vencedora do Prêmio Jabuti
em 2008 pelo livro "Tão Longe...Tão Perto" da Editora Lê.
Segundo a autora "o Lançamento foi de fato um sucesso, com contadora de história, guaraná e pipoca? Errou. Guaraná e.... mini pastéís de queijo, ora bolas."

Para adquirir o livro, entre em contato com a editora.


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LANÇAMENTO DE CESAR OBEID...

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CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
NAS BIBLIOTECAS

Páscoa com Histórias
Com Lucélia da Silva Narração de histórias infantis e confecção de origami. 50 minutos.
Biblioteca Amadeu Amaral 
Dia 14 às 10h
Endereço: Rua José Clovis de Castro, s/n esquina com Av. do Cursino, altura do n. 1100
Jardim da Saúde - 04290-100 São Paulo, SP
Tel: 11 5061-3320
Coordenadora: Helena Rodrigues da Silva
bmamadeuamaral@yahoo.com.br
Contos Africanos
Grupo Trupe da Ioio Narração de contos e cantos africanos e outros. 60 minutos.
Biblioteca Paulo Duarte 
Dia 16 às 14h
 
Endereço: Rua Arsênio Tavolieri, 45
Jabaquara - 04321-030 São Paulo, SP
Tel.: 11 5011-7445 (tel/fax) e 11 5011-8819
Coordenadora: Maria Betânia Ferreira Fogolin
bmpauloduarte@yahoo.com.br
Narrando FábulasCom Solange Lopes Narração de O pote vazio, O Jabuti e a Onça e O Leão e o Rato, fábulas e outros contos de ensinamento.
De 4 a 10 anos. 50 minutos.
Biblioteca Castro Alves 
Dias 18 e 22 às 10h
Rua Ramiro Barcelos, 600
Biblioteca Chácara do Castelo 
Dia 23 às 14h 
Dia 25 às 10h
Endereço: Rua Brás Lourenço, 333
Jardim da Glória - 04113-010 São Paulo, SP
Tel.: 11 5573-4929
Coordenadora: Kazuko Oniki (Ká)
bmchacaradocastelo@yahoo.com.br

Nas Beiradas do Rio
 
Cia. Conto em Cantos - com Juliana Offenbecker e Priscila Harder Histórias de encantos e encantados do folclore amazônico são narradas com objetos e instrumentos trazidos dos estados do Amazonas e Pará. 50 minutos.
Endereço: Rua Henrique Schaumann, 777
Pinheiros 05413-021 São Paulo, SP
Tel.: 11 3082-5023
Endereço: Praça Ilo Ottani, 146
Canindé - 03028-000 São Paulo, SP
Tel.: 11 2292-3439

Biblioteca Raul Bopp
Dia 20 às 11h
Endereço: Rua Muniz de Souza, 1155
Aclimação - 01534-001 São Paulo, SP
Tel.: 11 3208-1895
Coordenadora: Tânia Aloia Robbi
bmraulbopp@yahoo.com.br
Biblioteca Hans Christian Andersen 
Dia 22 às 10h e 14h
Endereço: Av. Celso Garcia, 4142
Tatuapé - 03064-000 São Paulo, SP
Tel.: 11 2295-3447
Coordenadora: Luciana Maria de Melo
bmhanscandersen@yahoo.com.br
Rua Catão, 611
Lapa - 05049-000 São Paulo, SP
Tel. 11 3675-1681 e 11 3672-0456
Coordenadora Patricia Marçal Frias
bcsp.mschenberg@prefeitura.sp.gov.br
Bosque de Leitura Carmo 
Dia 27 às 11h
Bosque da Leitura do CarmoParque do Carmo
Av. Afonso de Sampaio e Souza, 951
Itaquera 08270-000 São Paulo, SP
Horário de Funcionamento: sábados e domingos, das 9h30h às 16h
Parque do Piqueri
Rua Tuiuti, 515 - Tatuapé
Tel. 11 2097-2213 - Administração do Parque
11 3862-3581 - Coordenadoria do Projeto
Horário de funcionamento: De 2ª à 6ª feira das 8h30 às 17h30
Sábado e Domingo das 9h às 16h

Histórias para Crianças
Com Lucélia da Silva Narração de histórias infantis como Conta mais uma, de Nye Ribeiro; Gato e sapato, de Anna Muy Laert e Chapeuzinho Vermelho, de Charles Perrault. Também haverá confecção de Origami. De 5 a 8 anos. 100 minutos.
Biblioteca Paulo Duarte 
Dia 22 às 14h
 
Endereço: Rua Arsênio Tavolieri, 45
Jabaquara - 04321-030 São Paulo, SP
Tel.: 11 5011-7445 (tel/fax) e 11 5011-8819
Coordenadora: Maria Betânia Ferreira Fogolin
bmpauloduarte@yahoo.com.br
Narrações Africanas Grupo Pé na Porta Três artistas narram, durante aproximadamente 45 minutos, duas histórias africanas utilizando músicas, danças e diálogos dramáticos, além dos elementos tradicionais da narração oral. Livre.
Biblioteca Lenyra Fraccaroli 
Dia 19 às 10h30
 
Endereço: Praça Haroldo Daltro, 451
Vila Nova Manchester 03444-090 São Paulo, SP
Tel.: 11 2295-2295
Coordenadora: Adilva Maria de Azevedo Santos
E-mails: lenyrafraccaroli@yahoo.com.br e lenyrafraccaroli@prefeitura.sp.gov.br
Contando, cantando e encantando no Sítio do Pica-Pau Amarelo Com Beth Rizzo e Paulo de Pontes Serão contadas as histórias O Pó de Pirlimpimpim e o Marquês de Rabicó, da obra de Monteiro Lobato. De 4 a 12 anos. 50 minutos.
Endereço: Av. Eng. Caetano Álvares, 5903
Mandaqui - 02413-100 São Paulo, SP
Tel.: 11 2973-7293
Coordenadora: Salete Cordeiro
bmpedrosnava@yahoo.com.br
Endereço: Rua Cojuba, 45
Itaim Bibi - 04533-040 São Paulo, SP
Tel.:11 3078-6352 

Coordenadora: Regina Maria Tereza de Azevedo Estrela Alves de Abreu
bmannefrank@yahoo.com.br

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CONTOS DE FADAS, MUSICA E ETC:

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