segunda-feira, 17 de junho de 2019

SP: Nova Associada: Edith Chacon

EDITH CHACON

1) Fale um pouco sobre o começo do seu trabalho com LIJ.
Desde sempre a LIJ esteve presente em minha vida. Primeiro pela minha mãe embalando-me com as cantigas de ninar, depois pelo meu pai que contava e inventava histórias sempre, sempre... Momentos de encantamento e afeto. Foi ele que, sem saber, me mostrou a Poesia da vida e das palavras. Aos 9 anos, Monteiro Lobato invadiu minha vida e a boneca Emília se fez mediadora. Não tinha papas na língua. Tudo que ela dizia e fazia era tudo que eu queria ser e fazer. E assim, como a personagem de Clarice, minha felicidade clandestina levou-me à biblioteca escolar, a leituras e mais leituras e, como já dava aulas para minhas bonecas, o desejo de ser professora aumentou. Fiz faculdade de letras na PUC/SP porque queria levar a magia e a polissemia das palavras para que meus alunos se encantassem com a literatura literária. Não queria alunos passivos, quietos, com medo de enfrentar o desafio da língua portuguesa e da vida. A professora e escritora portuguesa Isabel Alçada comenta que “Ninguém consegue tornar-se atleta se for para os estádios observar provas desportivas ou se dedicar à consulta de obras sobre a sua modalidade preferida. [...]”, ou seja, se se treina para ser um bom atleta, por que não para ser um bom leitor e escritor?
Sim, meus alunos foram protagonistas, autores/produtores de coletâneas de textos escritos e ilustrados por eles. Muita leitura, muita discussão, muita fantasia, muito trabalho e respeito com a língua portuguesa. Transformar as aulas em oficinas fazia parte dessa empreitada. Desarrumar a sala, ir para o pátio, dar uma volta no quarteirão. Sentir os cheiros. Ouvir o silêncio e os ruídos. Tocar no outro, treinar o olhar e os cinco sentidos. Criar um ambiente afetivo e propício para que os alunos se sentissem desafiados, pudessem provocar e se sentir provocados. Para que se perguntassem. Para que fossem tocados pelo texto de alguma forma. Para que, repito, não fossem passivos diante do mundo. Para que pudessem sonhar e viver diferentes aventuras embarcados nas tramas das benditas, malditas e inquietantes personagens dos livros. Para que gostassem de ler e de escrever, sem medo do que pudessem sentir. E, assim, a escritora também foi desabrochando. Fui desengavetando meus escritos, lendo para meus filhos, para meus alunos – primeiros críticos literários, depois para amigos e o “Simplesmente Ler”, meu primeiro livro de poesias, foi publicado, em 2011, pela Editora Callis.
Um de meus maiores prazeres é estar com meus leitores em escolas, bibliotecas, feiras literárias, eventos como a FLIP e outros. É só me chamar que eu vou!

2) Três livros seus para quem não te conhece.
Era uma vez outra vez, ilustrado pela Priscilla Ballarin, publicado por Edições Barbatana (2017) é um convite à brincadeira. Livro-jogo, cujas folhas são soltas e dobradas em forma de sanfona. Cada lado da folha corresponde a uma estrofe do poema
A Coleção “Vamos brincar de rimar” da Editora Biruta é composta por três livros ilustrados pela Fran Junqueira, Farra no quintal (2018), Festança e A galinha xadrezinha bota ovo pintadinho (2019). Além de fazerem um jogo com as rimas, terminam com uma pergunta e convidam o leitor para dar continuidade à brincadeira.
  
3) Quais os seus planos para os próximos cinco anos?
Meus planos são ler e escrever cada vez mais e mais para meu prazer e para poder compartilhar com meus leitores essa magia que a literatura nos proporciona e nos traz tanto sentido à vida.
Ainda tenho muitos rascunhos de livros para serem concluídos e outros que estão em fase de publicação. No prelo, estão o livro infanto-juvenil Somos o que somos, mas nem sempre,
ilustrado por Fernando Pires, pela Editora Leitura & Arte; o livro Bichobrinca – em versos e cartas, que também contém jogos, ilustrado pela Carla Caruso (Editora Estrela Cultural) e (Des)apontado, ilustrado pela Priscilla Ballarin (Editora Amelì).

Mais informações em 
https://www.facebook.com/edith.chacontheodoro

Foto: Eloisa Mangussi Franchi Dutra, da Biblioteca Itinerante Território Vivo

terça-feira, 11 de junho de 2019

PR: Nova Associada: Ross Mary Capriotti Strano Vieira

ROSS MARY CAPRIOTTI STRANO VIEIRA

1) Fale um pouco sobre o começo do seu trabalho com LIJ.
A paixão pelos livros, pela leitura e pela escrita me acompanha desde a infância. Ainda na escola ganhei meu primeiro concurso escrevendo uma redação sobre Monteiro Lobato cujo prêmio foi um exemplar do livro Reinações de Narizinho. Que incentivo para continuar!
Mais tarde, quando ainda quase uma menina, fui trabalhar numa escola de educação infantil, essa relação amorosa se expandiu no contato com as crianças e as com as diversas formas que uma história pode assumir. Vivíamos diferentes personagens, criávamos mundos imaginários e assim nos nutríamos das palavras e dos símbolos da cultura.  Inventávamos histórias e poesias.
Novos caminhos se abriram e de professora passei a autora de material didático para crianças, o que estreitou ainda mais minha relação com a literatura infantil pois essa atividade demanda contato permanente com as produções literárias destinadas à essa faixa etária.
Foi somente em 2015, cursando a pós-graduação em Literatura infantil e contação de histórias na Fatum que resolvi publicar o primeiro livro. E não foi apenas um, já de estreia lançamos dois volumes de uma coleção destinada a crianças bem pequenas. Dessa experiência surgiu o convite para ministrar o módulo Leitura para bebês na pós-graduação. Assim, não por acaso, estou cada vez mais mergulhada nesse mundo maravilhoso da literatura infantil.

2) Três livros seus para quem não te conhece.
Abraço, editora InVerso, faz parte de uma coleção chamada Primeiro Olhar, escrita em coautoria com Eliziane Nicolao e ilustrado por Karen Basso. O livro conta a história do abraço que Leonardo ganhou de seu pediatra e que lhe ensinou um aspecto importante da vida. Qual é o alcance de um ato de amor?
Escola, editora InVerso, também faz parte da coleção Primeiro Olhar e fala da delicada e sensível experiência pela qual passam as crianças pequenas em seu primeiro dia na escola. Dona Filó, a ursa, prepara tudo com muito carinho para receber seus alunos. Será que os filhotes vão gostar?

O presente de Alice escrevi sozinha. As ilustrações são de Vanessa Martinelli e também saiu pela editora InVerso. O livro conta a história de Alice que ao fazer aniversário recebe muitos abraços e presentes, entre eles um especial. Com ele sua festa se transforma num alegre desfile de personagens queridos e conhecidos de muitas gerações. Essa é uma história que nunca acaba porque ao final do livro cada criança pode criar sua própria versão da festa, num jogo de letras e personagens que alimenta o protagonismo infantil e amplia a experiência literária.
  
3) Quais os seus planos para os próximos cinco anos?
A infância me encanta e desafia. Acredito na inteligência das crianças, na potência da infância e no poder das histórias, por isso quero continuar escrevendo para elas. Seja uma proposta de vivência a ser realizada na instituição de educação infantil, seja uma história que apresente à criança mundos possíveis e lhe permita descobrir quem é, quem quer ser e sobretudo quem ela pode ser, colaborando assim para o pleno exercício do direito que toda criança tem de ser um sujeito de linguagem. 

Ross Mary Capriotti Strano Vieira é autora e editora de materiais didáticos e professora do módulo Leitura para bebês na pós-graduação. Licenciada em Letras Inglês pela UFPR e Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano, Pós-graduada em Informática na educação, pelo IBPEX, Educação Infantil e alfabetização, pela UTPR e Literatura Infantil e contação de história, pela Fatum.

Mais informações em 
https://www.facebook.com/rossmary.vieira

Foto: Arquivo pessoal

sexta-feira, 19 de abril de 2019

BR: Vencedores do II Prêmio AEILIJ e chamada para a votação do Livro do Ano


É com imensa satisfação que anunciamos os ganhadores das três categorias do II Prêmio AEILIJ. 
Os jurados tiveram imensa dificuldade em selecionar somente três livros, tamanha a qualidade dos concorrentes finalistas. Depois de várias conversas, ficou definido que nesse ano as borboletas pousariam em "Biruta" (Moderna), de Sônia Barros, "88 histórias: contos e minicontos" (Cortez), de Severino Rodrigues, e "Agora pode chover" (Melhoramentos), de Anna Cunha.
Esse ano tivemos ainda a estréia do selo Hors Concours, uma forma de homenagearmos as obras clássicas, de qualidade indiscutível, que tiveram nova edição com novo projeto gráfico. 
Parabéns a todos!
A cerimônia de premiação ocorrerá em data a ser reservada, na sede da AEILIJ no Rio de Janeiro, quando conheceremos o "Livro do Ano" de 2018.
Agora é com os associados!
Leiam e votem em um dos outorgados, com exceção do ganhador do selo Hors Concours, para receber também o título de "Livro do Ano". Está em jogo todo o conjunto da obra. Temos até o final do mês para a votação! O e-mail, para onde o voto deverá ser encaminhado, está na imagem.
Em tempo: Todos os associados podem votar. Não é necessário estar em dia com a anuidade.

Resenhas dos livros agraciados com o selo da borboleta:


BIRUTA
Texto de Sônia Barros
Moderna – 2018
Resenha de Luiz Antonio Aguiar


“Era uma vez uma galinha... que quase foi parar na panela”. Vivia num galinheiro, foi aos poucos perdendo a visão, até se tornar quase cega, tadinha. Daí, fez-se noite para sempre, para ela. E Biruta não entendia o que estava acontecendo. Tudo se passa num pequeno sítio. Depois de uma ou outra confusão, armada com suas colegas penosas, o dono do galinheiro decidiu seu destino. Frita ou assada, Biruta não passaria daquele domingo. Mas, é aí que entra na história a compaixão de um menino, essa coisa mágica, que ninguém entende direito, mas que todo mundo sabe que existe, e que liga as crianças aos bichos. Nesse momento, Biruta  se transforma numa história de amor. Terna, muito, muito simples, mas por demais tocante. As ilustrações de Odilon Moraes recontam em paralelo essa história, sensível ao fato de que ela tem,  de excepcional, sua singeleza.  A história de Biruta, poderia ser uma, mas foi outra. E isso porque esse encontro, da galinha cega com um menino amoroso, trouxe a luz de volta e, à galinha Biruta, devolveu um mundo  para ela enxergar. Com o coração. 


88 HISTÓRIAS: CONTOS E MINICONTOS
Texto de Severino Rodrigues
Cortez - 2018
Resenha de Leo Cunha


O tênue e impreciso limiar entre a literatura juvenil e a adulta é testado neste livro. Severino Rodrigues desafia o leitor a decifrar seus curtos textos, e em muitos casos, a completar o que ali está apenas sugerido ou aludido. Alguns minicontos se limitam a esboçar, enigmaticamente, um personagem. Outros são flashes de situações tocantes, perturbadoras, ou mesmo cômicas. Eis, por exemplo, o nº 16: "Respeitando as crenças do surfista, o tubarão abocanhou a perna sem a tatuagem de ferradura". Em alguns momentos, a prosa é seca, em outros, poética. Repleto de simbologia e referências a clássicos da literatura e da mitologia, o livro nos convida a múltiplas leituras e interpretações. A questionar, apenas, a estranha opção pela diagramação centralizada.


AGORA PODE CHOVER
Ilustrações de Anna Cunha
Melhoramentos – 2018
Resenha de Marilia Pirillo


No dia de seu aniversário, a menina Tatiana é tomada de saudades e busca em sua volta os sinais da presença do avô. Ela tem algo a lhe dizer, algo que não pode ser dito a tempo, antes dele partir. O avô tinha combinado com a neta que quando ela sentisse sua falta era só olhar pro céu pois ele estaria ali, voando perto dela. Tratar da morte sem tristeza ou lamento, através de um texto inspirador e poético, é o que “Agora pode chover” consegue fazer. Neste livro a delicadeza e a leveza estão em cada palavra do escritor Celso Sisto e em cada uma das lindas imagens que Anna Cunha produziu. Imagens de tons suaves, imprecisas, que conduzem o leitor em um cenário onírico onde, no bater das asas transparentes de um libélula, a menina faz voar suas palavras de saudade. Livre e leve, por fim, a menina Tatiana pode comemorar o seu aniversário com alegria, no mesmo dia que o avô também o faria.


UMA HISTÓRIA PELO MEIO
Texto de Elvira Vigna
Ilustrações de Raquel Matsushita
Positivo - 2018
Resenha de Marilia Pirillo

“Uma história pelo meio” foi publicado em 1982 e, para nossa alegria e deleite, relançado em 2018 numa edição primorosa da Editora Positivo. Nesta incrível obra, ao desconstruir a narrativa linear, começando a história pelo meio e a dividindo em três histórias que aos poucos se entrelaçam, Elvira Vigna, mais uma vez, desconstrói com maestria com alguns padrões da LIJ. Porque, Elvira Vigna, ao escrever para crianças e jovens leitores, nunca subestimou seu público e, tampouco, a sua capacidade leitora. Com uma história aparentemente simples, Elvira toca em temas importantes como respeito ao meio ambiente, equilíbrio ecológico, liberdade e justiça sem, em nenhum momento, ser moralista ou didática. Pelo contrário, Elvira Vigna, respeita tanto seus “pequenos leitores” que os convida e os provoca a reescreverem sua narrativa: costurando fatos, personagens, diferentes pontos de vista e tecendo, a partir deles possíveis desdobramentos, finais e, por que não?, novas narrativas.
As ilustrações de Raquel Matsushita entram na brincadeira também e, fugindo do óbvio, deixam páginas brancas e  lacunas para serem preenchidas pelo olhar e pela imaginação do leitor.

terça-feira, 9 de abril de 2019

BR: Finalistas do II Prêmio AEILIJ

Os vencedores de cada categoria, assim como o livro que recebeu o novo selo de Hors Concours da AEILIJ, serão anunciados durante o evento Conversa Literária Edição Especial, que ocorrerá no próximo dia 18 de abril, Dia Nacional do Livro Infantil, na Biblioteca Parque Estadual do Rio de Janeiro.


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Finalistas de Texto Literário Infantil


AGORA PODE CHOVER
Texto de Celso Sisto
Melhoramentos – 2018
Resenha de Marilia Pirillo

No dia de seu aniversário, a menina Tatiana é tomada de saudades e busca em sua volta os sinais da presença do avô. Ela tem algo a lhe dizer, algo que não pode ser dito a tempo, antes dele partir. O avô tinha combinado com a neta que quando ela sentisse sua falta era só olhar pro céu pois ele estaria ali, voando perto dela. Tratar da morte sem tristeza ou lamento, através de um texto inspirador e poético, é o que “Agora pode chover” consegue fazer. Neste livro a delicadeza e a leveza estão em cada palavra do escritor Celso Sisto e em cada uma das lindas imagens que Anna Cunha produziu. Imagens de tons suaves, imprecisas, que conduzem o leitor em um cenário onírico onde, no bater das asas transparentes de um libélula, a menina faz voar suas palavras de saudade. Livre e leve, por fim, a menina Tatiana pode comemorar o seu aniversário com alegria, no mesmo dia que o avô também o faria.


BIRUTA
Texto de Sônia Barros
Moderna – 2018
Resenha de Luiz Antonio Aguiar

“Era uma vez uma galinha... que quase foi parar na panela”. Vivia num galinheiro, foi aos poucos perdendo a visão, até se tornar quase cega, tadinha. Daí, fez-se noite para sempre, para ela. E Biruta não entendia o que estava acontecendo. Tudo se passa num pequeno sítio. Depois de uma ou outra confusão, armada com suas colegas penosas, o dono do galinheiro decidiu seu destino. Frita ou assada, Biruta não passaria daquele domingo. Mas, é aí que entra na história a compaixão de um menino, essa coisa mágica, que ninguém entende direito, mas que todo mundo sabe que existe, e que liga as crianças aos bichos. Nesse momento, Biruta  se transforma numa história de amor. Terna, muito, muito simples, mas por demais tocante. As ilustrações de Odilon Moraes recontam em paralelo essa história, sensível ao fato de que ela tem,  de excepcional, sua singeleza.  A história de Biruta, poderia ser uma, mas foi outra. E isso porque esse encontro, da galinha cega com um menino amoroso, trouxe a luz de volta e, à galinha Biruta, devolveu um mundo  para ela enxergar. Com o coração. 


CASA DE PASSARINHO
Texto de Ana Rosa Costa
Positivo – 2018
Resenha de 
Luiz Antonio Aguiar

Desde que as histórias começaram a existir no mundo (e na imaginação das pessoas, especialmente das crianças) que os bichos não somente falam, mas possuem sentimentos. Isso faz parte do encantamento universal que os bichos exercem sobre os pequenos. São seres diferentes de nós. Alguns voam, alguns rastejam. Mas serão tão diferentes assim? Alguns constroem suas casas, vivem juntos, casados, tem seus filhotes e os preparam para o mundo. Como serão afinal? Neste livro, a vida e a casa de passarinhos são reveladas, como se as ilustrações de Odilon Moraes e o texto de Ana Rosa nos permitisse vê-los em sua intimidade (e passarinho tem intimidade?... tem sim!). São gravuras curiosas, de verdade, numa técnica já explorada antes por Odilon, que somente sugere e convida o leitor a completar a  imagem com sua imaginação.  Provocar a imaginação, fazer sorrir com aquela mentirazinha sem maldade, que qualquer criança logo compreende como fantasia é o resgate maior de Casa de Passarinho  (a começar pelo título).  Este livro brinca com a criança. Com o mundo da criança. 


O MENINO DO BOLSO FURADO
Texto de Maria Helena Bazzo
Passarinho – 2017
Resenha de Leo Cunha

Quem é esse menino que espanta, assombra e diverte a meninada de uma praça qualquer? Um menino que é história e memória, que é emoção e sorriso? O que é seu bolso furado? Um portal para os contos, os de fada e os atuais? Uma janela para a poesia, de Quintana a Elias José, de Cecília a Cora Coralina? Se ele mora nos livros e os livros em seu bolso, quem é esse menino que bate as asas e renasce num ninho? Maria Helena Bazzo, sutil e econômica, não traz respostas, mas nos deixa repletos de perguntas e, mais, de literatura. Com ilustrações de Thais Beltrame e produção caprichadíssima da editora Passarinho.  


QUINTAL DE SONHOS
Texto de Christian David
Editora do Brasil – 2018
Resenha de Marilia Pirillo

Num quintal repleto de sonhos Etiene é um menino que além do nome diferente guarda em si uma certa melancolia por não ter conhecido o avô e um desassossego pelo desaparecimento do pai - que partiu em uma viagem da qual não retornou. Com as últimas palavras que ouviu do pai, ecoando em sua cabeça: “Não esqueça do segredo do quintal, Etiene, procure lá.”, o menino não sabe explicar o que procura exatamente, mas segue inquieto: tentando entrar no quarto trancado onde estão as coisas do falecido avô ou cavoucando o quintal da casa. As ilustrações poéticas de Natália Gregorini contam segredos que o escritor Christian David delicadamente esconde. A soma do texto sensível com as belas ilustrações compõem uma história bonita sobre a importância da busca de nossas raízes e do conhecimento do passado para o entendimento do nosso presente e de quem somos.


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Finalistas de Texto Literário Juvenil


88 HISTÓRIAS: CONTOS E MINICONTOS
Texto de Severino Rodrigues
Cortez - 2018
Resenha de Leo Cunha

O tênue e impreciso limiar entre a literatura juvenil e a adulta é testado neste livro. Severino Rodrigues desafia o leitor a decifrar seus curtos textos, e em muitos casos, a completar o que ali está apenas sugerido ou aludido. Alguns minicontos se limitam a esboçar, enigmaticamente, um personagem. Outros são flashes de situações tocantes, perturbadoras, ou mesmo cômicas. Eis, por exemplo, o nº 16: "Respeitando as crenças do surfista, o tubarão abocanhou a perna sem a tatuagem de ferradura". Em alguns momentos, a prosa é seca, em outros, poética. Repleto de simbologia e referências a clássicos da literatura e da mitologia, o livro nos convida a múltiplas leituras e interpretações. A questionar, apenas, a estranha opção pela diagramação centralizada.


BEIJOS DE CHOCOLATE BRANCO
Texto de João Paulo Hergesel
Jogo de Palavras - 2018
Resenha de Leo Cunha

João Paulo Hergesel poderia entrar na lista de finalistas do Prêmio Aeilij 2019 pelo conjunto da obra. É animador ver um autor jovem (nascido em 1992) emplacando três boas narrativas em um ano. O infantil "A vaca presepeira" é mais divertido e "Quem disse que não te entendo?" é mais complexo e sentimental. A opção pelo breve "Beijos de chocolate branco" – claramente o mais singelo entre os três livros – cai na conta de sua protagonista, a charmosa Olívia, que, ao contrário da maioria das adolescentes, luta para ganhar peso. Mas o que vale mesmo é sua leveza emocional. Para João Paulo, fica o desafio de retomar a cativante personagem em outra aventura, mais alentada. 


CHARLES CHAPLIN: UM TESOURO EM PRETO E BRANCO
Texto de Flávia Muniz
FTD - 2017
Resenha de Luiz Antonio Aguiar

Charles Chaplin pode muito bem ser visto como um precursor de uma cultura especial, a cultura pop. Não era um herói, nem um anti-herói. É alguém que, querendo mais do que tudo viver sua vida à margem da hostilidade do mundo, se mete em encrencas. Alguém que poderia, em alguns de seus momentos, ser um de nós  E isso, naturalmente, através de um dos personagens mais famosos, não somente do cinema, mas do universo cultural, o nosso  Carlitos, o Vagabundo, como ficou mundialmente conhecido.  Por isso, já é instigante a ideia e a realização de um livro homenageando sua  figura terna, tão crítica a uma modernidade que ia se formando às custas  daquele tesouro de humanidade dos homens e mulheres de seu tempo. E esse livro tinha de ser, naturalmente em  preto e branco, justamente a magia fundadora do cinema,  que o tornou uma arte com tantos fãs devotados, e que o projeto gráfico e as ilustrações de Charles Chaplin resgatam. Além disso, há a saudade, é claro, a menção a cenas e situações que fizeram e fazem, até hoje de Carlitos um ícone a despertar compaixão... e risadas.


MEUS SEGREDOS NÃO CABEM NUM  DIÁRIO
Texto de Manuel Filho
Melhoramentos - 2017
Resenha de Leo Cunha

Esta envolvente novela juvenil explora vários registros (carta, email, whatsapp, diário), algo visto também, de forma mais radical, em outra interessante obra concorrente ao Prêmio Aeilij, "A queda dos Moais". Manuel Filho cria uma delicada relação entre avó e neta, que começa num tom de quase impaciência e incompreensão, depois desabrocha num jogo de espelhos e coincidências, a sublinhar que, nesse mundo tão veloz e tecnológico, as coisas não são assim tão diferentes de antigamente. Especialmente os sentimentos, as angústias, as pequenas alegrias e conquistas de um adolescente. O livro é um elogio à amizade e ao afeto, uma resposta contra o assédio e o bullying.


SUSPIROS DE LUZ
Texto de Roseana Murray
Escarlate - 2018
Resenha de Luiz Antonio Aguiar

A ancestral arte da poesia em haicais ganha em Suspiros de Luz, de Roseana Murray, a delicadeza dos momentos mínimos, que é toda a sua essência, mas eternizados em poderosas imagens poéticas. E que extraem desses momentos  relances diversos, por vezes inusitados, da luz, e de reflexos que somente a sensibilidade poderia enxergar como poesia. São poemas impressionistas, nesse sentido, captando instantes  e fixando-os sob a forma do haicai, que tem toda a sua magia na síntese – de fato, suspiros de luz. As ilustrações de Walter Lara ajudam a que esses momentos sejam fixados, sem perder nem força, nem delicadeza, seja no salto de uma baleia, projetando-se das profundezas. Seja no bater praticamente imperceptível das asas de uma borboleta – ou meramente em reflexos. A magia não se perde, nem nas ilustrações, nem na constatação de que as fadas correm o mundo sem deixar pegadas. Dia ou noite, na mata ou sob a a água, neste livro, a percepção da luz, seja num momento tênue ou ofuscante, gera poesia.


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Finalistas de Conjunto de Ilustrações


A FLOR DO MATO
Ilustrações de Marcelo Pimentel
Positivo – 2018
Resenha de Marilia Pirillo

Neste livro, Marcelo Pimentel narra, através de belas imagens, uma história sobre a lendária personagem do folclore brasileiro Comadre Florzinha também conhecida como Flor do Mato. 
As lembranças do encontro com a personagem, durante a infância, são narradas ao neto pelo avô que relembra ter sido seduzido por uma borboleta vermelha, destoante de todo o cenário preto e branco que o cercava. Ao seguir a borboleta, o avô menino entra na mata onde encontra Florzinha - menina bonita, com longos cabelos cacheados e enfeitados por uma flor vermelha. Enquanto os dois brincam, vão aos poucos adentrando mais e mais na mata fechada. Encantado e sem perceber o tempo passar o menino é “despertado” pelo seu cachorro que o guia de volta para casa. As memórias em preto e branco se contrapõem as cenas do tempo presente: coloridas ilustrações com inspiração na estética do Maracatu rural e seus trajes característicos, repletos de estampas florais e arabescos multicoloridos.


AGORA PODE CHOVER
Ilustrações de Anna Cunha
Melhoramentos – 2018
Resenha de Marilia Pirillo

No dia de seu aniversário, a menina Tatiana é tomada de saudades e busca em sua volta os sinais da presença do avô. Ela tem algo a lhe dizer, algo que não pode ser dito a tempo, antes dele partir. O avô tinha combinado com a neta que quando ela sentisse sua falta era só olhar pro céu pois ele estaria ali, voando perto dela. Tratar da morte sem tristeza ou lamento, através de um texto inspirador e poético, é o que “Agora pode chover” consegue fazer. Neste livro a delicadeza e a leveza estão em cada palavra do escritor Celso Sisto e em cada uma das lindas imagens que Anna Cunha produziu. Imagens de tons suaves, imprecisas, que conduzem o leitor em um cenário onírico onde, no bater das asas transparentes de um libélula, a menina faz voar suas palavras de saudade. Livre e leve, por fim, a menina Tatiana pode comemorar o seu aniversário com alegria, no mesmo dia que o avô também o faria.


BICHOS DA NOITE
Ilustrações de Odilon Moraes
Positivo - 2018
Resenha de Marilia Pirillo

A casa no escuro descansa de seus afazeres, mas, de repente, se torna um lugar estranho e povoado pelas criaturas da noite, aquelas que saem das tocas quando anoitece e tudo é sono e silêncio. Mariana Ianelli escreve de forma poética e Odilon Moraes ilustra com maestria o suspense e o medo que os tais bichos da noite podem despertar nos moradores da casa. Realidade e o sonho se misturam nas imagens que sugerem e insinuam o perigo que ronda uma casa ao anoitecer. Com seu traço clássico e marcante e sua aquarela com poucos toques de cor, Odilon retrata a monstruosidade que estes seres podem adquirir quando a luz da casa se apaga e a imaginação assume o comando. Sob a luz do luar, os bichos da noite brilham e saem para passear. A menina da casa tem pesadelos, mas desperta em seu quarto cercada de cuidados e de amor. E todo aquele medo que sentia volta pra toca junto dos bichos da noite.


MANU E MILA
Ilustrações de André Neves
Brinque-Book – 2018
Resenha de Marilia Pirillo

Em um belo dia de sol com céu anil e nuvens branquinhas, Manu e Mila decidem procurar pela alegria. Será que ela está naquele jardim florido? Manu duvida: o mundo é tão grande, a alegria pode estar em qualquer lugar! Mila acha que a alegria pode estar escondida nas pequenas coisas, até embaixo de uma pedra ou de uma folha. Já Manu acha que ela deve estar escondida entre as coisas grandes, em um mar, em uma montanha ou numa grande cidade. Manu e Mila são bem diferentes e discordam em muitas coisa, mas combinam perfeitamente nas suas brincadeiras. Através das delicadas e poéticas imagens de André Neves, nós, leitores, embarcamos junto com as crianças Manu e Mila nessa busca. Com sensibilidade e atenção a gente pode perceber que a alegria não está assim tão longe nem tão escondida. A alegria pode estar bem ao nosso lado ou, ainda, dentro de nós.


TALVEZ EU SEJA UM ELEFANTE
Ilustrações  de Jean-Claude Alphen  
Melhoramentos – 2017
Resenha de Leo Cunha

Jean Claude teve um ano precioso, com vários lançamentos que poderiam figurar entre os finalistas do Prêmio AEILIJ, como "Pinóquia"e "O patinho matemático". A opção do júri foi pelo inusitado "Talvez eu seja um elefante", com a jornada irônica e nonsense de um coelho magrelo e orelhudo em busca de sua identidade. O personagem é quase um patinho feio às avessas, pois se encaixa perfeitamente (ou acha que sim...) em todo lugar. Ele se convence de que é um urso, depois pensa que é uma raposa, um elefante, etc. A ilustração quase minimalista, que contrapõe muitos brancos a uns poucos traços e manchas de cor, ressalta os contrastes apresentados pela narrativa textual.


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Os jurados do Prêmio AEILIJ 2018:

Marilia Pirillo é gaúcha de Porto Alegre, mas vive há quinze anos no Rio de Janeiro.
Estudou artes plásticas, mas formou-se em Publicidade e Propaganda pela PUC/RS.
Iniciou a carreira trabalhando com projeto gráfico, editoração e ilustração publicitária e editorial.
Em 1995 ilustrou seus primeiros livros de literatura e hoje, tem mais de 60 títulos publicados com suas ilustrações.
Em 2004, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde vive e passou a se dedicar exclusivamente à criação de textos e imagens para livros voltados às crianças e aos jovens leitores.
Participou de oficinas de criação literária, estudou pintura, aquarela, acrílica e, em 2007, fez dois cursos de aperfeiçoamento em ilustração infantil em Sármede, na Itália.
Tem doze títulos publicados como escritora.
Para saber mais  visite: www.mariliapirillo.com

Luiz Antonio Aguiar é escritor, aquariano, rubro-negro e carioca. Publicou seu primeiro livro, "Tristão, as aventuras de um menino da cidade grande", em 1985. Ganhou prêmios no Brasil e no exterior, inclusive 2 Jabutis: em 1994, com "Confidências de um pai pedindo arrego", e em 2013, com "Os anjos contam histórias". É roteirista de histórias em quadrinhos, com histórias originais e adaptações de clássicos da Literatura. Fez mestrado em Literatura, na PUC-RJ, que concluiu com uma dissertação sobre Leitura Literária na Cultura de Massas - que hoje chamaríamos de Cultura Pop. Aliás, esse é um dos seus principais focos de interesse: os clássicos da Literatura e sua influência decisiva na Literatura Pop, como acontece em gêneros como Terror, Fantasia, Aventura, Suspense e Mistério. Dá aulas de Literatura para professores e bibliotecários em cima desses temas e corre o Brasil com palestras sobre Literatura na Vida da Gente, Literatura que dá Gosto de Ler e com oficinas de Criação Literária. Presta consultoria e redige textos (inclusive livros) para editoras, produtoras e empresas, por meio da empresa: VEIO LIBRI PRODUÇÕES LITERÁRIAS. 

Leo Cunha formou-se em Jornalismo (1991) e em Publicidade e Propaganda (1993), pela PUC-MG, e escreveu mais de 60 livros, entre literatura infantil e juvenil,  crônicas e poesia.
É Mestre em Ciência da Informação - UFMG (1999) e Doutor em Artes pela Escola de Belas Artes - UFMG (2011).
Seus livros receberam diversos prêmios no campo da literatura infantil e juvenil, entre os quais: João-de-Barro, Jabuti, Nestlé, FNLIJ, Biblioteca Nacional, Adolfo Aizen, Concurso Nacional de Histórias Infantis do Paraná.
Escreveu 3 peças de teatro infantil: "O que você vai ser quando crescer?" (que estreou em BH em 2016), "Ëm boca fechada não entra estrela"  (Porto Alegre, 2017) e "O Reino Adormecido" (Petrópolis, 2018).
É professor universitário desde 1997, na PUC-Minas (pós-graduação) e no UniBH, onde também edita a revista Única.
Teve uma coluna sobre literatura infantil na revista "Canguru", de 2015 a 2018.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Querid_s ilustrador_s! 

Chegou o momento de organizarmos a próxima exposição "Cores e formas". Serão 15 trabalhos !
Interessad_s em receber outras informações por favor mandar e-mail para felipe.frcampos@gmail.com 
E quem quiser conhecer as outras edições da exposição, é só acessar http://aeilij.org.br/exposicao



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

RJ: Nova Associada: Cristina Pezel

CRISTINA PEZEL

1) Fale um pouco sobre o começo do seu trabalho com LIJ.
Iniciei minha carreira literária em 2013, escrevendo vários contos e poesias que foram premiados e publicados em antologias de concursos literários por todo o Brasil, como Prêmio Cataratas, Prêmio SESC de Poesias Carlos Drummond de Andrade – Distrito Federal, Primeiro Prêmio Miró de Literatura de Florianópolis, Prêmio Barriguda / Concurso Literário de Contos – FEMUP Paranavaí, dentre outros. Em 2016 meu original "O Mistério da Trave" foi selecionado para publicação pela editora Bambolê (2017), e meu livro de fantasia juvenil O MUNDO DE QUATUORIAN foi publicado pela editora Mundo Uno (2017 e 2018). Desde então tenho participado de vários eventos em bibliotecas, escolas, ou feiras literárias e eventos como GGRF e CCXP.

2) Três livros seus para quem não te conhece.
O MISTÉRIO DA TRAVE: O pai de Diego coleciona moedas desde menino, mas o filho não tem interesse em dividir seu hobby. Contudo, Diego terá outra chance de conhecer a história desses pequenos metais, pois a trave do campinho de futebol é um portal que o transportará para o passado, no ano de 1994, onde conhecerá seu pai ainda garoto. Esse encontro inusitado fará com que Diego passe a enxergar o pai com mais admiração. Quando está prestes a voltar para casa, nova confusão o leva para o ano de 1974.
O MUNDO DE QUATUORIAN 1 - Uma revelação ocorrida há mil cento e onze anos pode ser a chave para impedir a deflagração do destino de Quatuorian. O segredo está guardado num templo deste mundo fantástico até um momento futuro em que a profecia anuncia o retorno do Imperador milenar.
O MUNDO DE QUATUORIAN 2 - Um Império é tomado por meios escusos. Todas as províncias e vilarejos sofrem com a decadência de Quatuorian e as vis mudanças implementadas pelo dominador.

A situação em Quatuorian torna-se ainda mais difícil com ataques de criaturas sombrias evocadas por um poder maligno. Algo maior está por acontecer, e somente Julenis, Teriva, Vinich poderão impedir esse destino, com a ajuda do Imperador lendário que precisa ser trazido ao tempo presente. Reviravoltas e surpresas aguardam o leitor no desfecho desta aventura original  repleta de ação e magia: um universo rico e profundo que convida a mergulhar e viver no fantástico Mundo de Quatuorian.
  
3) Quais os seus planos para os próximos cinco anos?
Tem mais uma fantasia juvenil em revisão, com perspectiva de publicação em 2019 ou 2020, e duas Graphic Novels para o público juvenil e adulto, também na temática fantástica. Depois disso, pretendo retomar O MUNDO DE QUATUORIAN para mais uma história nesse mundo, com alguns dos personagens da história anterior.

Mais informações em 
www.cristinapezel.com.br

Foto: Arquivo pessoal

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

SC: Nova Associada: Neida Rocha

NEIDA ROCHA

1) Fale um pouco sobre o começo do seu trabalho com LIJ.
Minha carreira literária iniciou em 1981, quando, morando em Blumenau/SC, mandei para o Jornal Correio do Povo de Porto Alegre/RS, o poema “Páscoa” em homenagem ao meu irmão falecido, aos 20 anos na Páscoa de 1973. Aos 45, casada e com dois filhos, retornei aos estudos para fazer Letras, pois queria conhecer a parte teórica do que eu fazia (escrevia). Durante o estágio, percebi que os alunos levavam muito peso em suas mochilas escolares e foi quando surgiu a ideia do primeiro livro infantil “Danilo, sua Mochila e seus Amigos”. Concluí a Graduação de Letras Português/Inglês aos 50 anos e a Especialização com 53 anos. Sou uma escritora eclética, mas estou me aperfeiçoando na Literatura Infantil, pois temos que ter ações que incentivem a leitura de forma lúdica.


2) Três livros seus para quem não te conhece.
1) “DANILO, SUA MOCHILA E SEUS AMIGOS” narra a história de um menino de 11 anos que ao dirigir-se para a escola, cai e vive uma aventura com seu material escolar: Dr. Rabisco (lapiseira), Pintadinhos (lápis de cor), Borralheira (borracha) e outros.
Esse livro, além de tratar da questão do peso da mochila escolar, faz uma analogia com a nossa bagagem emocional e os sentimentos desnecessários que carregamos em nosso coração.
Também tem em e-book (Português/Espanhol, Português/Inglês e Português/Alemão).
Nas visitas que faço em escolas e grupos, levo o boneco Danilo (1,70cm) para alegrar as crianças e adultos.
2) “PLANTANDO COM AMOR” narra a história de uma planta que vive na janela de um apartamento. A família se muda, esquece o vaso para trás e a menina depois volta para buscá-la.
Esse livro trata de nossas dificuldades em aceitar as mudanças em nossas vidas e a resistência em sair de nossa zona de conforto, pois mesmo não gostando da situação, nos acostumamos com ela.
3) “SONHOS DE UM VAGA-LUME” narra a história de um vaga-lume que se apaixona por uma lâmpada pisca-pisca de Natal.
Esse livro apresenta uma analogia com nossa vida, quando colocamos o foco nas coisas que dão resultados diferentes do que imaginamos e nos esquecemos de apreciar as coisas boas que estão a nossa frente. Também tem a versão “SONHOS DE UM VAGA-LUME” para colorir.
  
3) Quais os seus planos para os próximos cinco anos?
Bem, estou com 65 anos e em cinco anos estarei com 70. Meu plano, em primeiro lugar, é continuar com saúde e com a mesma energia que tenho hoje.
Sou aquariana e movida a projetos. Criei com a amiga e escritora Andréa Gustmann, a Câmara Literária de Pomerode – CliP Mulher. Atualmente estamos trabalhando em quatro coletâneas em nível nacional e a Antologia “Fantasias”, de Literatura Infantil.
Faço contação de histórias e oficinas literárias.
Tenho muitos projetos de livros para publicar, entre eles, a saga do menino Danilo que se vê em outras situações, sendo cada aventura um livro. Estou na fase final de um romance que será publicado na forma de uma “dobradinha” com minha autobiografia: “Animus/Anima – a Dualidade do Ser”.

Mais informações em 
http://www.neidarocha.com.br/

Foto: Arquivo pessoal

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

BR: Anuário AEILIJ 2019


O Anuário 2019 da AEILIJ já está disponível para consultas!

Conheça os livros lançados pelos autores associados em 2018 e leia a entrevista com o ganhador do Prêmio Barco a Vapor, João Paulo Hergesel. Reveja os livros finalistas do I Prêmio AEILIJ e leia as resenhas das três obras agraciadas com os selos das borboletas. Saiba quem são os associados da AEILIJ que foram agraciados com os selos da Cátedra UNESCO/PUC-Rio. Fique por dentro do que foi realizado pela Associação ao longo do ano passado.

O Anuário 2019 da AEILIJ é uma excelente ferramenta de pesquisa para professores, jornalistas, leitores e profissionais ligados à cultura. Aqui estão os trabalhos de alguns dos mais importantes escritores e ilustradores de literatura infantojuvenil do país.

Divulguem para os jornais, revistas, sites, blogs e afins!

Para folhear em formato de revista no Issuu:
http://issuu.com/aeilij/docs/2019_anuario_aeilij

Para fazer o download em pdf:
http://www.aeilij.org.br/_artigos/2019_anuario_aeilij.pdf

Para conhecer as outras publicações da AEILIJ:
https://issuu.com/aeilij

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

SC: Nova associada: Elizabeth Fontes

ELIZABETH FONTES

1) Fale um pouco sobre o começo do seu trabalho com LIJ.
Sempre fui apaixonada pelos livros e pela leitura. Pelas crianças, também. Meu trabalho com literatura infantil juvenil começou pela música, pois fui educadora musical por muitos anos. Neste convívio com as crianças nas aulas de musicalização, era comum eu também ler e contar histórias para introduzir os conceitos musicais, ou mesmo, utilizar canções e sonoplastias para enriquecer o contexto literário. Foi assim que comecei a ser “escritora e compositora”, escrever poesias infantis que depois eram musicadas e viravam canções que cantávamos em nossas aulas. Da inspiração literária do “Sítio do Pica Pau Amarelo” de Monteiro Lobato à inspiração musical da “Arca de Noé” de Vinícius de Moraes, este exercício de escrever poemas que viravam músicas para crianças me acompanhou desde sempre. Livros, poesias, histórias e canções também fizeram parte da minha vida familiar e anos depois, com a chegada das minhas filhas, no exercício prazeroso de ser mãe, de ler e cantar para elas. Durante muitos anos fui colecionando textos e canções numa gaveta. Fiz poesia e música para as filhas, para as sobrinhas e um monte mais, para outras crianças. Para bichos, flores, festas e gentes...  Só muito tempo depois, as meninas já estavam adultas, é que nasceram os primeiros contos infantis e juvenis, nos livros que foram publicados em 2013 e 2014.

2) Três livros seus para quem não te conhece.
Quando morei na Colômbia, entre 2008 e 2013, trabalhei como voluntária em projetos sociais de uma ONG Brasileira em Bogotá, chamada Fundação Aquarela, que assiste crianças portadoras de câncer ou em risco social. Do trabalho que realizei como arte terapeuta, surgiu meu primeiro livro para as crianças, o “História de uma Aquarela”. O livro bilíngue, português-espanhol, foi publicado em Bogotá em 2013 pela Editora Panamericana. O texto fala sobre as mudanças que acontecem na vida das pessoas e como elas se sentem ao ter que deixar seu país de origem e ir para outros lugares. Traz o tema da adaptação a uma nova cultura, o como lidar com os sentimentos de perda e a questão do trabalho humanitário como meio de envolvimento social para a superação da saudade. O livro, todo feito em aquarelas, foi ilustrado por Malu Rodrigues.
Em 2014, de volta ao Brasil, publiquei “Sobre os Jardins” (Editora Univille), texto poético sobre a vida e os valores humanos, baseado na metáfora dos elementos de um jardim. O livro, também ilustrado por Malu Rodrigues, traz a riqueza de conteúdos filosóficos que as crianças podem experimentar em contato com as flores, plantas, pedras, insetos, num convite à contemplação e ao diálogo entre imagens e palavras. Borboletas conduzem o fio da leitura. Paciência e perseverança são algumas das sabedorias a serem redescobertas nesta prática de observar profundamente, mais que com os olhos de ver, com os olhos de sentir.  O livro teve sua segunda edição atualizada em 2018.
  
3) Quais os seus planos para os próximos cinco anos?
Muitos! Quero continuar mergulhada no universo infantil juvenil. Escrever contos, compor músicas e poesias para as crianças. Cantar e contar histórias. Ler muito e aprender mais. No próximo ano pretendo publicar meu livro de poesias e canções infantis, que está em fase de ilustração. Quero continuar meu projeto de compor trilhas sonoras para livros infantis e lançar o “Sarauzinho para crianças”, projeto literário de contação de historias, poesia e músicas interpretadas por crianças. Nos próximos anos, além de publicar livros de literatura infantil juvenil, pretendo participar de concursos. Quero ainda gravar um CD com músicas infantis de minha autoria e publicar um livro de partituras.

Mais informações em 
https://www.facebook.com/beth.fontes1 
https://www.aletradarte.com/post-unico/2018/05/03/Artistas-de-Joinville

Foto: Gustavo de Francisco

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

BR: Carta de colaboração entre as entidades CBL, FNLIJ e AEILIJ


Os acontecimentos envolvendo a premiação do Jabuti desse ano motivaram a criação de um documento de colaboração entre a CBL, a FNLIJ e a AEILIJ. As entidades reconhecem que é importante salvaguardar as instituições, fortalecendo seus laços e compromissos com a literatura e com o público leitor. Só assim, com o apoio de todos, conseguiremos enfrentar os anos que virão.

A AEILIJ entrou em contato com a CBL e ambas convidaram a FNLIJ à mesa, para conversar sobre as mudanças no importante Prêmio Jabuti. Foram três reuniões presenciais, duas no Rio e uma em São Paulo, durante a Bienal, além de diversos e-mails e telefonemas, para chegarmos à carta que segue.

A AEILIJ reafirma, com isso, seu compromisso em defender a literatura infantil e juvenil, e agradece à FNLIJ pela parceria, e à CBL pela recepção, tendo esta se mostrado, desde o nosso primeiro contato, aberta ao diálogo.

***

Prêmio Jabuti: Carta de colaboração das entidades do livro com sugestões para a valorização da literatura destinada ao público infantil e juvenil.

            No dia 10 de agosto de 2018, em São Paulo, os presidentes da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Luís Antonio Torelli, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), Wander Soares, da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), Alexandre de Castro Gomes, e a diretora executiva da CBL, Fernanda Gomes Garcia, reuniram-se com o objetivo de formalizar o recebimento da proposta de mudanças a serem apresentadas à futura curadoria do Prêmio Jabuti com o intuito de valorizar a Literatura Infantil e Juvenil.

            Segundo o presidente da AEILIJ, a Literatura Infantil e a Literatura Juvenil destinam-se a públicos distintos e, por isso, não podem ser agrupadas em uma mesma categoria. Assim como a Literatura Adulta, a Infantil e a Juvenil podem se apresentar em diferentes formas, como conto, poesia, romance, novela e outros. Embora a Literatura Infantil, a Juvenil e a Adulta se dividam entre os mesmos gêneros e formas, há diferenças entre os estilos, o que justifica premiações em separado. Entendendo que ficaria inviável premiar cada forma da Literatura Infantil e Juvenil, foi trazida a sugestão de agraciar novamente as duas categorias, Infantil e Juvenil separadas, além de três elementos essenciais da LIJ: texto, conjunto de ilustrações e projeto gráfico. As cinco premiações contribuiriam para valorizar a Literatura Infantil e a Literatura Juvenil, tão desprestigiadas nos últimos anos no Brasil.

            A proposta visa ressaltar a importância da Literatura Infantil e Juvenil, que, na maioria das vezes, é a porta de entrada para a descoberta do livro, para que o indivíduo se torne leitor e para a formação das pessoas como cidadãos críticos e conscientes do seu papel social. Quem teve a oportunidade de acessar o livro na infância, tenha sido estimulado dentro de casa ou na escola, em algum momento, pode abandonar a leitura. Porém, depois de um período em que o gosto de ler divide a atenção com outros interesses, acaba por reencontrá-lo na fase adulta. Este reencontro só será possível se previamente tiver acontecido a apresentação ao livro, papel desempenhado pela Literatura Infantil e pela Literatura Juvenil. Estas, em conjunto, possuem participação por volta de 25% a 30% do mercado, segundo as estatísticas mais conservadoras, podendo ser ainda mais representativa. 

            Feita esta introdução, foi sugerido pelo presidente da AEILIJ, Alexandre de Castro Gomes, que a próxima curadoria do Prêmio Jabuti avalie e contemple as seguintes categorias relativas à Literatura Infantil e à Literatura Juvenil:
• Premiação de Melhor Livro de Literatura Infantil - Solicita-se o retorno da categoria Infantil, mantendo-se os critérios adotados até então, porém, contemplando o escritor e o ilustrador na premiação. Sabemos da importância da narrativa visual para o livro infantil. Portanto justifica-se premiar os autores de texto e de imagem. Pode ganhar esse prêmio de melhor livro infantil um livro só de imagem, com um ótimo projeto gráfico.
• Premiação de Melhor Livro de Literatura Juvenil - A Literatura Juvenil também é merecedora de uma categoria própria. O livro para jovem tem a ver com a complexidade da temática. A imagem pode ser importante aqui também. Se pegarmos o livro “Psique”, da Ângela Lago, editora RHJ, as ilustrações são fundamentais e ele não é um livro infantil. Na Literatura Juvenil, o autor pode desafiar o leitor por meio do enredo central, como é feito na literatura infantil, mas pode construir outros enredos paralelos, complexificando tanto a história como a estrutura dos personagens. Os autores do livro podem buscar um estilo mais rebuscado na forma de contar a história já que se pressupõe que este leitor terá um repertório mais amplo, além da capacidade de ler narrativas mais longas e complexas. A diferença para a Literatura Adulta ocorre porque o grau de exigência deste leitor é bem maior já que sua experiência de vida poderá permitir que ele reflita sobre temas e enredos que o jovem e a criança pouco usufruiriam por não poderem se projetar ou fazer o simulacro das situações vividas pelos personagens.

            Além do retorno das categorias supracitadas, foi registrada a sugestão de que sejam criadas três premiações dedicadas aos elementos essenciais à Literatura Infantil e Juvenil:
• Melhor Projeto Gráfico de LIJ - Utilizando como exemplo, vejam-se os projetos gráficos de “Flicts”, de Ziraldo e “Haicobra”, de Fabio Maciel e Marcio Sno. O projeto gráfico é uma linguagem que colabora com a história por meio de recursos como formato, recortes, cores, relevos, fonte, espaçamento, layout, áreas de respiro, entre outros elementos que compõem a narrativa e justificam a apreciação diferenciada do projeto gráfico.
 • Melhor Conjunto de Ilustrações de LIJ – A proposta de premiar o conjunto de ilustrações é reconhecer que a ilustração não está em função do texto, mas em diálogo com a obra. Nesta categoria, não se premia o livro como um todo, como nas categorias Livro Infantil e Livro Juvenil. O propósito é reconhecer especificamente a qualidade da narrativa visual.
• Melhor Texto de Literatura Infantil - A proposta é premiar a melhor narrativa textual, independente da ilustração e do projeto gráfico. Não se premia o livro como um todo, como nas categorias Livro Infantil e Livro Juvenil, mas, especificamente, a qualidade da narrativa escrita.

            Finalizando, o presidente da AEILIJ sugeriu que para as categorias dedicadas à análise da Literatura Infantil e da Literatura Juvenil, seja retomado o envio de exemplares físicos das obras na inscrição.

            Os presidentes, entendendo a importância  destas sugestões, acordaram que o presidente da CBL, Luís Antonio Torelli, e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), Wander Soares - que desempenha a função de coordenador da Comissão do Prêmio Jabuti na CBL - serão portadores destas sugestões à próxima diretoria da CBL, responsável por convidar a próxima curadoria do Prêmio Jabuti.


Atenciosamente,
                                                                 
Luis Antonio Torelli                                                                   
Presidente - Câmara Brasileira do Livro

Wander Soares
Coordenador da Comissão do Prêmio Jabuti e Presidente da FNLIJ

Alexandre de Castro Gomes
Presidente da AEILIJ

http://www.aeilij.org.br/_artigos/carta_cooperacao_entidades_jabuti.pdf