terça-feira, 17 de maio de 2011

RS: Lançamento de Diáfana, de Celso Sisto

SISTO, Celso. Diáfana. Ilustrações de Rebeca Luciani. São Paulo, Scipione, 2010. 32 páginas.

Sinopse: "Danila costumava colecionar as palavras que achava bonitas. Certo dia, ao ouvir uma conversa entre sua mãe e sua tia, fica encantada com “diáfana”. Mas por trás dessa bela palavra, a garota percebe que o passado escondia alguns segredos. Intrigada, ela resolve investigar e acaba descobrindo a comovente história de uma amizade".

Postado por H 

SP: Mensagem - Eu, a janela e a chuva

Eu, a janela e a chuva 

Finalmente o dia amanheceu nublado, preguiçosamente cinza. Coloquei as cachorras para fora, antes que a grama molhada as impedisse da voltinha matinal. Alimentei os gatos e fui à sacada ver do alto o que estava acontecendo na praça do outro lado da rua. Os marrecos gritavam uns com os outros desesperadamente: “Corram, corram, a chuva vai chegar logo, precisamos encontrar um abrigo seco e seguro”. E, em segundos, desapareceram pelos túneis verdes de arbustos empoeirados, que estalavam ansiosos. 

Abaixo, no meu jardim, contemplei mais uma vez – como tenho feito há dias – o pássaro bicudo e alaranjado que está florescendo: a linda estrelícia que, vagarosamente, desperta em seu ninho de folhas verde-azuladas. Quando as primeiras gotas caíram de uma nuvem faceira, que não conseguiu esperar pelas amigas, eu vi a estrelícia abrir o bico e saborear o puro líquido do regador celestial. Acho que Ele nos presenteou com flores para sempre lembrarmos que temos alma, que existe muito mais importância nas Suas coisas do que nas que criamos. 

Entro no meu quarto, e por que não, como se adolescente fosse, volto a deitar-me, mas antes abro a janela e convido a paisagem a invadir meu dia como se fosse um quadro moldurado em madeira. Vejo a palmeira comprida por onde escorre a água da chuva, agora muito mais forte, e escuto a música torrencial que acusticamente me isola do mundo, transformando as paredes da casa em braços de mãe que me protegem. 

Eu amo a chuva. Quando chove, os vizinhos param de gritar, os cachorros não latem, telefones não tocam e os jardineiros desligam os cortadores de grama. Pausa. Aproveito o momento de solidão para esquecer-me dos afazeres e das preocupações. Nada mais existe além de mim, da janela e da chuva. A água, que purifica e acalma, tem esse poder de tirar todas as minhas dores. O sopro do vento conduz as folhas que marcham pela rua como numa manhã de sete de setembro. Com suas mãos, o vento lava os pés do mundo, em total humildade. O sol hoje está descansando no colo de outros povos, que o veneram depois de muitas águas.

Aqui, o ar úmido entra em nosso corpo, levando uma sensação de bem-estar aos pulmões tão cansados dessa seca recente. Água. Bendita água! 

Aos poucos, a chuva cessa, e a paisagem refrescada continua a sorrir. Escuto, agora, não mais a água escorrendo pelos muros invisíveis do meu mundo, mas carros que passam vez ou outra, um vizinho caminhando com o netinho que gargalha ao pular as poças no meio-fio e os pássaros a cantar. Um canto de celebração. Eles também são gratos por esse dia molhado, um oásis no meio da semana seca.

Simone Pedersen

sábado, 14 de maio de 2011

SP: Canto & Encanto da Poesia - Maio de 2011

Hoje quero fazer uma homenagem a um artista maravilhoso, antes de tudo, um poeta.
Trata-se de Chico Buarque de Hollanda. Entre muitos outros poemas, escolhi esta letra de música, composta em 1986 para suas filhas.
Um abraço,
Regina Sormani

As minhas meninas
Chico Buarque

Olha as minhas meninas
As minhas meninas
Pra onde é que elas vão
Se já saem sozinhas
As notas da minha canção
Vão as minhas meninas
Levando destinos
Tão iluminados de sim
Passam por mim
E embaraçam as linhas
Da minha mão

As meninas são minhas
Só minhas na minha ilusão
Na canção cristalina
Da mina da imaginação
Pode o tempo
Marcar seus caminhos
Nas faces
Com as linhas
Das noites de não
E a solidão
Maltratar as meninas
As minhas não

As meninas são minhas
Só minhas
As minhas meninas
Do meu coração

quinta-feira, 12 de maio de 2011

PR: Synthomas da Poesia na Infância


LANÇAMENTO:
Synthomas da Poesia na Infância
Gloria Kirinus
Sábado 21 de maio a partir das 10hs da manhã
Livraria Paulinas
Voluntários da Pátria, 223

Postado há 12th May 2011 por Márcia Széliga

PR:O anjo rouco


Lançamento do livro O Anjo Rouco do escritor Paulo Venturelli, Editora Positivo, no Paço da Liberdade no centro da cidade. Curitiba/PR, 07/05/2011./ Foto: Rodolfo BUHRER / La Imagem.

Postado há 12th May 2011 por Márcia Széliga

terça-feira, 10 de maio de 2011

RS: PELL - Plano Estadual do Livro e Leitura

Ontem, no Instituto Estadual do Livro em Porto Alegre, juntamente com Jéferson Assumção - secretário adjunto da Cultura de Estado - e Ricardo Silvestrin - Diretor do IEL, iniciaram-se os debates para formulação do PELL (Plano Estadual do Livro e Leitura). Estávamos lá, representando a Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil.

O canal de diálogo foi aberto entre sociedade civil e poder público, além da aproximação dos setores da economia, produção e criação do livro para formular um plano de políticas consistentes ao redor de promoção e qualificação de leituras e leitores.

Está formando-se o GT. Muito trabalho pela frente!

Postado por H 

domingo, 8 de maio de 2011

SP: Quem conta um conto... - Regina Sormani

Histórias da minha mãe


Minha mãe se chamava Marina e com ela aprendi a gostar de ouvir e de contar histórias. Antes do sol nascer, ela se levantava para acender nosso fogão de lenha e preparar o café da manhã para a família. Lá do meu quarto, assim que ouvia o barulho das panelas, eu pulava da cama e corria para a cozinha e me sentava à beira do fogão. Daí, ela abanava as cinzas para a lenha arder mais depressa, as chamas aumentarem de força e tamanho e, assim, ferver a água. Enquanto a água fervia na grande chaleira de ferro, era chegado meu momento favorito: a hora de ouvir histórias.
Lembro-me de uma, em particular que ela contou várias vezes a meu pedido.
Meus avós maternos imigrantes italianos adquiriram, chegando ao Brasil uma propriedade rural na cidade de Agudos, interior do estado de São Paulo. Nesse local, que veio a ser chamado Colônia Italiana, construíram suas moradias, cultivaram o solo e iniciaram a criação de animais, para ordenha, que ficavam soltos nos pastos.
Meu avô, Fortunato Andreotti, cuidava da propriedade auxiliado pelos filhos mais velhos, como era o costume. Certa tarde, chovia muito e ele voltou pra casa exausto da lida que começava às cinco da madrugada. Minha avó, Marieta, fazia os preparativos para o jantar, ajudada pelas filhas mais velhas, como era o costume. Ali, da porta da entrada, ouviam-se os gritos do filho caçula, o pequeno Hélio.
Meu avô perguntou então:
— O que tem o bambino?
Minha avó respondeu:
— Está chorando há horas, ele quer sair para brincar lá fora, mas chove sem parar...
Fortunato Andreotti era um homem bom que amava sua família e tinha um xodó pelo caçulinha Hélio. Aproximou-se do pequeno chorão e, enxugando as lágrimas que escorriam pelo rosto do menino conversou com ele. Hélio acabou desabafando:
— Pai, eu quero ir ver as vaquinhas no pasto!
E lá foi o Hélio, no colo do paizão, debaixo de um forte aguaceiro, passear no pasto para ver as vaquinhas. Para protegê-los, apenas um velho guarda-chuvas.
É, mas a história não terminou ali, debaixo da chuva. 
Minha mãe que estava lá, viu e viveu tudo isso, contou que o irmão caçula gostou tanto do passeio que não deu mais folga. Durante muito tempo, mesmo nas tardes de tempo firme, lá ia o pai dela, meu avô Fortunato, com o Hélio no colo, ver as vaquinhas no pasto...com o guarda-chuvas aberto.

Um beijo e FELIZ DIA DAS MÃES!

Regina Sormani


Um comentário:

Anônimo8 de maio de 2011 07:44
Só voce , minha irmã caçula sabe contar as histórias da mamãe tão bem ..sabe eu choro de saudades obrigada bjs e salve voce a mãe querida De Daniel e Raquel bjs

quinta-feira, 5 de maio de 2011

RS: Sagas Estranho Oeste Vol. 2 - Convite do Christian David

Amigos,

Segue convite para o lançamento do livro Estranho Oeste do qual sou co-autor.
Aguardo vocês lá!

Postado por H 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

SP: Vice-Versa de maio 2011

Olá pessoal!
O Vice-Versa de maio apresenta os ilustradores Daniel Bueno(SIB e AEILIJ) e Gilberto Marchi.(SIB) Obrigado, meninos. Parabéns pelo belo trabalho.
Um grande abraço,
Regina Sormani


Daniel Bueno

Gilberto Marchi


Perguntas de Daniel Bueno para Gilberto Marchi

1) Marchi, como foi seu começo de carreira? Como era o mercado de ilustração? 

Comecei minha carreira como pintor de quadros para a Galeria de Arte André em 1964. Nessa época eu era aluno do Lubra, (o nome dele era José Roncoletto), e certo dia apareceu um dos vendedores do André, para retirar uns quadros e perguntou se havia algum bom aluno. Fui indicado e assim comecei a vender minhas telas. Lecionei durante 7 anos na EPA- Escola Panamericana de Arte a convite de Mario Tabarin. Comecei a trabalhar com ilustração por indicação de Manoel Victor Filho e posteriormente iniciei com a revista Realidade, ilustrando o tema da Revolução dos Cravos em Portugal. Nessa época o mercado ( anos 70 e 80), era ótimo. Choviam trabalhos e o preço era bom.

2) Admiro o domínio técnico que você apresenta em seus trabalhos. Você diz ter uma preferência pela aquarela. Fale um pouco sobre a escolha de cada uma. E o que acha da ilustração digital?

Minha formação é de pintor. Aprendi que seria bom aprender a composição dos materiais que iria utilizar nos meus trabalhos. Acho bom saber o que acontecerá com as artes após muitos anos, se permanecerão ou se começarão a craquelar. Me interessei em estudar como preparar as telas, fazer minhas tintas a óleo e trabalhar com tempera a ovo, (uma técnica bem antiga). Enfim, gosto de experimentar tudo e aprender a arte dos antigos mestres. Quanto à aquarela, adoro pela transparência e também pelos efeitos que os suportes( papéis diferentes) apresentam. Saber aproveitar as manchas que surgem ao acaso, mas que podem ser controladas com efeitos maravilhosos, é um dos desafios dessa técnica. É bem diferente do óleo, onde podemos controlar tudo. Gosto também muito do acrílico e do lápis de cor. Recentemente, andei fazendo várias artes com lápis Supracolor, mas não utilizando como aquarela. Misturei carvão com Supracolor, Conté com aquarela, etc.
Uso bastante a ilustração digital. Trabalho com Painter, Photoshop e Illustrator. Com Painter, trabalhei nos retratos de Ariano Suassuna, Villa Lobos e outros. Fiz também muitas embalagens, entre elas as artes para sorvetes Lafrutta. Só sou contra o uso abusivo de filtros.

3) Fiquei curioso pra saber um pouco mais sobre seus mestres: Lubra, Ettore e Amadeo Scavone. Conte um pouco sobre suas referências, os ilustradores que mais admira.

Lubra( José Roncoletto) era um bom pintor de paisagens e foi meu 1º professor. Ettore Federighi, um pintor autodidata, mas de grande talento, que se especializou em pintar naturezas-mortas. Amadeu Scavone, um grande mestre, com quem mais aprendi. Ele teve alguns alunos de grande projeção, tais como: Aldo Bonadei, Edgard Ohelmeyer e Bruno Felisberti. Minhas referências são desde grandes mestres do passado a artistas mais recentes como: no Brasil- Almeida Júnior, Marques Campão e Portinari. Na Europa, entre outros: Franz Hals, Vermeer, Rembrandt, Chardin, Cabanel, Malhoa e ilustradores como De Gasperi, Mattania, etc. Quanto aos ilustradores que mais admiro, são muitos e acho difícil enumerar todos, mas você está entre eles.. 

4) Muito bonito o retrato do escritor Francisco Marins. Gostaria que você – que trabalha para diversas áreas do mercado - falasse um pouco sobre sua experiência com ilustração de livros.

Obrigado. O escritor Francisco Marins faz parte de minha adolescência. Lia com muito entusiasmo os seus livros. Foi muito gratificante após tanto tempo, eu vir a fazer o retrato dele. Deverei também fazer uma escultura de seu busto em madeira.
Trabalhei e ainda trabalho em áreas bem diversas do mercado. Já fiz um pouco de tudo. Ilustrei para a maior parte das revistas da Abril, como: Nova, TVGuia, Veja, Homem Playboy, Quatro Rodas, etc. Ilustrei também vários livros didáticos para o IBEP, inclusive uma coleção de livros de português como co-autor. Na área infantil, ilustrei quase todos os livros de minha esposa, Regina Sormani, publicados pelas editoras Paulinas, Paulus, Loyola, Pioneira e Cortez . 
Sinto que a área infantil e infanto-juvenil está se recuperando, apresentando ilustradores muito bons, entre eles, você. Isso é alentador, pois o mercado publicitário caiu muito em quantidade e qualidade. Os quadrinhos, também são uma opção para os bons ilustradores realizarem trabalhos de qualidade para o público juvenil e adulto. Essa é também uma área na qual pretendo atuar, aliás, criamos Regina e eu, o personagem Pecezinho, que tem feito muito sucesso.

Para que quiser ver meus trabalhos:
http://gilbertomarchi.blogspot.com

Caro Daniel,
Acho muito criativos os seus trabalhos e muito boas as suas perguntas. 
Um grande abraço,
Gilberto Marchi


Perguntas de Gilberto Marchi para Daniel Bueno

1) Daniel, acho muito bom o seu trabalho como ilustrador. Você tem um trabalho muito diferenciado. Adorei as ilustrações para o livro “Apolinário, o Homem-dicionário”. Gostaria que falasse um pouco sobre esse trabalho.

Obrigado, Marchi! E que bom que gostou das ilustrações do Apolinário. Esse é o meu livro mais recente. Procurei explorar um dos aspectos mais interessantes do texto do Fabio Yabu: o universo de livros, letras e palavras. As ilustrações mostram os personagens representados como “livros abertos”, com cenários cheios de palavras em seu interior. Em outras ocasiões exploro apenas os elementos tipográficos em situações diversas e simbólicas. Há, portanto, palavras que por vezes habitam o espaço exterior e em outras situações um universo interior, expressando sentimentos e a condição do personagem. Em alguns casos esses dois mundos se fundem, se tornam um só. O próprio livro, enquanto objeto, pode ser entendido como um personagem. Cuidei do design gráfico junto com a Carol Grespan, e nossa intenção foi a de fazer algo denso e coeso, cheio de ilustrações, com todas as páginas ocupadas por texturas e elementos dos velhos dicionários.

2) Fale um pouco como você cria. Você faz um esboço a lápis inicial, ou começa já trabalhando com recortes e fazendo montagens? Suas colagens e texturas são todas montadas no Photoshop?

Sempre faço esboços a lápis antes de partir para as colagens. Elas, na verdade, dependem desses desenhos, que definem precisamente os contornos de todos os elementos. Tradicionalmente as colagens passam por um processo manual. Depois continuo o trabalho no Photoshop. Desenho os contornos de todas as figuras a lápis, em papel sulfite, e transponho-os para papel duro. Aplico sobre essas figuras as técnicas de colagem, gerando elementos soltos, como “bonequinhos de papel”. Scaneio as peças separadamente e resolvo no Photoshop a composição,contrastes, claro/escuro, cores. Quando o prazo é curto, pulo o processo manual e resolvo a finalização utilizando o material que tenho à mão, uma espécie de “banco de imagens digitais” feito a partir das ilustrações que foram se acumulando. Atualmente venho variando cada vez mais as abordagens e técnica. Dependendo do trabalho, posso apresentar um desenho a lápis ou algo vetorial.

3) A ilustração no seu site “A janela da esquina do meu primo” é muito bela. Foi premiada em Bolonha . Li no comentário sobre ela como uma homenagem explícita a Max Ernst, mas acho que também me remete a Peter Brueguel, com uma visão moderna. Você concorda?

Muito bem observado, Marchi, concordo! O texto do júri da Feira de Bolonha é bonito, e gostei da comparação, mas na verdade não pensei claramente no Max Ernst ao criar as ilustrações. De qualquer modo, sabemos que muito do que empregamos vem do acúmulo de experiências e, pode ser que, mesmo sem ter consciência, usei algo do que aprendi com os trabalhos desse grande artista. Na verdade tenhocomo referência toda a vanguarda moderna do começo do século passado, e são muitos os artistas – como os dadaístas, por exemplo – que recorrem à colagem. Agora, só de curiosidade: tenho um quadro do Max Ernst bem aqui ao meu lado, junto à mesa de trabalho. Bem, sobre o Bruegel posso dizer que pensei nele claramente, pois eletem relação com o trabalho e o texto de E.T.A. Hoffman. Pesquisei suaobra e sei que Hoffmann – que também desenhava – admirava o gênero do “grotesco” nas artes plásticas (que chega a ser esquematizado em duas categorias: o “grotesco fanstástico” de Bosch e Bruegel, e o“grotesco-cômico” de Hogarth, Callot, Goya). Hoffmann admirava especialmente os gravuristas Hogarth, Daniel Chodowiecki e JascquesCallot. O texto da “Janela” anuncia uma caminhada em direção realismo, e a descrição – com doses de humor negro e observação dos costumes– de inúmeros personagens em um mercado vistos de uma janela, sugere uma construção de cena como as de Bruegel. Na história há um movimento de distanciamento e aproximação do que é observado que me levou a resolver as ilustrações em um único e grande desenho do mercado, que traz todas as situações do texto. Em alguns momentos temos uma visão à distância, e em outros “recortes” dessa imagem, com ênfase nos detalhes. O processo de criação envolveu pesquisa de costumes, arquitetura e vestuário da Berlin de 1822. Para tanto recorri à biblioteca do Instituo Goethe. A colagem foi totalmente digital, misturando os elementos pesquisados com fotos de revistas antigas.

4) Agora, falando sobre o mercado de trabalho. Você está contente como está, ou tem alguma queixa. Não tem tido problemas com os direitos autorais? Bote a boca no trombone! Obrigado e um abraço.

Marchi, sabemos que não é difícil nos deparamos com contratos abusivos no meio editorial de revistas. Só pego trabalhos com contratos adequadamente negociados, mas é cansativo lutar diariamente por eles. A saída é fazer como você, trabalhar para diversas áreas. Com os livros tem sido diferente. Não posso reclamar, de modo geral, dos contratos que fiz com as editoras. Alguns servem até de referência. Sei das limitações do meio, da realidade de vendas baixas no mercado brasileiro, mas tenho mesmo assim negociado bem os trabalhos. E é raro não conseguir alguma porcentagem de direito autoral. Poderiam ser maiores, claro. Mas pela experiência que tive no ano passado, vejo essa área com grande otimismo. E tenho até a vontade de começar a criar toda a concepção do livro, integrando projeto gráfico – algo que já comecei a fazer – com as ilustrações e o texto. Enfim, tenho um especial interesse por livros, por adorar o formato e o suporte, e as diversas possibilidades de experimentação.


Um comentário:

Danilo4 de maio de 2011 05:46
Parabéns ao Marchi e ao Daniel pelas experiências, histórias e lições!!!

domingo, 1 de maio de 2011

SP: Pé de meia literário (18)

PROJETO LITERATURA VIVA (SESI)

Participei recentemente da última edição do Projeto Literatura Viva, do SESI, modalidade literatura infantil e juvenil. Como autor de livros de literatura infantil e juvenil e livros paradidáticos lidos por crianças e jovens das unidades escolares do SESI, lá fui eu ao encontro dos meus leitores presentes, passados e futuros, em quatro unidades diferentes, em quatro cidades. O que eu encontrei não foi surpresa nenhuma, pois conheço o trabalho do pessoal do SESI nas visitas que tenho feito respondendo a outros convites: trabalho bem feito, organizado, gostoso, de resultado positivo para todos os envolvidos. Primeiro, cabe o registro sobre a recepção ao convidado: na portaria já sabem que um convidado está sendo esperado. Do diretor geral do CAT (Centro de Atividades) ao estagiário, passando pelos professores, pela bibliotecária e pela administradora escolar, todos os envolvidos no encontro recebem o convidado, enquanto o cenário é organizado. Uma conversar preliminar onde se fala do trabalho de cada um. Numa das unidades, fui surpreendido pelo comentário da diretora geral do CAT que me disse ter lido alguns livros meus, pois ainda não conhecia o meu trabalho como autor. Em meio a tantas atividades e tarefas – que a direção de uma superestrutura como o CAT impõe - encontrou tempo e interesse para procurar informações sobre o convidado do projeto Literatura Viva. Me senti honrado com a deferência profissional. Todas as unidades escolares têm uma ampla e espaçosa sala onde se instala a biblioteca, com mesas, cadeiras, prateleiras e... livros.

Parece elementar, mas num país de muita conversa, muito discurso de político e pouca implementação prática da leitura, isso é muito. O encontro com o autor convidado se dá biblioteca – ou num espaço mais amplo, dependendo da atividade e do número de leitores presentes. No meu caso, dois foram em bibliotecas e outros dois em espaços maiores. Os alunos são acomodados, são feitas as apresentações de praxe, abre-se uma conversa inicial seguida pelas perguntas dos leitores. Também pode parecer elementar. Mas é mais do que isso: os leitores são atentos, respeitosos, participantes, interessados e...muito educados e carinhosos. Quem conhece o ambiente escolar, como eu, que transitei por três décadas nesse ambiente, sabe que isso só é possível com um bom trabalho. Fica muito evidente que houve um bom trabalho de leitura anterior aoencontro dos leitores com o escritor.

O projeto se propõe divulgar e difundir a leitura da literatura – em suas diversas manifestações – e não deixa a menor dúvida de que consegue o seu objetivo. E consegue seu objetivo a partir de premissas básicas e fundamentais: a) existência de espaço apropriado para a leitura (bibliotecas espaçosas, arejadas e mobiliadas; b) acervos variados e c) mediação feita por profissionais. Aí estão os três componentes do tripé que garante a qualidade da leitura e formação do leitor: espaço, acervo e mediação. Parece simples. E é. No SESI, o trabalhado pensado, desejado, organizado e executado faz com que coisas simples possam parecer e ser simples. Trabalhos como esse, coordenados pelo pessoal da Divisão de Desenvolvimento Sociocultural, do SESI, nos dão certeza de que o nosso pé de meia literário caminha, aos poucos, contabilizando bons lucros.

EDSON GABRIEL GARCIA
(Escritor e Educador)

SAMPA, maio de 2011


3 comentários:

Tonton1 de maio de 2011 13:22
Parabéns pra você, Edson, pelo gostoso relato - deu vontade de, um dia, também estar lá e participar de um momento tão agradável e de tanta satisfação para um escritor. E, da mesma forma, parabenizar o SESI por mostrar que tudo isso é possível, com determinação, boa vontade e, acima de tudo, compromisso com a formação das novas gerações. Abração, da tera do frevo e do maracatu, Tonton. (vistem: lij-pe.blogspot.com)

angela leite1 de maio de 2011 13:50
Edson, ler um depoimento como este seu renova em mim as esperanças de sermos, num futuro não tão distante quanto às vezes parece, um país leitor! Parabéns e continue a nos dar notícias boas como essa! abraço grande,
Angela

Thais Linhares2 de maio de 2011 13:12
Que beleza, Edson, parabéns pra ti e pro SESI também. Que ótima jornada!