terça-feira, 1 de abril de 2014

SP: Primavera dos Livros 2014

Amigos! Enfim a  PRIMAVERA DOS LIVROS voltou para São Paulo. O local é nobre, vale a pena visitar. Segue convite para sessão de autógrafos.
Um abraço,
Regina Sormani


RJ: Processo criativo da escritora Simone Bibian

A princesa e a Ervilha

Acho interessante falar sobre o processo criativo desta obra, porque o texto teatral tem umas especificidades. “Como é a sensação de ver um texto que você escreveu sendo encenado no palco?” – já me perguntaram. Para poder explicar bem, vou começar a falar de antes, do tempo em que A princesa e a Ervilha era só uma ervilha na minha cabeça, uma coisa me cutucando.

Pediram-me para escrever uma peça de uma história tradicional. A ervilha logo apareceu. Tenho uma coleção dos contos de Andersen, cinco livros lindos, de 1961, cheio de histórias instigantes, muitas tristes, outras (como esta), alegres. A coleção era do meu pai, mas eu fiz uma cara tão pidona que ele teve que me dar!

O conto é curtinho, algumas fontes dizem que Andersen recolheu esta história do folclore da Suécia. Não é uma das histórias mais conhecidas, e ela é diferente, segue uma linha narrativa que não é comum, o príncipe não luta pelo amor da princesa, ela simplesmente aparece. E ela tem que passar por uma prova, o teste da ervilha, para provar que é uma princesa de verdade.

Minha primeira “ervilha” era descobrir sobre o que esta história falava. Um conto de fadas sempre trata do amadurecimento interno de um personagem, até que ele chega à autonomia (casa-se ou assume o reino). Este príncipe partiu, por escolha própria, em busca da princesa. E não encontrou. Que herói é esse que não luta por nada, e depois vem a princesa assim, “de mão beijada”? Ou a heroína é a princesa, que teve que passar pelo teste da rainha? Mas ela só sentiu a ervilha, não precisou lutar também...

Andersen fala rapidamente sobre a busca do príncipe, mas eu resolvi falar mais. E mostrei todos os encontros e desencontros que o príncipe teve com diversas princesas. Na vida real não é assim? Quantas expectativas são frustradas, como mudamos de opinião, como erramos e acertamos em busca do par amoroso... E quando pensamos que encontramos, às vezes o outro não nos quer. E aos trancos e barrancos vamos aprendendo o que já sabíamos: para gostar de alguém, precisamos primeiro gostar de nós mesmos! Ou, como diz o lacaio para o príncipe: “para achar a princesa de verdade, Sua Alteza precisa se tornar um príncipe de verdade”. Acho que esta é a grande lição dessa história. Mas cada um tem seu percurso, suas florestas e seus testes para enfrentar, até descobrir isso.

Quando o príncipe, já amadurecido, volta sem a princesa, mas decidido a cuidar “dos seus afazeres de príncipe”, começa a segunda parte da história: a princesa de verdade aparece em meio à tempestade e tem que passar pelo teste da rainha. A história não tem bruxa, não tem vilão, quem faz alguma “maldade” é a rainha, mas ela é mãe, ela é sogra! Acho esta rainha muito interessante: todo mundo se identifica com ela ou porque tem uma mãe assim, ou porque é assim como mãe. Difícil escapar de querer cuidar e acabar exagerando, né? Mas não é por mal, é por excesso de bem. Rimos e a perdoamos imediatamente.

Cada um que faça a interpretação que quiser ou que puder. Para mim, a história “A princesa e a ervilha” saiu leve, divertida, engraçada, foi boa de escrever. Mas, quando se escreve uma peça teatral, há a preocupação de como é que vai ficar isso no palco. Porque o teatro exige um tempo certo para as coisas acontecerem: se for muito rápido, as pessoas podem não entender, se for muito devagar, perde a graça.

No livro, a gente escreve tudo, podem ficar páginas e páginas descrevendo um lugar, seu cheiro, seus sons, dizer o que o personagem está sentindo, como ele está falando, que cara está fazendo... E ainda assim o leitor tem espaço de sobra para imaginar, interpretar do seu jeito, lembrar de outras coisas. Mas o texto teatral é diferente, a ação e o diálogo já trazem a força da emoção, já mostram se o cenário é importante ou não. Talvez o texto teatral por si só seja mais generoso, mais aberto a dar-se porque ele só se completa no palco.
Quando escrevi “O menino, o cachorro”, entendi que o texto é meu, mas o livro, livro mesmo, o objeto e tudo o que ele representa foi feito por várias pessoas. Isso me ensinou a ser mais humilde. Porque é como uma digital: o texto pode ser reeditado por outra editora, com outro formato, outras ilustrações, mas aquele livro é só ele, ele é único.

Então, quando dei a peça para o produtor, eu já estava aberta e curiosa pra saber o que é que ele ia fazer com aquilo. Ele achou graça do nome, gostou porque eu coloquei uma música (“A felicidade” - só a letra, porque a melodia nunca me atreveria), e leu o fim. O olhar dele, de riso, foi como se fizéssemos um pacto naquele instante, acho que é como um bando de crianças que se reúnem no quintal e dizem: vamos brincar de faz de conta? Dá um friozinho na barriga, dá excitação, dá medo, dá vontade de rir, dá vontade de falar, dá vontade de se mexer.

Eu assisti a um dos últimos ensaios. E a primeira coisa que senti foi um respeito enorme. Eu, pelos atores, pelo diretor, pelo músico, pela coreógrafa, pelo maquiador, pelo iluminador, porque sabia que cada um ia colocar sua marca pessoal, ia construir o pedaço que faltava e que eu nunca ia conseguir fazer sozinha. Eles, por mim, porque se preocuparam em serem fiéis às minhas ideias, queriam que eu ficasse satisfeita com a transformação de palavras em vida.

Bem, chegamos ao dia da estréia. Como eu já sabia como a peça estava, minha atenção se voltou para o público. Como as pessoas iam receber tudo aquilo? Será que iam gostar? As crianças, as crianças, eu queria ouvir as crianças... A peça é para elas, e elas são sábias, elas poderiam me falar se tudo saiu bem.

No escurinho daquele teatro lindo, lotado, uma energia boa, como se todo mundo estivesse compartilhando da mesma brincadeira.

Enfim, a sensação de se ver um texto teatral que você escreveu pulsando lá no palco eu prefiro não descrever com palavras, mas com imagem. É assim:





quarta-feira, 26 de março de 2014

RJ: Roger Mello recebe o Hans Christian Andersen como ilustrador!

Lygia Bojunga, como escritora, em 1982;
Ana Maria Machado, como escritora, em 2000; e
Roger Mello, como ilustrador, em 2014!!!

Parabéns ao novo ganhador do Prêmio Hans Christian Andersen!

sexta-feira, 14 de março de 2014

RJ: Oficina "Lendo livros por inteiro"

Nossa associada Marilia Pirillo ministra oficina sobre o Livro infantil e juvenil como um todo: a união de texto, projeto gráfico e ilustrações. A aulas acontecem no Centro Cultural da Justiça Federal. Faça já sua inscrição!


segunda-feira, 10 de março de 2014

quinta-feira, 6 de março de 2014

SP: Pé de meia literário (26)



LEITURISMO e LEITURAMENTO


É bem provável que estes dois termos, Leiturismo e Leituramento, nada signifiquem para além da curiosidade. O que é Leiturismo e o que é Leituramento? Que relações pode haver entre eles?
O Leiturismo está para o espontaneísmo assim como o Leituramento está para o planejamento. 
Aqui vamos, inicialmente, nos acercar de uma possível definição desses termos. Espontaneísmo apareceu como a designação de fenômenos sem ligação orgânica entre si, como eventos fortuitos, oportunistas, gerados ao acaso, como um lance de dados, as coisas acontecendo ao sabor delas próprias, sem rumo previamente traçado, sem planejamento. Nesse sentido, eis aí a alma do leiturismo: o espontaneísmo.

Letramento, conceito novo e ainda complexo, nos faz pensar nas relações de aprendizagens da leitura e escrita num mundo pleno de signos verbais e suas muitas significações. Diferentemente do espontaneísmo, o letramento pressupõe a preocupação consequente, o planejamento, o estudo das necessidades, o fortalecimento das relações entre sociedade e sujeito. Nesse sentido, eis aí a alma do Leituramento: o planejamento consequente.

Leiturismo é o espontaneísmo, o fogo que arde sem queimar, o embarque atropelado na canoa dos movimentos efêmeros, não duradouros, nem contínuos. É a arte fogueteira do marketing, é o discurso dos programas de governo, antes da eleição, e a ausência na prática política do cotidiano. Leiturismo é a construção de prédios e, às vezes, compra de acervos e equipamentos para inaugurações rápidas, festeiras e inundadas de holofotes, para depois, acabar na quarta-feira de cinzas, morna, sem programa, sem mediador de leitura, sem reposição de acervo e sem propostas de atuação diárias, cotidianas e contínuas. É um número na estatística e quase nunca passa disso. Números mortos em páginas oficiais: pouco ou nada dizem da prática efetiva de leitura. É um nome na lista de eventos e projetos/programas que, depois, dorme na calmaria das listagens. Leiturismo é pleno de eventos bombásticos, números afoitos, discussões acaloradas, vozes em mil alto-falantes. Leiturismo é a aprovação tresloucada, pipocando a todo o momento, de planos estaduais e municipais de leitura, do livro, de biblioteca. Aprovadas as leis, para consumo de planos de governo e de ações marqueteiras, elas vão, quase sempre, para o ninho do sono eterno.
Do Leiturismo fazem parte diversas ações, entre as quais, para o que nos interesse aqui e agora, as estatísticas vazias de número de bibliotecas públicas, o abandono da maioria dos prédios e equipamentos, a ausência de programas de reposição de acervo com a participação dos interessados, de formação dos mediadores e de incentivo cultural aos eventos de formação de leitores.
O Leiturismo é a festa, o elefante branco, o anúncio, os fogos de artifício, a estatística formal no espaço comprado a peso de ouro do jornal, a luz apagada depois do “e agora, José?”. Tem a ver com a política populista, atropelada, rápida, que responde à demanda do momento, à moda da hora. É a inconsequência com a cara de fragmentos brilhantes e coloridos. 
Leiturismo busca votos passageiros. Não se preocupa com um projeto de sociedade e nesse projeto o espaço da leitura como ação salutar para a vida inteligente.

E o Leituramento, o que é?

O Leituramento é a ardência do cozimento brando e contínuo, a cadência do movimento constante, a amarração firme e forte dos cabos, das vigas, dos suportes, um amálgama contra a fragmentação. É a preocupação conseqüente, fora dos oportunismos, longe da fogueira das vaidades, distante da superficialidade; é a proposição com começo, meio e fim, olhos aqui, ali e além, a previsão de quem faz, onde faz, com o quê faz e como faz. Leituramento é o contraponto às inaugurações apressadas, aos projetos de nomes pomposos e estrutura oca, à superficialidade da luta por espaços que travam os que querem o seu nome na mídia. 
Do Leituramento fazem parte diversas ações, entre as quais interessa-nos citar: definição de uma agenda nacional para os eventos da leitura; formulação de uma política consistente, contínua e objetiva para construção, manutenção e recuperação dos prédios das bibliotecas públicas; definição de uma política de formação de mediadores de leitura para atuar nas bibliotecas; formulação de uma política eficiente de reposição de acervo, dando voz aos mediadores; investimentos concretos em uma ampla rede de bibliotecas escolares; envolvimento efetivo dos municípios na vida de suas bibliotecas, organizando leitores e mediadores em uma cidade-leitora. 
Leituramento busca a ação concreta da sociedade pela leitura, um projeto de sociedade onde a leitura-ação-e-reflexão esteja presente como forma de garantir inteligência saudável em nossas vidas.

Leiturismo é, enfim, o desejo afobado, a festa pronta, o discurso na ponta da língua e... os espaços de leitura vazios.

Leituramento é, afinal, a atitude firme e definida, o planejamento consequente, o trabalho contínuo e amarrado e... os espaços de leitura abertos e pulsando as muitas significações possíveis.


EDSON GABRIEL GARCIA
(escritor e educador)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

SP: Técnicas de Ilustração - 11 - Cris Eich




Tudo começa na leitura do texto, claro, imediatamente, vem o estudo do traço e criação das personagens da história.

Uma boa leitura requer alguma paz para ser feita, as vezes silêncio, noutras uma trilha sonora adequada ao tema e que ajude no exercício de chegada a outros mundos. Para ilustrar contos de fadas,por exemplo,gosto de ouvir peças de ancient music ou qualquer tema que a estrutura e sonoridade me remeta a esses tempos, tempos futuros ou outros fantásticos e imaginários.

Pesquisa iconográfica, quando necessário. Agora o mergulho é completo e a história começa a funcionar sozinha, as imagens brotam no papel e começam a tomar corpo.
Li numa entrevista de Lisbeth Zwerger (de quem sou fã incondicional) que as primeiras imagens devem ser descartadas, que são sempre óbvias e que por isso devem ser retrabalhadas. Uma opinião importante a ser considerada, mesmo que eu não a siga o tempo todo.

Primeiro o desenho da página, respeitando a pré-diagramação do projeto gráfico.
Tenho o hábito de fazer um estudo de cores no computador: como a aquarela não permite erros (os prazos não esperam) já verifico se a composição de cores que tenho em mente irá funcionar ou não.

Agora o prazer: a gotad'água sobre o papel.
A aquarela é uma estrutura em duas dimensões: precisa de prévio planejamento de quais áreas deverão ser pintadas primeiro,quais receberão camadas de transparência e quais outras terão apenas uma cor.
Atencão tem que ser total aqui, porque existe a imprevisibilidade do meio tinta e papel. Reações inesperadas são frequentes e, como a aquarela não permite refações, a imperfeição é uma constante e tento usá-la a meu favor, colaborando para chegar a uma arte atraente.
O resto é deixar que a gota d'água flua =)









Cris Eich é ilustradora associada da AEILIJ SP


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

SP: Um livro do qual gostei muito - Mundo pelo contrário



MUNDO PELO CONTRÁRIO
(comentários de Fabia Terni)

Texto de Regina Sormani com ilustrações de Gilberto Marchi.

História bem bolada contada em dois planos: o real e o imaginário. Essa técnica moderna, utilizada hoje também no cinema, estimula o espectador/leitor a raciocinar mais.

Mundo Pelo Contrário contém muitos dos temas caros aos jovens entre 13 e 16 anos, i.e. muita ação, suspense, Taekwondo, cena de horror, amizade, e uma pontinha de amor. O celular e a TV sempre presentes, também dão o tom para atrair os adolescentes.

Regina inova palavras, trocando letras ou rimas (pamonha por champanha) dando à história uma característica lúdica, e bem humorada. Os nomes das personagens também contribuem para isso. (Sumô, Bocó, Vaguinho e Pum letal).

A história é bem conduzida através de muito diálogo, o que sempre agrada os jovens tanto por encurtá-la , como também por facilitar sua compreensão.

O livro ainda oferece mais um trunfo: dois finais, um real e outro imaginário mantendo-se coerente com sua proposta inicial.

Fabia Terni – escritora associada da AEILIJ SP