domingo, 11 de novembro de 2012

SP: A história de Heitor (8)

Capítulo VIII

O sol logo se esconderia horizonte abaixo e Heitor estava alerta aos ruídos e cheiros ao redor. A chuva expulsara os pequenos seres que vivem debaixo da terra; isso era uma festa para as aves, porque vinham comer os bichinhos, e para o lobo-guará, porque podia caçar as pequenas aves.
Filomena, – esse era o nome da onça-pintada –, estava pelas redondezas. Só quando escurecesse de uma vez ela iria atrás do seu jantar. Há algum tempo descobrira um lugar onde havia comida pronta. Vinha por aquela passagem no rio e entrava pelos grandes campos que se estendiam até bem longe. Avançava entre as hastes longas e amareladas, rastejava e espreitava, quando estava nos lugares mais ralos, sempre na direção dos humanos onde as caças que podiam matar a sua fome ficavam presas. Era uma caçada fácil, mas arriscada; os animais percebiam sua aproximação, ficavam alvoroçados e faziam barulho, pois não tinham por onde escapar. Os humanos sabiam que ela estava por perto e podiam inverter tudo. Nesse caso ela, Filomena, a onça-pintada mais bonita, mais veloz e mais valente daquela região, é que seria  Ainda assim, não foi o seu assalto, roubando os animais da fazenda que criou toda a confusão...Chegara a época da colheita e as máquinas já estavam preparadas, os homens contratados. Os humanos sabiam que havia algum animal grande nas redondezas, atacando o galinheiro. Por isso, saíram armados para o trabalho na manhã seguinte.
Atiraram logo que avistaram Filomena, que dormia refestelada com a refeição da noite. Ela saiu correndo, escapando sem ser ferida, numa carreira e numa velocidade que lhe davam muita vantagem sobre os homens. Embora não tivesse feito amizade com Heitor, quando passou por ele, antes de desaparecer na direção do rio, deu uma paradinha e se lembrou de avisar:
– Fuja, novato. Este lugar não é mais seguro para se viver. Você está em perigo!
Heitor vacilou um pouco, sem entender bem o que acontecera. Mas não demorou muito e ele sentiu um cheiro estranho, desconhecido.
Depois ouviu um barulho, como o estalo de um galho quebrando,Ouviu um tropel, depois mais outro estalo e mais outro.
– Perigo! – pensou. Isso é perigo! – avisou seu instinto.
E saiu correndo, ziguezagueando na direção que fosse o mais longe possível daquilo que parecia estar cada vez mais perto. Escapou da perseguição, mas continuou correndo por um bom tempo, mesmo depois que atravessou o braço de rio e chegou aos campos queimados.
A chuva fora pouca e não houvera tempo para renovação; não era possível encontrar abrigo ou alimento.
 Ficou rodando por ali os dois dias seguintes. Só encontrava os cupinzeiros, mas não precisava deles, porque sem o capim podia avistar até bem longe, se houvesse alguma coisa para ver, mas não havia.

Nilza Azzi - escritora associada da AEILIJ regional SP

Desenho de Davi Eliader Januário de Souza
EE Pio XII - Araxá. MG

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

RS: Vice-Versa de novembro de 2012

Neste Vice-versa de novembro, contamos com as palavras de Maíra Suertegaray e Letícia Moller.

Maíra Suertegaray é professora de Geografia, escritora e contadora de histórias. Após desenvolver oficinas e materiais pedagógicos para o ensino de Geografia, a ideia de escrever para o público infantil despertou-a para o universo de LIJ.

Letícia Moller é advogada e escritora. Embora em meio a três irmãos, encontrou o tantinho de solidão de que precisava para criar seus mundos secretos. E para ler muito.

Ao gosto pela  leitura logo se somou o gosto pela escrita. Hoje tem dois livros infantis publicados.
Uma e outra nos brindam com ricas experiências no campo da literatura infantil.

Letícia pergunta.  Maíra responde.

    
Letícia – Maíra, como surgiu o desejo de escrever para crianças? 

Maíra – O desejo surgiu a partir de duas situações que se colocaram na minha vida: ser mãe de uma menina pequena (4 anos) muito curiosa e dar aula de Geografia para crianças do 6o ano do Ensino Fundamental no Colégio de Aplicação da UFRGS. Dandara, minha filha, sempre fazia muitas perguntas sobre as coisas que via no seu cotidiano, principalmente sobre os fenômenos da natureza. Uma noite, quando eu a colocava para dormir, estávamos lendo uma história em que uma menina esticava muito os braços para alcançar o Sol. A partir desta cena começamos a criar uma outra história. Eu perguntava, Dandara respondia, e assim fomos indo. No dia seguinte, a história não saía da minha cabeça, então resolvi colocá-la no papel. 
Como professora de crianças menores (faixa etária 11-12 anos), buscava novas formas de trabalhar Geografia, formas mais lúdicas, leituras mais agradáveis com fantasia e ao mesmo tempo com conteúdo científico. Tive muita dificuldade para encontrar materiais. Foi então que estes dois caminhos se encontraram: estava ali, na minha frente, uma história repleta de elementos geográficos. A história que havia escrito com as contribuições da Dandara era uma possibilidade que se colocava para o trabalho com os pequenos. A partir daí, minha cabeça começou a fervilhar de ideias. Meus alunos fazem perguntas maravilhosas, também são minha fonte de inspiração.

Letícia – Aqui em casa, “Dandara, o Dragão e a Lua” está entre os preferidos do momento. De onde partiu a ideia para a história? A tua  formação em geografia teve influência na escolha do tema, ou foi a  Dandara que “determinou” a escolha? Como se deu o processo de escrita do livro?

Maíra – “Dandara, o Dragão e a Lua” foi a história de que falei antes. Surgiu de uma construção feita entre mãe, professora de Geografia e filha, menina cheia de perguntas e curiosidades sobre o céu, o Sol, a Lua, as nuvens, etc. Depois de escrito o texto base, fui lendo, retrabalhando a história e inserindo curiosidades do meu tempo de criança, perguntas feitas por mim e meus irmãos. Foi assim que nasceu a história de “Dandara, o Dragão e a Lua”, narrativa que fala de uma menina curiosa que adora o céu. Por ser muito atenta e observadora, descobre muitas coisas mas também tem muitas perguntas... A partir desta paixão, Dandara e seu dragão mágico partem para uma viagem pelo espaço na busca de trazer a Lua e as estrelas pra seu quarto. Posso dizer, então, que esta história tem um pouco dos dois: minha influência enquanto professora, mas tem muito mais das curiosidades da Dandara.

Letícia – Compartilhamos a formação acadêmica e a escrita de textos  científicos. Por isso a minha curiosidade em saber como foi, para ti, a  migração da linguagem e da forma acadêmicas para o universo da  literatura e da escrita de narrativas para crianças. No teu processo de  escrita, a familiaridade com a linguagem científica influenciou ou tentou  intrometer-se na escrita literária, ou elas estavam claramente  separadas?

Maíra – Foi difícil no início, pois, a linguagem científica estava muito arraigada nos meus textos. Mesmo tendo lido inúmeros livros infantis e sabendo como eu gostaria que ficasse a história, meus textos eram muito formais e isso me incomodava. Li e reli as versões, conversei com outros autores, pedi que outras pessoas lessem o texto e me dissessem suas impressões. Foram muitas releituras e muitas limpezas do texto até ele ficar pronto. Aprendi a conversar com a ilustração do texto, assim poderia suprimir algumas partes que apareceriam nos desenhos. Também aprendi que nem tudo precisa ser dito, algumas ideias podem ficar por conta da imaginação do leitor. Isso é fantástico, é algo inimaginável na linguagem acadêmica, pelo menos na minha área de conhecimento. Mas por outro lado, o conhecimento científico contribuiu para que eu falasse sobre geografia de outro modo, sem erros conceituais, infelizmente muito presentes em livros infantis quando se trata de fenômenos da natureza. Aprendi muito neste processo e essas aprendizagens me ajudaram nas histórias seguintes. 

Letícia – Quais foram as leituras de infância que mais te marcaram? Há  algum autor ou obra que seja fonte de inspiração para a tua escrita?

Maíra – Quando pequena, lembro dos livros da Eva Furnari, com aquela bruxinha maravilhosa que aprontava horrores. Na pré-adolescência eu lia muito, era uma das que mais retirava livros na biblioteca. Eu amava os livros da Série Vaga-lume, principalmente aqueles de mistério escritos pela Lúcia Machado de Almeida e pelo Marcos Rey. Havia também os livros do Pedro Bandeira que narravam as aventuras dos Karas, eu adorava. ara escrever as minhas histórias, pesquiso muito, tanto em materiais de cunho científico, quanto em outros livros infantis. Leio livros que tratam de temas parecidos, mas não tenho um autor específico.

Letícia –Tens projetos literários em andamento? Estão vindo novos livros  infantis por aí?

Maíra – Saiu do “forno” recentemente o livro Dandara e a Princesa Perdida, editado pela Compasso Lugar-cultura em parceria com a Imprensa Livre. Também escrito a partir de uma pergunta maravilhosa, mas desconcertante da minha filha Dandara: Mãe, por que não existem princesas negras? Dandara, filha de pai negro e de mãe branca, é uma menina mestiça que começou a questionar sobre aspectos ligados às suas origens e à sua identidade. As histórias de princesas mais conhecidas são de matriz europeia e trazem personagens de pele branca e cabelos claros e isso a despertou para este questionamento. Esta pergunta não é parte somente do mundo da Dandara, mas de muitas outras meninas e também de meninos que querem conhecer princesas, príncipes e heróis negros. Nesta história procurei trazer, além de informações sobre a África, elementos presentes nos contos africanos, que recentemente chegam às nossas prateleiras. Li muitos contos africanos, tive contato com autores maravilhosos como Celso Cisto, Rogério Andrade Barbosa, Júlio Emílio Braz. Estou adorando este universo.

Maíra pergunta.  Letícia responde.


Maíra – Letícia, o que te levou a escrever para crianças?

Letícia – Ainda bem pequena, descobri minha paixão pelas palavras e pelas histórias. Meus pais eram grandes incentivadores da leitura. Creio que desse prazer que a leitura me proporcionava surgiu a vontade de inventar minhas próprias histórias. Com 7 anos fiz meus primeiros livrinhos, que elaborava amorosamente para presentear os parentes e amigas de escola. Já adulta, a literatura infantil continuou a ser uma paixão, e assim as primeiras narrativas que escrevi foram para crianças. Hoje também escrevo pequenas prosas, crônicas e poemas “adultos”.

Maíra – Como autora, tu participas de muitas feiras do livro, nas quais tens o contato direto com o público. Como trabalhas as tuas histórias com os pequenos leitores? 

Letícia – O “Eu e você, aqui e lá!” permite diferentes abordagens, indo do tema da diversidade cultural e da tolerância entre os povos à reflexão mais próxima das crianças, as diferenças dentro da própria sala de aula e como lidar com elas. Costumo mostrar imagens do Marrocos e dos berberes, para aguçar a curiosidade dos pequenos e a vontade de conhecer hábitos e culturas distintos dos nossos.
O “Corre, Pedro, corre!” fala de um menino como tantos que vemos hoje, um pequeno executivo cumpridor de tarefas, sem tempo para brincar. Há uma crítica de fundo (e uma autocrítica) ao ritmo frenético que acabamos por impor aos nossos filhos desde cedo. Me surpreendi, ao visitar escolas em cidadezinhas pacatas, onde imaginei que as crianças não se identificariam com a rotina do Pedro. Mas de um modo ou de outro se identificam, muitas vezes porque fora do horário de escola devem ajudar os pais em casa ou no trabalho.

Maíra – O livro “Eu e Você, Aqui e Lá” trata de um tema bastante importante e atual que é o respeito às diferenças. Como surgiu a inspiração para escrever esta história?

Letícia – A questão da diversidade cultural, e mais especificamente os temas do pluralismo e do universalismo cultural, desde uma perspectiva da Filosofia do Direito, foram objeto de estudo durante meu doutorado na Itália. Então, era (e ainda é) um tema caro para mim, e que estava muito presente quando eu e meu marido viajamos ao Marrocos. Conheci alguns vilarejos berberes a caminho do deserto, onde conversei com as crianças e travei contato com aquela cultura. Assim nasceu a ideia para a história, unindo uma reflexão que eu fazia naquele período com a experiência concreta da viagem. No livro, o menino brasileiro sente um estranhamento inicial diante do menino berbere, que gradualmente dá lugar à percepção de que há também coisas em comum entre eles, gerando a empatia e a vontade de amizade.

Maíra – As ilustrações são parte essencial de um livro infantil. Como dialogas com o ilustrador durante a elaboração do livro?

Letícia – Meus dois livros infantis foram ilustrados pelo Gabriel Demarchi, com projeto gráfico do Gustavo Demarchi. Fiquei muito feliz com a nossa parceria, e quis que eles criassem em plena liberdade, sem intromissões minhas. Mas tive o prazer de poder acompanhar a criação das ilustrações e dialogar com eles durante o processo. Para o “Eu e você, aqui e lá!”, que aborda o Marrocos e os povos berberes, emprestei a eles um livrão de fotografias que adquiri durante viagem ao país, e que, segundo ambos, foi bem interessante  para se familiarizar com aquele cenário.

Maíra – Tens algum projeto em andamento? Está saindo livro novo para a gurizada?

Letícia – Tenho alguma coisa pronta, e no momento estou finalizando uma história para crianças que aborda o tema da perda, da finitude e da memória. Foi uma história que custou a sair, a encontrar seu tom e forma, mas agora está quase pronta. Tenho alguns esboços para narrativas juvenis, às quais pretendo me dedicar no ano que vem.


Postado por Jacira Fagundes

2 comentários:
 Jacira Fagundes disse...
Maíra e Letícia, agradeço a colaboração de vocês ao nosso blog. São matérias desta importância que não só trazem visibilidade a nossos autores, como igualmente à associação que representa a cada um de nós, escritores e ilustradores de LIJ.
Muito obrigada.
Jacira Fagundes
11 de novembro de 2012 09:38

 Letícia Möller disse...
Jacira,
eu que agradeço pelo convite! Foi um prazer dialogar com a Maíra e trocar ideias sobre o fazer literário para crianças.
Este é um espaço valioso para nós, autores de LIJ, e um estímulo extra para seguir sempre em frente e cada vez melhor.
Um forte abraço,
Letícia Möller.
13 de novembro de 2012 15:59

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

PR: Reunião de trabalho - 06.11.12

Marilza Conceição e Lucilia Alencastro na Biblioteca Pública do Paraná

Postado há 7th November 2012 por Marilza Conceição
Localização: Biblioteca Pública do Paraná - R. Cândido Lopes, 133 - Centro, Curitiba - PR, 80020-060, Brasil

SP: 21 de novembro, uma data especial!

Todos os anos, a AEILIJ São Paulo homenageia uma pessoa ligada ao mundo da LIJ. Agora, a data de nossa Homenagem 2012 se aproxima!

E a escolhida pelos associados, este ano, foi a autora de textos e imagens Eva Furnari. Com muitos livros premiados, no Brasil e no exterior, Eva é uma ilustradora pioneira na cena da LIJ paulista, a quem todos nós, profissionais da escrita para crianças, admiramos. Também autora de textos, tem criado personagens encantados e encantadores. Sua criatura mais conhecida, a Bruxinha, já é um ícone da Literatura Infantil brasileira.

A Homenagem AEILIJ 2012 se dará no dia 21 de novembro, às 19h30, na Casa das Rosas, em São Paulo.


Data: 21 de novembro de 2012, quarta-feira
Horário: 19h30
Local: Casa das Rosas - Av. Paulista, 37, Bela Vista, São Paulo - fone 3251-5271

Programa:

19h30 - Abertura
20h - Pocket-Show "Cantando de Brincadeira", 
com Manuel Filho e Beto Marsola
20h30 - Coquetel

Haverá mostra organizada pela Ed. Moderna com obras e ilustrações da Autora.


SP: Mural - novembro de 2012

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NÚMERO 34 - Novembro de 2012
O Mural é uma agenda cultural postada todo início de mês, 
porém, editada ao longo do mês conforme os eventos surgem.
A agenda das bibliotecas é renovada semanalmente.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo,
contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.
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NOTICIAS DE ASSOCIADOS
Colega associado, de toda parte, se tiver uma noticia para nós,
por favor nos envie para que possamos divulgar.
Jamais se sinta desprezado;
sua noticia pode não estar aqui
porque não sabemos a respeito dela,
nos ajude. Obrigado


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 LANÇAMENTO DE MARCIANO VASQUES 


23 de Novembro Na Livraria Martins Fontes, Avenida Paulista 509, às 19 horas 
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NIREUDA LONGOBARDI NA BIENAL DE 
CAMPOS DOS GOYTACAZES 


Dia 26/11 - Oficina de xilogravura com Nireuda Longobardi
Dia 27/11 - Oficina de Kiriê com teatro de sombras com Nireuda Longobardi


Horário: 13h30
Local: Leituras na Caverna

Saiba mais clicando AQUI
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 LANÇAMENTO DE ALEX GOMES
Lançamento do livro do Alex Gomes, com sessão de autógrafos e contação de histórias por Jujuba e Ana Nogueira, da Estação Brincadeira da Rádio MEC.

Cinco histórias cheias de humor que sempre terminam em confusão!

A professora Coruja propôs aos seus alunos que fizessem uma redação interessante no estilo tandem, que consiste em um aluno escrever um trecho de uma história e passar para seu parceiro continuar a redação. Ocorre que as duplas são formadas por rato e barata, gato e cachorro, tartaruga e lebre...
11 de Novembro às 16 horas na Livraria da Travessa de Ipanema
 
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 MARILZA CONCEIÇÃO
Olá!

Estamos preparando os últimos detalhes do próximo livro personalizado das Edições Papelmachê. 


Uma deliciosa história chamada “Lendo Nuvens”
 
...


Quem nunca viu nuvens com formatos de bichos e de coisas?
Quando criança nossa imaginação voava longe e isso era muito comum.

“Lendo Nuvens” é uma história cativante e estará disponível na nossa loja a partir de quinta-feira.
 

Aguardem...
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HOMENAGEM AEILIJ PAULISTA 2012
ESTE ANO HOMEAGEANO EVA FURNARI 
Dia 21 de novembro, quarta-feira, às 19h30 na Casa das Rosas - Av. Paulista, 37.
Teremos um pocket-show com Manuel Filho, exposição de originais da autora organizada pela Ed. Moderna, coquetel e o encontro com muitos, muitos colegas do texto e da imagem.
Imperdível para quem estiver em São Paulo!
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AINDA FALANDO DE EVA FURNARI... 

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

RJ: 4º Seminário AEILIJ de Literatura Infantil e Juvenil

O 4º Seminário AEILIJ de Literatura Infantil e Juvenil está acontecendo na 58ª Feira do Livro de Porto Alegre. Acompanhe pelo Facebook, a programação completa.





RJ: AEILIJ Solidária na 58a. Feira do Livro de Porto Alegre

A AEILIJ convida para a instalação Lítero-Artística "Com tato, leituras que tocam". Aberta a visitações entre 05 a 08 de novembro, na Casa do Pensamento, durante a 58a. Feira do Livro de Porto Alegre.


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

SP: Quem conta um conto... - Rosana Rios

Olá!
Peço permissão para postar o conto de novembro, hoje, que é o último dia de outubro. O fato é que estamos em pleno Dia das Bruxas e a história da nossa associada ROSANA RIOS foi feito especialmente para a data. Assim, divirtam-se com a eletrizante história:


A DÉCIMA-TERCEIRA CRIANÇA

            Foi no dia das Bruxas.
            Véspera do dia de Todos os Santos.
            Véspera do dia de Finados.
            Enfim, era tempo de celebrar bruxas, zumbis, mortos-vivos, essas coisas legais.
            E a turma do condominio estava querendo aprontar...
            Aliás, a turma do condomínio estava sempre querendo aprontar. Eram doze crianças, com idades variando entre oito e treze anos. Ou eles se juntavam para jogar bola na quadra e acabavam destruindo alguma coisa – redes, muros, bolas – ou ensurdeciam os moradores durante as reuniões no salão de festas, com cantos, danças, disputas, truco e outras brincadeiras ruidosas.
            Mas eram uma turma do bem: não aprontavam por mal, apenas por serem saudáveis, cheios de energia. E essa energia estava borbulhante naqueles dias, pois a semana anterior tinha sido cheia de provas nos colégios de cada um. Assim, na última semana de outubro, primeira de novembro, a turma inteira apareceu na quadra, esfuziante de alegria e vontade de aprontar.
            Não demoraram nem cinco minutos para combinar que festejariam o Dia das Bruxas ao estilo noteamericano: indo de porta em porta no edifício, fantasiados de bruxas, fantasmas ou vampiros para pedir doces. Trick or treat. Doces ou travessuras.
            Estava anoitecendo quando eles se reuniram no saguão do prédio. Tinha de tudo: feiticeiras verdes, fantasmas pálidos, vampiros com sangue nos canrtos da boca, zumbis esfarrapados com maquiagem assustadora. Entusiasmados, rumaram para o primeiro andar, pelas escadas. A maioria dos moradores, que já sabiam da história, havia se prevenido com balas, bombons e chocolates...
            Só o que ninguém da turma notou foi que, naquele dia, eles não eram os doze de sempre. Havia uma criança a mais... sob uma máscara horrenda que ninguém sabia se era de duende, morto-vivo ou orc, um décimo-terceiro membro da turma apareceu, sabe-se lá de onde, com uma cestinha maior que a de todos, para recolher os doces.
            No começo, não perceberam. A cada apartamento visitado eles faziam caretas e grunhidos, recolhiam balas e chocolates e passavam ao próximo.
            Foi só quando estavam a caminho do décimo-terceiro andar que eles começaram a notar que suas cestinhas não estavam cheias de doce. Estranho, apesar de cada um ter recebido muitas balas, elas pareciam que sumiam... enquanto a cestinha da criança desconhecida estava lotada até a boca!
            Nas escadas, eles pararam. Contaram as cabeças. Um, dois, três... aé chegar ao treze.
            Quem era aquela menina (ou seria um menino)? Não era nem primo nem amigo de nenhum deles. E levava a grande cesta repleta de doces, enquanto as de todos estavam quase vazias!
            Todos olharam para a criança misteriosa, querendo fazer perguntas, e...
            Bem naquela hora as luzes da escadaria se apagaram.
            Pavor total. Foi grito de todo jeito, em todas as alturas, e a criançada toda despencou escadas acima, no escuro, deixando cair máscaras, cestinhas e tudo o mais pelo caminho!
            Assim que alcançaram o patamar superior as luzes automáticas se acenderam. Todos se entreolharam. Reconheceram-se. Contaram-se. Um, dois, três... onze, doze.
            Cadê o décimo-terceiro fantasiado?
            Tinha sumido... e com ele (ou ela?), todos os doces.
            Depois daquilo, a turma do condomínio sumiu por uns tempos. O prédio foi abençoado por um silêncio inédito. E nenhum dos doze jamais deu qualquer explicação para alguém a respeito do que aconteceu naquele Dia das Bruxas...


Postado por Eliana Martins às 04:27  
3 comentários:

Alexandre de Castro Gomes31 de outubro de 2012 07:12
Muito bom!

Alexandre Pytel2 de novembro de 2012 07:51
Adorei, Shelob!

Pedra do Sertão3 de novembro de 2012 12:33
Parece a turma que mora aqui no meu condomínio.
Abraço do Pedra