terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

NE: Talento pernambucano



Na seleção anual realizada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para a Feira do Livro de Infantil de Bolonha (Itália), considerada a maior e mais importante feira mundial especializada em literatura infantil, neste ano, um nome pernambucano recebeu destaque: o da ilustradora Rosinha, que, além das habituais belas ilustrações, também é autora de alguns dos textos selecionados para representar o Brasil no evento. Parabéns para você, Rosinha, e a todos os criadores nacionais que representarão a LIJ brasileira este ano em Bolonha

Confira as obras com a participação de Rosinha selecionados para o Catálogo de Bolonha 2013:

A rosa que gira a roda. Texto de Flávia Savary. Ilustrações de Rosinha. Dimensão. 60p. ISBN 9788573196955
A menina Luzia. Texto de Stella Maris Rezende. Ilustrações de Rosinha. DCL. 47p. ISBN 9788536812915
ABC do trava-língua. Texto e ilustrações de Rosinha. Ed. do Brasil. 29p. ISBN 9788510052221
Adivinha só! Texto e ilustrações de Rosinha. Ed. do Brasil. 29p. ISBN 9788510052207
As cantigas de Lia. Texto e ilustrações de Rosinha. Ed. do Brasil. 29p. ISBN 9788510053167
Seu rei boca de forno. Texto e ilustrações de Rosinha. Ed. do Brasil. 29p. ISBN 9788510053150
A velhinha e o porco. Texto e ilustrações de Rosinha. Ed. do Brasil. 29p. ISBN 9788510052214
Nana Pestana. Texto de Sylvia Orthof. Ilustrações de Rosinha. Nova Fronteira. 21p. ISBN 9788520931653

NE: Dramaturgia para crianças

Na edição deste mês de março de 2013 da Revista Rainha dos Apóstolos, o escritor Celso Sisto nos brinda com um excelente texto sobre dramaturgia para crianças. Com a permissão do autor, reproduzimos abaixo a matéria. Vale a pena conferir! Para conhecerem mais sobre a revista, cliquem em http://digital.revistarainha.com.br/.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

SP: Técnicas de Ilustração - 05 - Digital


Este desenho é a capa de um livro que vai sair em breve, tenho uns livros a lápis de cor, conforme a boa literatura infantil gosta, mas é aquilo, lápis de cor é pintar e pronto, eu não saberia muito explicar o que fiz, cheguei, desenhei e colori, rs...
Então escolhi um desenho de coloração digital que dá pra mostrar os passos, primeiro o desenho a lápis, e então faço a arte final (contorno) a nanquim e escaneio, depois no photoshop trato a imagem, reforçando as falhas no preto e tirando manchas e sujeiras; depois duplico a camada , fazendo duas; a de cima eu transformo em multiply, que deixa o branco transparente, ficando só o contorno, então a de baixo eu jogo os baldinhos de cores nos espaços. Uma camada ainda por baixo traz as cores do chão e do céu separadas; então após os baldinhos, duplico a camada colorida, agora com a ferramenta de pincel vou fazendo variações nas cores para dar volume, sombra, luz e etc. A camada superior que tem somente o contorno é porque quando a gente colore perde muito do contorno, então esta camada garante que o contorno permaneça.

Obrigadim, Regina! :)


Danilo Marques


2 comentários:

  1. Parabéns pela Arte Danilo!
  2. Oi Veloso! Muito obrigado! Fui conhecer seu Blog, já estou seguindo, muito boas as tiras da Lady Garça, parabéns!

NE: Escritor de carteirinha

Vocês já devem ter ouvido falar da expressão "Escritor de carteirinha", que se refere ao escritor profissional. Aquele que se dedica ao ofício da escrita. Ou seja, que exerce esta profissão. Sim, a despeito do que possam imaginar em sentido contrário, a profissão de escritor é reconhecida como tal pelo Ministério do Trabalho e Emprego brasileiro - assim como pela Receita Federal, para fins de imposto de renda da pessoa física. Vejam abaixo os dados relacionados aos distintos campos desta profissão da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), referente aos distintos "Profissionais de Escrita":


Bom, então a próxima pergunta de vocês será: - Onde consigo a carterinha?

Você poderá se vincular a entidades representativas da profissão, como a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) ou na União Brasileira de Escritores - na seccional de seu estado, por exemplo Pernambuco (UBE-PE).

Em tempo:  os ilustradores também são reconhecidos como profissionais pelo Ministério do Trabalho e Emprego, dentro do grupo "Artistas de artes visuais", com o código específico 2624-05.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

SP: Pé de meia literário (19)



QUEM LÊ ESCOLHE

Breves anotações críticas sobre o processo centralizado de escolha e compra de livros

Recentemente, a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo divulgou em seu site uma nota sobre um de seus processos de escolha, compra e distribuição de livros para as escolas de sua rede oficial. As informações ligeiras, ali presentes,  sobre o processo todo  davam conta de que a) houve inscrição de um grande número de livros; b) houve um primeira triagem; c) a seleção final apresentada já como definitiva continha um número muito pequeno de títulos, comparado com os inscritos e d) não houve nenhuma menção ao processo de seleção e nem apresentação gabaritada da equipe que fez a seleção dos livros. 
Mais uma vez, repetiu-se nesse processo relatado pela nota o que vem sendo prática comum dos governos, a propósito de “política pública de formação de leitores”: a) um edital de compra de livros é aberto, ; b) as editoras inscrevem livros, atendendo ao que é demandado no edital, principalmente no que diz respeito ao tipo de livro; c) os livros são selecionados por uma equipe (desconhecida dos participantes do certame); d) os livros são comprados (por preços baixíssimos) e e) os livros são distribuídos para as escolas. Esse é o trajeto de todos os processos governamentais centralizados, podendo haver uma ou outra variação aqui e ali. Cada um desses itens merece uma abordagem específica, mas pela contingência do espaço, vou limitar minhas considerações ao “item c”.
O lugar de onde falo é  o de um criador e mentor de projetos e programas de incentivo à leitura, entre os quais o Programa de Salas de Leitura das Escolas Municipais de São Paulo, entre todos o mais longevo e definitivo, a completar 30 anos em 2013, e o Prazer em Ler, do Instituto de Educação C & A, em parceria com o CENPEC, cujo início é datado de 2005..
Então, vejamos.
Considero que a distribuição de livros para as escolas tem crescido muito nestes últimos vinte anos. De igual forma cresceu a produção editorial e o número de casas publicadoras, bem como a entrada nesse mercado (publicações para escolas) de empresas estrangeiras. Deixou de ser uma mera distribuição de recursos pedagógicos para se transformar de uma só vez em um grande negócio e em política pública governamental para a formação de leitores. No entanto, o processo riquíssimo, que envolve muito dinheiro (público), carece aperfeiçoamento. Ouso fazer alguns comentários e sugerir alguns novos procedimentos.
Em primeiro lugar, temos que entender de uma vez para sempre que há muito mais relações entre arte e política do que pode supor nossa condição intelectual de criadores de cultura. E, nesse sentido, temos obrigação de estarmos atentos a todo o envolvimento político (uso aqui o termo “político”  num sentido amplo) que a criação, produção, distribuição e consumo dos livros escritos e ilustrados por nós pressupõe: da escolha do que escrever ao consumo leitor, passando por condições de criação/produção e pelas relações profissionais. Assim, não bastar pensar e criar. Há um longo processo que nos envolve e que precisa ser constantemente problematizado.
Adiante. Os editais de inscrição dos livros para seleção e compra, e posterior distribuição às escolas, têm direcionado a produção editorial de tal forma que já começa a ser constante a prática de produção de livros específicos para atender aos editais. Não sendo selecionados, esses livros não são editados. Na prática, isso significa que as compras milionárias estão dirigindo a criação. Cria-se para atender o objetivo do edital, aquilo que os autores do edital querem que as crianças e jovens leiam. Um jeito disfarçado de escrever por encomenda.
Depois de inscritos, conforme os critérios, de forma e conteúdo, dos editais, os livros, aos milhares são “avaliados” e selecionados. Nunca se sabe quem faz este trabalho, como se faz e quanto se ganha para fazer isso. Podemos apontar inúmeros questionamentos nessa fase. Quem são esses “avaliadores e selecionadores”? Como foram escolhidos? Por que estes e não outros? Por que estes e não os futuros usuários e leitores dos livros? Como é feita essa avaliação e seleção? É possível ler, com isenção e com competência, dentro de um espaço de tempo exíguo, centenas e milhares de livros? Quais os critérios para essa avaliação? Há um parecer sobre cada livro (que não seja um parecer formal, feito com base em uma matriz e vazio de significado)? Os interessados podem ter acesso a esses pareceres? Quanto custa aos cofres públicos esse processo?
Enfim, para quem quer democratizar a leitura, o processo de escolha dos livros é muito autoritário. Parte-se pressupostamente da visão de que os educadores não têm competência para escolherem os livros que lerão e  com os quais desenvolverão os seus projetos de formação de leitores. Em decorrência disso, há, pressupostamente, a necessidade de se contratar profissionais “especializados”, por conseguinte grandes conhecedores do que se produz no país, “sábios detentores de conhecimentos” que os educadores não têm. Uma postura equivocada.
Qualquer um de nós sabe que se aprende a escrever, escrevendo; que se aprende a andar, andando; que se aprende a nadar, nadando; que se aprende a pensar, pensando... que se aprende a ler, lendo. Certamente os educadores aprenderão a escolher os livros que lerão e com os quais trabalharão quando entrarem de cabeça no processo de escolha dos livros. Será participando ativamente da escolha dos livros e organizando o seu espaço de trabalho e projeto de formação de leitores, que todo educador crescerá como educador e como leitor. Ele tem que ter a autonomia (que o atual processo não permite) para escolher os livros que julgar mais interessantes, mais bonitos, mais próximos, mais ousados, mais regionais, mais isto ou aquilo. Ele tem que ser o protagonista da escolha dos livros (que o atual processo não permite). Essa autonomia e esse protagonismo devem fazer parte obrigatória e prazerosa do processo de manuseio, conhecimento, leitura, análise e seleção dos livros com os quais vai conviver no seu futuro pedagógico de formador de leitores.
Um dos argumentos em favor da seleção e compra centralizada é a facilitação da negociação e barateamento do custo. Facilmente descartado: a compra pode ser feita de modo centralizado e a escolha pode ser feita regionalmente, pelos futuros usuários/leitores. Já temos experiência exitosa nesse sentido: a seleção bilionária dos livros didáticos é feita pelos futuros usuários e a compra centralizada. E nem por isso se perdeu a qualidade dos livros assim selecionados; pelo contrário, a qualidade desse material tem melhorado muito.
Ainda há outro problema nesse processo: a emissão de pareceres vazios de significados é um deles, conforme aponta uma das associações de autores de livros didáticos. Isso tem que ser revisto. Todos devemos ter o direito de saber porque um livro não é escolhido, que razões sustentam essa proibição  (mesmo que no mercado aberto ele seja sucesso de venda e de leitura)
Não vou fazer, neste breve espaço, considerações sobre o problema de compras centralizadas no Brasil, lobies e mau uso do dinheiro público, matéria fartamente divulgada na imprensa, pois não é o objetivo imediato. Mas pode ficar na pauta.
Nesse sentido, fazendo considerações finais, podemos avançar na direção:
a) de editais menos fechados fugindo da prática  de  determinar que tipo de livro pode ser inscrito;
b) criar um cadastro eletrônico de sinopses e avaliação assinada e responsabilizada de livros;
c) escolha localizada dos livros:  e
d) compra centralizada. 
Esse processo seria intermediário enquanto não chegamos ao processo totalmente democratizado de repasse do dinheiro para que as escolas/equipamentos escrevam os seus projetos, selecionem o material desejado e façam a compra diretamente, como muitos programas já existentes de “dinheiro direto para a escola”.
Razões como as expostas aqui, me levam a propor o movimento literário QUEM LÊ ESCOLHE, um  exercício da autonomia e de liberdade na formação de educadores e  leitores competentes .

EDSON GABRIEL GARCIA
Escritor e Educador

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

SP: Mural - fevereiro de 2013

 
NÚMERO 36 - Fevereiro de 2013
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NOTICIAS DE ASSOCIADOS
Colega associado, de toda parte do Pais e fora,
 se tiver uma noticia para nós,
por favor nos envie para que possamos divulgar.
Jamais se sinta desprezado;
sua noticia pode não estar aqui
porque não sabemos a respeito dela,
nos ajude.
Obrigado. 

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CONCURSO DE TEXTOS
FUNDAÇÃO DORINA NOWILL
ULTIMOS DIAS DE PRAZO


Participe do Concurso Descreviver 2013, promovido pela Fundação Dorina!
Escreva um conto de até duas páginas com o tema “O Braille e Eu” narrando a sua relação
 com o Sistema de leitura Braille.
Envie o seu conto até 25 de fevereiro de 2013.
 
Por e-mail para concursocultural@fundacaodorina.org.br ou
Pelo correio para Centro de Memória Dorina Nowill – Rua Doutor Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino – São Paulo/SP CEP: 04037-001.




 Confira mais informações AQUI.
 
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ROSANA RIOS
COMPLETA 25 ANOS DE CARREIRA LITERÁRIA
E COMEMORA COM SEU LIVRO DE NÚMERO 130



"No dia 16 de março vou lançar meu livro número 130: "Contos de Fadas Sangrentos", coletânea de recontos que pesquisei, com cinco histórias clássicas e assustadoras...
Esse lançamento comemora meus 25 anos escrevendo livros para jovens e crianças, saga que começou em 1988 e parece que não termina mais...
Apareçam para comemorar comigo e comer bolo!

Quando: 16 de março de 2013, sábado, das 15h às 19h
Onde: Livraria da Vila - Rua Fradique Coutinho, 915 - Pinheiros
O quê: Tarde de autógrafos, Contacão de histórias, Palestra "Histórias Ancestrais: Raízes dos Contos de Fadas", coquetel e BOLO!

Todos os amigos são bem-vindos, sua presença me fará muito feliz."
Rosana Rios
CONFIRME SUA PRESENÇA 
NO CONVITE FEITO PELA AUTORA NO FACEBOOK, 
CLICANDO AQUI!

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ACADEMIA ARGENTINA DE LITERATURA INFANTIL
COMPLETA UM ANO DE INTENSA ATIVIDADE


Fundada em 15 de fevereiro de 2012 e integrada por escritores, professores e outros profissionais dedicados à infância e juventude interessados no desenvolvimento de LIJ no território argentino e em todo o mundo, a Academia Argentina de Literatura Infantil e Juvenil, acaba de completar um ano de atividades voltadas para a satisfação de seus objetivos e de sua missão institucional, dentre as quais o intercâmbio no tocante a temáticas correlatas com entidades congêneres na América Latina. Maiores informações podem ser acessadas em seu sítio internet (aqui). Vale a pena conferir e estabelecer contato!


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TREVO DE LEITURAS
AS MELHORES RESENHAS
DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL


Nossos autores resenhistas de fevereiro são:
Alexandre de Castro Gomes lê Medo dó de medo monstro, de Hermes Bernardi Jr...

... que lê Caixinha de guardar o tempo, de Alessandra Pontes Roscoe...

... que lê Histórias a quatro patas, de Alexandre de Castro Gomes.


A edição do mês traz uma novidade: além da tradicional capa do livro resenhado também incluímos mais uma 
ilustração para deleite dos apaixonados por livros. O despertar da ideia veio carinhosamente com a intenção de dar visibilidade ao trabalho do ilustrador.  


CLIQUE AQUI!


Coordenação do Trevo de leituras:
Cristina Villaça e Naná Martins



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OUTRAS NOTÍCIAS DE LITERATURA
INFANTIL E JUVENIL
VOCÊ PODE ENCONTRAR 
NO JORNAL 
SOBRECAPA LITERAL
AQUI

domingo, 17 de fevereiro de 2013

RJ: Caia na Folia com o Trevo de Leituras

Cai na folia o Trevo de Leituras!  

Nossos autores resenhistas de fevereiro são:

Alexandre de Castro Gomes lê Medo dó de medo monstro, de Hermes Bernardi Jr...
... que lê Caixinha de guardar o tempo, de Alessandra Pontes Roscoe...
... que lê Histórias a quatro patas, de Alexandre de Castro Gomes.

A edição do mês traz uma novidade: além da tradicional capa do livro resenhado também incluímos mais uma 
ilustração para deleite dos apaixonados por livros. O despertar da ideia veio carinhosamente com a intenção de dar visibilidade ao trabalho do ilustrador.  

Quer saber de uma coisa?  Está uma beleza!


Boa degustação!
Cristina Villaça e Naná Martins
Coordenadoras do Trevo de Leituras

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

PR: Parceria: AEILIJ-PR e Poetria Livros e Arte


A escritora Nadzieja Didicz, as ilustradoras Ingrid Osternack e Mari Inês Piekas, a escritora Glória Kirinus, a empresária Cláudia Menegatti - Poetria Livros e Arte e Marilza Conceição, em reunião que firmou parceria entre AEILIJ - Regional do Paraná e a Livraria Poetria.  


Postado há 8th February 2013 por Marilza Conceição

SP: Quem conta um conto... - Nireuda Longobardi

Fevereiro chegou: descanso, carnaval, bons livros.
Que tal um cafezinho para acompanhar a leitura?
Este mês trazemos um microconto da autora e ilustradora Nireuda Longobardi, com direito a ilustração!
Fechem os olhos e sintam no ar este delicioso aroma...


Meu café... Doce lembrança
Nireuda Longobardi

Por um momento observo a fumaça formar espirais.

O cheiro do café é agradável, desperta lembranças. Fecho os olhos e vejo... Eu, ainda criança, na rede, acordo ouvindo uma canção; sinto o aroma delicioso de café, vindo da cozinha. Fico mais um instante deitado, a contemplar aquele agradável momento.

Vou até a cozinha e vejo Mainha cantando, com sua doce e suave voz, enquanto segura a chaleira de água fervida no forno a lenha e, lentamente, passa o café pelo coador de pano. O mesmo café que ajudei a colher, que vi ser torrado e depois pisado no grande pilão. Olhando para minha mãe, peço sua benção.

Mainha diz: “Deus te abençoe, meu filho. Venha cá me dar um beijo” – Smack! – “Agora vá já lavar o rosto e escovar os dentes para tomar seu café da manhã, com tapioca e cuscuz de coco.”

De repente, abro os olhos. Ouço o telefone tocar e percebo que estou de volta ao meu escritório, em pleno coração de São Paulo, na Avenida Paulista.

O aroma do café é o mesmo. Mas o gosto de café com tapioca, aquele ficou na lembrança e não volta mais...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

NE: Entrevistamos Gerusa Leal - vencedora do Prêmio APL na Literatura Infantil



É com prazer que trago ao público entrevista (por e-mail) com a escritora Gerusa Leal, ganhadora do Prêmio Elita Ferreira de Literatura Infantil de 2012, promovido pela Academia Pernambucana de Letras (APL), com o livro “Carolina”. Além de um maravilhoso conteúdo, o "papo" foi recheado de bom humor. Vale a pena conferir!

Querida amiga,

Antes de qualquer coisa, devo confessar a surpresa que foi sabê-la vencedora na categoria literatura infantil, pois não tinha ideia de que também produzia neste segmento, bem como da gostosa sensação de saber que o livro vencedor leva o nome de “Carolina”, que me é tão querido, pois é o nome de minha esposa.

A surpresa foi para mim também, Antonio. Não tenho a falsidade de dizer que não esperava algum retorno, se não esperasse, para quê teria me inscrito? Mas não tinha muita expectativa não, uma menção honrosa e/ou até nenhuma menção já seria um retorno interessante, me diria o quanto ainda me falta trilhar nessa trilha. E muito falta. Mas ser meu texto “o” premiado do ano, alegremente me surpreendeu.

  1. Este é o seu primeiro livro infantil? De que trata ou quem é “Carolina”?
Eu nunca escrevi literatura infantil. Minto: fiz algumas tentativas de esboçar um texto infanto-juvenil, mas que larguei pelo caminho, sempre achei muito difícil escrever para crianças. As crianças são um público muito exigente, e os paradigmas delas não são os do mercado (se bem que o mercado influencie, vez que influencia o público-alvo), os da academia. A criança gosta do que gosta. E a gente, ao longo da vida, vai se distanciando tanto da infância que fica difícil dialogar com ela (até com a própria infância). Carolina, por exemplo, não foi um texto escrito, em princípio, para crianças. Para ser um texto “infantil”. Mas como eu criei um filho sem nunca estimular nele a linguagem tatibitate, sempre conversando com ele como uma pessoa completa no seu estágio de vida, nunca como um débil mental ou no máximo um ser humano incompleto – como muita gente considera e com base nesse ponto de vista assim lida com as crianças – acabei descobrindo que as crianças entendiam Carolina como muito poucos adultos.

Carolina, resumidamente - já que nenhum ser humano (mesmo personagem de ficção) cabe numa caixinha de fósforo - é uma menina dos seus 5, 6 anos no máximo, curiosa, com uma vida interior muito rica, e persistente como uma mula nos seus propósitos...rs

  1. Se não, poderia nos falar um pouco desta sua produção?
Reafirmando, salvo uma tentativa frustrada, que ficou pelo caminho, nunca escrevi intencionalmente, conscientemente, para o público infantil. Carolina foi, inicialmente, fruto de um exercício em uma oficina no SESC Santa Rita, em Recife, ministrada por Maria José Duarte onde, dentre outras atividades, foi lido o texto Leitura, do livro Infância, de Graciliano Ramos. O texto de Graciliano, autobiográfico, tinha como tema o desinteresse do menino Graciliano e as dificuldades e estratagemas do seu pai para que aprendesse a ler. A proposta foi, no dia seguinte, levar um texto escrito onde a infância, própria ou de outrem, fosse mote para a narrativa. E assim fizemos, todos os participantes da dita oficina.

  1. Você utilizou memórias afetivas para compor este texto, das coisas de sua infância ou de outras meninas ou crianças próximas a você?
 Não há como escrever, para qualquer público, sem acessar a memória afetiva. Quando se trata de literatura infanto-juvenil, acredito, isso deve ser mais importante ainda. E, sim, um personagem é sempre uma montagem. Tem sempre algo da gente, tem sempre algo dos outros, tem sempre algo inventado.

  1. Como era a Gerusa criança, pensava em ser escritora? Nesta época, quais os seus livros prediletos?
 A Gerusa criança queria saber era de ser criança. Uma menina moleca, que jogava chumbada com os amigos, bola de gude, furão, e que fazia os melhores papagaios da rua, os que voavam melhor e mais alto, tudo na época de cada brinquedo, como era naquele tempo. Como uma criança muito introversiva, embora sociável, sempre adorou ler, vício que adquiriu com um pai também leitor inveterado e escritor tão autocrítico que acabou pouco publicando. Até hoje a Gerusa criança prefere ler. Escrever foi uma brincadeira descoberta outro dia, há uns dez anos quando, aposentada precocemente, se valendo da legislação previdenciária da época e abrindo mão de um quarto do salário, começou a procurar algo interessante para fazer. Em criança, lia muito Monteiro Lobato, amava uma coleção ilustrada de mitologia de um tio que até hoje tem pena de não saber onde foi parar depois da morte dele, e como viciada em leitura não pode te dizer muito mais sobre quais os livros prediletos, pois lia por vício mesmo. Quando não tinha o que ler, lia até bula de remédio, lista telefônica, dicionário...rs Mas estão vivos na memória ainda, ali pelos 10/11 anos, livros como Dom Quixote, Moby Dick, Os três mosqueteiros, que o pai lhe colocava nas mãos para que a menina Gerusa tivesse companhia em períodos em que um problema antigo na articulação dos joelhos a deixava de cama, impedindo-a de brincar de esconde-esconde na rua, subindo em árvores, com os amigos.

  1. Como percebe a literatura infantil brasileira atual, notadamente a pernambucana?
 Meu amigo, como se dizia, agora você me apertou sem me abraçar...rs Eu hoje tenho pouquíssimo contato com a literatura infantil brasileira, local ou estrangeira contemporânea. Eu ainda lia muita literatura infantil, mas sem discriminar a nacionalidade ou naturalidade do autor, quando meu filho era criança. Desde bebê sempre li para ele, praticamente todos os dias, até quando ele aprendeu a ler e não precisava mais da mãe decifrando as letrinhas pra ele. Geralmente eram paradidáticos ou livros que me descobriam nas prateleiras, onde a menina Gerusa captava que ali havia uma vivência importante para ser partilhada com a criança filho dela. Quem sabe, a partir de agora, Carolina me leve pela mão e eu comece a ter mais contato com a literatura infantil?

Comentário do editor deste blog: - Tomara!

  1. Qual a importância do ato de ler para as crianças? Como o(s) seu(s) livro(s) se insere(m) neste contexto?
Bom, eu acho que meio que já respondi essas perguntas acima. E sou suspeita para falar, pois os livros sempre foram (e acho que continuarão a ser, a seu modo), meus melhores amigos. A primeira frase de sua pergunta, pontuada como está, permite pelo menos duas respostas. É imensa a importância do ato de ler para as crianças, acho que é um dos melhores presentes que um pai, uma mãe pode dar para um filho, uma das maiores heranças, é ler para eles. As histórias enriquecem o universo infantil, instrumentalizam as crianças para lidarem com as questões que são próprias à fase de desenvolvimento psico-sócio-sexual, além de serem bons companheiros, entretenimento de primeira qualidade. A importância do ato de ler, (agora com vírgula) para as crianças, é tamanha quanto a de descobrir um universo novo, maravilhoso, inesgotável. É mais ou menos disso que trata Carolina.

  1. O que você acha da afirmativa de alguns que dizem que a leitura de livros vem perdendo espaço para as novas formas eletrônicas de literatura? E de que, em um futuro não muito longínquo, embora não se saiba bem ao certo quando, já não haverá mais livros na forma como os conhecemos em nossa infância?
Olha, você deu azar, minha bola de cristal foi pro concerto e até hoje a assistência técnica não vem encontrando peça pra reposição...rs O futuro, só a Deus pertence. O que acho é que o livro impresso tem um encantamento, mesmo para as novas gerações, que o e-book não tem. Por outro lado, o e-book é muito prático. Se você tem um tablet, aqueles livrões imensos, que você não levaria daqui pra lá para ler no ônibus, por exemplo, você pode levar. Acho que, em se tratando de livro, “qualquer maneira de amor vale a pena”.

  1. Neste sentido, qual a contribuição de eventos como a Bienal do Livro e da Fliporto que acontecem no segundo semestre deste ano?
 Veja, eu sou muito auto-crítica. Então, não poderia deixar também de ser “hetero”-crítica...rs Acho que as bienais de livros estão se transformando, cada vez mais, em meras feiras de livros. Tudo é feito em função de vender o produto livro. Enquanto isso, a literatura, propriamente dita, à de boa qualidade, às vezes passa longe. A Fliporto já é um evento mais diversificado, prioriza as conversas, os debates, as exposições literárias – embora, como todo mega-evento literário hoje em dia, para o meu gosto, abra espaço demais para “celebridades”, muitas delas autoras de obras literárias às vezes mais pobres do que alguns dos esquecidos bons escritores locais.

  1. E de iniciativas como o concurso “Brincar de Escrever” e a “Casa do Livro Infantil e da Leitura de Olinda (CLILO)”?
 Confesso a você, como já disse antes, que não costumo circular no universo da literatura infanto-juvenil – até agora. Carolina é um caso à parte. Depois de nascer de um exercício em uma oficina no SESC Santa Rita, em Recife, como todo texto meu, passou por inúmeras releituras, reescrituras, reformulações, inclusive com a troca com amigos escritores. Tudo que escrevo, negar seria a maior das ingratidões, mesmo que ele não tenha lido uma linha, tem o dedo de Raimundo Carrero, com quem fiz oficina durante oito anos. De uns dois anos para cá, por conta do AVC de Carrero, foi preciso lidar com a “orfandade” literária, enquanto ele se recuperava. Então alguns de nós nos reunimos em grupos onde trocamos sobre literatura e sobre nossos textos mais ou menos em pé de igualdade pois não é oficina propriamente dita, são grupos de discussão, onde há a abertura para colocar o texto na roda e - aprendizado de oficina - ouvir como ele chega a cada um dos escritores/leitores do grupo. Estou, há uns dois anos, me encontrando regularmente com um grupo que começou despretensiosamente e assim se mantém, de amigos que escrevem, onde a gente se reúne, come, bebe e trata de literatura. A coisa tem dado tão certo em termos de trabalharmos nossos textos que batizamos o grupo de Autoajuda Literária...rs Devemos lançar, em breve, um livrinho/coletânea de micros e mínimos, fruto de nossa produção no ano passado.

Mas eu fugi do assunto...rs Como eu te falei, a época do ano é de curtir família, estou com pouco tempo para literatura então, como alguém já disse, me desculpe a prolixidade, faltou-me tempo para ser sintética...rs

Enfim, Carolina só foi inscrita no infanto-juvenil da APL porque a Academia todo ano nos envia a divulgação dos concursos do ano, e na ocasião do de 2012 eu meio que acabava de ter uma experiência que foi determinante para que eu quisesse “testar” o texto inscrevendo ele num concurso.

O escritor Fernando Farias me indicou para uma participação no V Concerto de Leitura promovido pela Escola Municipal Osvaldo Lima Filho, no Pina. Eu não queria ir, disse a ele, e à coordenadora, que depois me ligou confirmando o convite, que eu não escrevia para crianças. Foi-me dito que a escola tinha alunos no primeiro e segundo graus então, para colaborar, arrebanhei um monte de textos e para lá me fui com a sacola cheia.

Lá chegando, me foi destinada uma turminha acho que de terceira série, entre os seus 10/11 anos de idade. Sem saber direito como me virar, comecei a ler textos meus em que tanto o protagonista quanto o tema eram crianças. Tive que selecionar, porque tenho vários nessa linha que não são, absolutamente, infantis. Para minha surpresa, as crianças adoraram, e quando li Carolina, “li”, nos rostinhos delas, que estavam acompanhando tudo, “sacando” tudo, rindo nas “horas certas”, compreendendo uma narrativa que tem lá suas elipses, lendo nas entrelinhas comigo.

Saí de lá com um sentimento maravilhoso, mais por perceber que há escolas como a Osvaldo Lima Filho onde as crianças são preparadas não para apenas decodificar palavras, mas para compreender ou atribuir de fato sentidos a um texto.

Mas logo em seguida a coisa ficou caraminholando em minha cabeça. Será? Será que foi uma experiência isolada, ou esse é um texto infantil apesar da sofisticação técnica que às vezes me faz “ler” nos rostos de plateias adultas ares de burro olhando pro presépio?...rs Então, como teste, inscrevi Carolina no infantil da APL. Logo em seguida recebi a divulgação de um outro de infanto-juvenil, este demandava mais textos, consegui selecionar entre os que escrevo a meu bel-prazer, e que talvez sejam infanto-juvenis, o suficiente para o número mínimo de páginas exigido. Sabe Deus no que dará – ou não dará – mas em geral não acompanho os concursos de infanto-juvenil. Aliás, depois da premiação do de poemas pela APL em 2005, raríssimamente tenho inscrito textos em concursos. Tenho preferido ler, escrever, reescrever.

  1. Que recado você deixaria para as crianças pernambucanas, em especial para aquelas que desejam, um dia, vir a ser escritoras como você?
 Nossa, cara, é muita responsa dar um recado para crianças, pernambucanas ou não...rs Como se trata de literatura, meu recado para as crianças que gostam de ler é: leiam. Não há maior prazer. Leiam o que gostarem. Leiam de tudo. Se ler for mesmo sua praia, ao longo da vida você vai começar a aprender a selecionar os melhores livros para ler. A prática é que leva à perfeição. Para aquelas que desejam, um dia, vir a ser escritoras (sei lá se sou, há quem me acuse de não querer ser escritora profissional e me confesso culpada...rs), meu recado seria: não faltem às aulas. Prestem muita atenção às aulas de português – ainda é assim que se chama?...rs Façam todos os exercícios que forem solicitados. Tenham um bom dicionário e uma boa gramática e consultem os dois sempre que precisarem ou até por pura diversão. Procurem dominar a ortografia, a pontuação e a análise sintática. E, acima de tudo, leiam, e leiam, e leiam.

  1. Bom, a palavra é sua, este espaço é livre para as considerações que desejar apresentar...
Só agradecer seu convite para a entrevista e parabenizá-lo e a todos os que vêm criando e mantendo espaços de resistência, de cultivo, de estímulo à criação, como são, por exemplo, as iniciativas “Brincar de Escrever” e a “Casa do Livro Infantil e da Leitura de Olinda (CLILO)”. Nós, crianças, agradecemos J Abraço fraterno.


Nós que agradecemos, Gerusa. E que muitos outros bons livros infantis ganhem vida em seus escritos.

SP: Canto & Encanto da Poesia - Musa

Musa

Um anjo, uma mulher, bateu à minha porta,
com flores nos cabelos e uma forma alada.
Quisera que ficasse (o tempo não importa)
e, uma tarde qualquer, me desse a mão e nada

pudesse coibir que a trilha, embora torta,
surgisse à frente firme, em luz clara e dourada.
Na sua companhia, o amor sempre conforta;
a tepidez do abraço anula a madrugada.

Mas nunca coube a mim, ditar-lhe: “- Agora escolha!”
Apenas quis fruir do canto, um certo gozo,
enquanto perdurou, a ligação fatal.

Não posso reclamar, pois nunca me fez mal,
porém partiu, deixou-me, em círculo vicioso,
em volta da Poesia: a pétala e uma folha.

Nilza Azzi

A escritora Nilza Azzi é associada da AEILIJ  SP

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

NE: Ilustrações para nos levar à lua...


Na edição deste último domingo do Correio Criança, vocês poderão conferir a bela ilustração de Anielizabeth inspirada em um belo poema do maravilhoso Mário Quintana. É de nos levar à lua...
Vale a pena conferir!

A edição completa do Correio Criança pode ser acessada em
http://issuu.com/correiodaparaiba/docs/edicao_61.