domingo, 12 de dezembro de 2010

SP: Página do Ilustrador - Carla Pilla

Nesta edição apresentamos Carla Pilla, que nos enviou este belo texto transcrito abaixo, cheio de belas ilustrações.
Colorida e animada: é assim que a vida deveria sempre ser. E é assim que ela se torna para mim quando brinco com formas e texturas para ilustrar um livro infantil ou bolar o visual de um desenho animado. Nos últimos três anos, espalhei meus desenhos e colagens por doze livros infantis, que aqui mostro brevemente a vocês. Fui também diretora de arte do projeto de série de animação Bolota & Chumbrega e sou autora das tirinhas Filé de Gato.


O primeiro livro que ilustrei foi O Sapo Zefirelo, em 2008. O autor Péricles de Cenço produziu uma edição independente super caprichada. Para as ilustrações, utilizei pastel oleoso e um toque especial: tinta acrílica "carimbada" no papel usando flores, folhas e galhinhos que busquei especialmente para o projeto.Este ano, Péricles deu seguimento ao projeto com Zefirelo e o Cão, em que utilizei a mesma técnica.


O segundo livro que ilustrei foi Festarola na Biblio, de Lisete Johnson, pela editora Razão. A técnica escolhida foi o desenho à mão livre combinado à pintura digital, para viabilizar as limitações do orçamento. Ficou bem interessante! No ano seguinte produzimos outro livro: As Caveiras Transviadas, com a mesma técnica.

Um livro que me deu muito prazer em ilustrar foi a reedição do Uma Graça de Traça, do super autor Carlos Urbim. Nele misturo materiais diversos como fitas, papéis, tecidos, glitter, lantejoulas, papel de bombom, lápis aquarelável, tinta acrílica... ufa! E muita cola e tesoura, pois foi tudo feito à mão. Uma delícia!

Também pela WS, ilustrei e fiz o projeto gráfico de Minha Mãe é Diferente, de Thais Picada. O livro é para os pré-adolescentes e tem a capa desenhada à mão com pintura digital. As ilustrações de miolo utilizam aguada.

Um Quero-quero me Contou, de Léia Cassol, foi o primeiro livro de uma ótima parceria com a Editora Cassol. Trata sobre lendas e cultura gaúcha. Produzi desde o projeto gráfico até as ilustrações, que foram feitas com caneta Sakura e lápis de cor aquarelado.

Também da editora Cassol, mas para os pequeninos, ilustrei Dandara, o Dragão e a Lua, de Maíra Suertegaray. Assim como em Uma Graça de Traça, foi tudo feito à mão com os materiais mais diversos: tecidos e papéis, miçanças, lantejoulas, botões, algodão tingido... adoro! Para os personagens, pastel oleoso.


O carro-chefe da editora Cassol é a série As Aventuras de Beto e Fê, de Léia Cassol. Marília Pirillo foi quem criou e deu vida aos personagens por um bom tempo, e nos últimos dois anos recebi a divertida missão de dar continuidade às ilustrações. As imagens acima foram para os livros mais recentes: O Último Guardião e O Cofre de Três Segredos. No primeiro, foi utilizado pastel seco; no segundo, que brinca com a linguagem dos quadrinhos, pintura digital.

Minha produção mais recente para a Cassol foi o fofíssimo Diário sem Data de Uma Gata, de Dilan Camargo. A gata é feita em pastel seco, com bigodes de papel. Os fundos das páginas são de tecido e o livro todo brinca com materiais típicos de um diário, como fita adesiva, carimbos, clips e, é claro, muita folha de caderno arrancada e amassada pela gata arteira! Tudo bem manual como convém a um bichano.

E o livro que acaba sair do forno no fim de 2010 é para a Mundo Mirim, de São Paulo. Tem Trem na Linha, de Rita Nasser, é para os pitocos e utiliza colagem digital. Para aproveitar que o trenzinho se desloca por todas as páginas do trilho, escaneei tecidos, desenhos e materiais diversos e fui montando ao longo das páginas os diversos ambientes por onde passa o trem.

É interessante contar que, em paralelo com minhas colagens na ilustração de livros infantis, já brinquei bastante com colagens para a produção de um desenho animado. Bolota & Chumbrega é um piloto de série de animação em que trabalhei por vários meses como diretora de arte, elaborando desde os personagens até os cenários, e que hoje anda viajando por mostras e festivais do Brasil e do mundo. Assistam!

E para encerrar as apresentações, não posso deixar de falar das tirinhas que são o meu xodó. O Filé de Gato surgiu neste ano de 2010 como um projeto independente, aliando a vontade de começar a fazer tiras com a paixão por gatos. Para minha alegria, o blog teve uma aceitação incrível e Pelica e Felpudo já estão virando até produtos... Vida longa ao Filé de Gato!

Portfolio da ilustradora Carla Pilla:
http://www.carlapilla.com.br

Tirinhas do Filé de Gato:
http://www.filedegato.com

Blog:

Contatos:
carla@carlapilla.com.br
21 8575 9810

2 comentários:

  1. Parabéns, Carla! Belíssimo trabalho!
    Adorei o sapo. Ia dar um príncipe muito charmoso rsrs
    Bjks
    Responder
  2. Valeu, Simone querida!! O Zefirelo nunca pensou em virar príncipe, mas a Traça já virou princesa, rsss...
    Danilo, mais uma vez obrigada por todo o empenho!!
    Beijos,

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

SP: Homenagem ao escritor Francisco Marins


Caros amigos,

Foi realizada hoje, dia 09 de dezembro de 2010, às 15,30hs na Academia Paulista de Letras de São Paulo, a homenagem ao escritor Francisco Marins. Compareceram escritores e ilustradores da AEILIJ SP, alguns convidados e a querida amiga Leila, editora da Melhoramentos. Foi lida uma mensagem de Anna Claudia Ramos, presidente da AEILIJ e houve a entrega da placa. O escritor Francisco Marins encantou a todos com sua simpatia, conversando com cada um dos escritores e ilustradores presentes.

Marins disse que esta foi uma tarde para guardar na lembrança e agradeceu a homenagem, convidando a todos para uma visita ao Museu da Memória, em Botucatu e à sua biblioteca que tem mais de 3.000 livros.

Na foto abaixo, da esquerda para a direita:

O advogado Fábio, a editora da Melhoramentos Leila, Maria Luiza Campos, Edson Gabriel, Manuel Filho, Nireuda, Rosana Rios, Francisco Marins, Regina Sormani, Gilberto, cunhado da Rosana, Alina, Marciano Vasques e Danilo.




Francisco Marins e Gilberto Marchi, que ilustrou a capa do livro "Clarão na Serra"

Grande abraço a todos,
Regina Sormani

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

SP: Quintas (38)

O TEMPO QUE O TEMPO TEM

“Barra-manteiga, na fuça da nega
Minha mãe mandou bater nesta daqui "

Brincadeiras infantis, cantigas de rodas, Monteiro Lobato. São coisas que trouxeram a felicidade para a minha infância.
O interessante é que eu era uma criança. E nada daquilo que mais tarde, bem mais tarde, de acordo com o espírito da época veio a se tornar politicamente incorreto, isto é, aquilo, um verso, uma palavra, um trecho literário, possa ter vindo então me chocar, ou me fazer estremecer... Nada disso ou daquilo, em hipótese alguma interferiu de forma negativa no adulto que eu viria a ser.
Trabalho com crianças, e convivo com elas. E observo que as cantigas resistem, com suas letras, e tudo o mais. Algumas são anônimas, outras são de compositores, que no "tempo que o tempo tem" tornaram-se anônimos e as obras ganharam a voz do povo, tendo o povo se tornado o autor, mesmo sem ter sido.
As cantigas resistem, e nenhuma delas prejudicam em nada a formação da criança. As tentativas ridículas de alterações das cantigas não pegaram e não pegarão, pois o que atinge o coração da criança de verdade, não tem jeito. Atravessará gerações. E certas cantigas ou certas brincadeiras desaparecem por si próprias, sem que haja um só decreto ou a vontade de quem quer que seja. Elas caem no esquecimento, pois a criança, que tanto deveria gostar da joaninha e do pirilampo, ela é antenada, tem antenas.
Excesso de pedagogia às vezes atrapalha. 
Uma ou outra cantiga apresenta versos que hoje me causam espanto, mas são poucas, o resto tiro de letra, e nada vejo de agressivo nem de prejudicial.
Uma delas, talvez a que eu mais ame, seja O Cravo Brigou com a Rosa. Que emocionante! Essa linda briga de amor continua conquistando o coração das crianças através do tempo que o tempo tem. Enquanto haver homens e mulheres, brigas de amor e ciúmes sempre existirão... Mas, espere um pouco! A cantiga não é violenta. Há sim violência e covardia em alguns provérbios populares, como o imbecil "Em briga de Marido e Mulher Ninguém Mete a Colher"... Bem patriarcal e covarde, é possível que talvez deixem a mulher ser espancada... Mas a cantiga, não. Que doçura! O cravo saiu ferido... É tão bonito. As crianças amam. Crianças ainda não são adultas.
Trecho literário? Nem pensar em censurar, mesmo que o espírito da época ou uma leitura raivosa ou ideológica ou simplesmente acadêmica, possam considerar agressivo...
Censurar, vetar, proibir livro? Essas coisas remetem a um pensamento perigoso. Não vamos desrespeitar a inteligência da criança...
Mas ela é sim desrespeitada. Porém, pelo que se produz contemporaneamente. Essa é a verdade. É certa programação da televisão, certas letras atuais de canções, certas baixarias, de agora, contemporâneas. Perdoe - me a sinceridade intelectual de muitos, mas querer culpar o que de melhor se produziu no passado na literatura infantil ou até mesmo as cantigas por comportamentos que possam surgir na criança é tolice, é desviar o foco do principal, daquilo que realmente deveria sofrer a intervenção honesta de toda e qualquer cidadania.
É o que se produz hoje que tanto mais me incomoda, isso sim é agravante.
Não me lembro de ter visto nas minhas andanças uma só professora ou crianças brincando de "Barra Manteiga" com seus versos originais, pois o tempo é sábio, e não precisa dos fiscais da moral de plantão. Tudo se ajeita, se me faço entender, mas, por favor, proibir livro numa biblioteca, numa sala de leitura, numa escola, alegando coisas que não podem com honestidade intelectual ser alegadas de forma ampla e definitiva, é complicado.
Quem edificou o mais impressionante diálogo com as crianças jamais havido neste país só merece o mais profundo respeito... O tempo que o tempo tem sinaliza que jamais diálogo igual irá surgir, ainda mais que nem cartas são escritas...
A sugestão de notas de contextualização histórica e cultural em alguns trechos de obra literária para a leitura da criança, só merece aplausos.

MARCIANO VASQUES

Leia TAQUARA-PÓCA  AQUI

SP: Mural - Dezembro de 2010


NÚMERO 14 - DEZEMBRO DE 2010
O Mural é uma agenda cultural mensal,
editada conforme os eventos surgem.
Amigo associado de qualquer cidade do Estado de São Paulo, contribua...
aguardamos notícias dos eventos do interior.
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MANUEL FILHO É HOMENAGEADO EM SUA CIDADE NATAL
Na agenda cultural Guia da Cidade, de São Bernardo do campo, revista mensal distribuida mensalmente onde consta toda a programação de musica, teatro, literatura, artes plásticas, cinema e etc, Manuel Filho ganha uma página inteira.





HOMENAGEM DA AEI-LIJ REGIONAL SÃO PAULO DE 2010

ESCRITOR FRANCISCO MARINS

DIA 09 a AEI-LIJ - SP esteve na Academia Paulista de Letras homenageando este grande escritor que povoou o imaginário de varias gerações de leitores com seus textos incríveis.
Ele contou ótimas histórias de sua vida de escritor, de editor, de acadêmico e de grande pessoa.
A seguir, as fotos do evento.


Fábio, Leila Bortolazzi (editora da Melhoramentos), Mariluiza Campos, Edson Gabriel Garcia, Nireuda Longobardi, Rosana Rios, Francisco Marins, Regina Sormani, Gilberto (cunhado da Rosana Rios), Marciano Vasques e Danilo Marques.

Francisco Marins e Regina Sormani.

Francisco Marins e Marciano Vasques
Nireuda Longobardi, Francisco Marins e Alina Perlman
Francisco Marins e Manuel Filho
Fábio e Francisco Marins



Francisco Marins (Pratânia, então município de Botucatu, 23 de novembro de 1922).
É autor da série de livros infanto-juvenis sobre a fazenda Taquara-Póca, assim como de romances de caráter histórico, tendo por cenário o interior do Brasil durante a época de seu desbravamento.
Vendeu mais de cinco milhões de livros, traduzidos em quinze idiomas, e é o único escritor brasileiro a participar da coleção européia Delphin, que reúne os clássicos de literatura juvenil de todo o mundo.
Francisco Marins é membro da Academia Paulista de Letras. (Fonte Wikipédia, leia mais aqui)

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LANÇAMENTO DE ALINA PERLMAN 

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WORKSHOP DE
ESCRITA CRIATIVA
E LINGUAGEM POÉTICA

Sábado dia 11 de dezembro de 2010
Das 14hs às 18:00.
Idade de 18 anos em diante

Local: Atelier Gato de Máscara, Oficina do Zelador de Sonhos
Rua Fradique Coutinho, 1884
Vila Madalena, São Paulo, SP
(entre a rua Purpurina e a Natingui)
Valor: R$290,00
Inscrições pelo: gato-de-mascara@uol.com.brOu 011 67524010
Com Regina Gulla, escritora, professora de escrita literária e poesia

Objetivos: Teremos 3 horas e meia de exercícios voltados a despertar a escrita criativa,
compreender o quanto a linguagem poética contribui com a prosa e
experienciar imaginação poética no sistema da escrita literária proposto por esta oficina,
A Oficina de Criação Literária do Zelador de Sonhos, no Atelier Gato de Máscara.

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CBL DEFENDE CAÇADAS DE PEDRINHO E SUGERE NOTA DE CONTEXTUALIZAÇÃO


Leia mais aqui
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FEIRA DE TROCA DE LIVROS E GIBIS
Desde 28 de março vários parques promovem esta feira que encerrará suas atividades de 2010 o dia 12 de Dezembro.
Coordenada pelo Sistema Municipal de Bibliotecas, a Feira de Troca de Livros e Gibis teve início em 2007, quando somou cerca de 10 mil trocas em três parques municipais. Em 2008 e 2009, o projeto foi ampliado para oito parques e em 2010 ele acontece em 10 parques. O principal objetivo do evento é oferecer ao público a oportunidade de renovar suas bibliotecas pessoais sem custo. A única recomendação é que os livros não sejam didáticos e estejam em bom estado.

Os freqüentadores terão à sua disposição mesas separadas da seguinte forma: literatura geral, literatura infanto-juvenil, gibis e troca com a mesa. Nessa última, o leitor pode depositar um título e pegar outro que esteja disponível. A idéia é que as mesas funcionem como pontos de encontro para os apreciadores de determinado gênero. As trocas podem ser realizadas também entre os próprios frequentadores.

A atividade é gratuita e não há limite de idade.

12 de dezembro - Parque Ibirapuera
Avenida República do Líbano, 1151 - Portão 7 - Moema - Zona Sul
Ao Lado do Bosque da Leitura

Telefone para informações ao público:
Serviço de Extensão Feira de Troca de Livros e Gibis
Coordenadora: Marta Nosé Ferreira
Informações: 2291-5763



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CONTAÇÕES DE HISTÓRIAS
As contações da primeira quinzena de dezembro
Com o objetivo de difundir a literatura, estimular o prazer de ler e de criar, promover o debate crítico de idéias e propiciar momentos de integração e lazer, o projeto de Contação de Histórias oferece às pessoas de todas as faixas etárias, por meio da tradição oral, o acesso a conteúdos significativos e encantadores da literatura.



Biblioteca Padre José de Anchieta
Livro ao Vivo
Dia 12 às 11h

Biblioteca Cora Coralina
Conta uma, conta duas, conta três...
Dia 9 às 14h

Biblioteca Pedro Nava
Paramporá
Dia 10 às 14h

Biblioteca Lenyra Fraccaroli
A Lenda do Pé de Feijão
Dia 11 às 10h30

Biblioteca Álvaro Guerra
Semeando Histórias
Dia 11 às 11h

Biblioteca Anne Frank
Nas Beiradas do Rio
Dia 11 às 11h

Biblioteca Adelpha Figueiredo
Contos da Boca pra Fora
Dia 11 às 14h

Biblioteca Aureliano Leite
Moça de Bambuluá
Dia 11 às 14h

Biblioteca Camila Cerqueira César
Narrações Africanas
Dia 11 às 14h

Biblioteca Álvares de Azevedo
Conte Comigo
Dia 12 às 11h

domingo, 5 de dezembro de 2010

SP: Vice-Versa de Dezembro de 2010

No Vice-Versa de Dezembro acontecem as entrevistas entre Lucíola Morais editora da Duna Dueto e a escritora Regina Sormani.
Obrigada, Lucíola. 
Um beijo,
Regina Sormani


Lucíola Morais

Regina Sormani


Lucíola responde

1 — Lucíola, como foi sua trajetória, até a Duna Dueto entrar na sua vida?

Desde muito nova eu me considero leitora. Numa fase da vida em que temos mais tempo livre, entre 11 e 16 anos, lembro-me de ter lido um livro atrás do outro. Meus pais tinham uma biblioteca bem razoável, e lá eu achava coisas variadas, autores nacionais e estrangeiros que ia lendo sem muito critério. Mas eu tinha o privilégio de escolher minhas leituras, e raramente larguei um livro pela metade. Eu acho que essas leituras foram formando a editora. Quando eu fazia o curso de Serviço Social na PUC-SP percebi que meu negócio seria trabalhar com livros. Depois de formada eu voltei a fazer cursinho para entrar em Editoração na ECA-USP. Logo fui fazer estágio e cursos complementares. E depois de passar por três editoras, começando como revisora e chegando a gerente editorial, resolvi me aventurar na loucura que é tocar uma editora praticamente sozinha!

2— Você também escreve, fale a respeito dos seus livros, da criação até o momento da publicação.

Eu lancei dois livros infantis. Um deles, "Por que eu pergunto tanto?", eu escrevi de uma só vez. É claro que depois eu fui trabalhando o texto, melhorando aqui e ali, mas a estrutura do livro saiu rápido. O outro, "A minha floresta", eu escrevi com base em um conto que ficou no fundo de uma gaveta. No dia que eu achei o papel amarelado pensei que daria uma história infantil. É estranho ser editora de mim mesma, e acredito que os livros teriam ficado ainda melhores se eu tivesse a parceria de um outro editor. Mas foi muito bom fazer esses dois livros, fiquei satisfeita com o resultado, e tenho tido um ótimo retorno dos leitores.

3— Como editora o que tem a contar sobre nossos pequenos leitores? Que tipo de livros eles preferem ler?

As crianças adoram livros, desde que sejam estimuladas com um bom material. Elas gostam de livros que transmitam emoções, elas gostam de se divertir, elas gostam de se identificar com as personagens, elas gostam de uma história bem contada e adoram boas ilustrações. Ou seja, gostam de bons livros, como qualquer um de nós!

4— Sua editora está em processo de crescimento, você tem planos ou projetos para 2011?

Fazer uma microeditora caminhar não é fácil. Enfrentamos todos os tipos de problemas que se possa imaginar. Eu acho que fazer livros é mais fácil do que fazê-los circular entre os leitores. Depois que um livro surge, vem o desafio de fazer o leitor saber que o livro existe e, ainda, fazer com que o leitor consiga encontrar o livro para comprar. Hoje, com a internet e as vendas on-line, este é um problema menor, mas ainda existe, principalmente para a editora pequena. Para 2011 vamos continuar lançando infantis, em especial um livro com caracteres ampliados e Braille, dirigido especialmente às pessoas que têm algum problema de visão. E vamos continuar a luta para divulgar nosso material!


Regina responde

1 – Há autores que escrevem tanto para adultos quanto para crianças. Você escolheu escrever para o público infantil?

Na verdade, acho que fui escolhida. Aos 10 anos lembro-me de ter escrito uma poesia na escola e a professora disse, em tom de brincadeira que achava que eu, ao crescer seria escritora. Muito tempo depois, quando estive em Agudos, minha cidade, para receber uma homenagem, encontrei aquela professora, já bastante idosa e ela me abraçou dizendo:
— Menina, não é que eu tinha razão? A poesia te escolheu!
Foi uma alegria enorme aquele encontro.

2 – Você se recorda de leituras que fazia quando era criança? Acredita que elas influenciaram a autora Regina?

Dei os primeiros passos e cresci numa livraria. Tínhamos livros sobre diversos assuntos, mas, as histórias me atraíam de maneira irresistível. Lembro-me de um livro em particular que há pouco tempo virou filme: "A pequena princesa" de Frances H. Burnett. Trata-se da história de Sara Crewe, filha de um capitão inglês que resolve procurar diamantes e como era viúvo teve que deixar a filha num internato. Tempos depois, a menina recebe a notícia da morte do pai e a partir daí, sua vida se transforma. De menina rica e mimada ela passa a ser tratada como serviçal. Eu ficava imaginando todas essas transformações e torcendo para que o final da história fosse feliz.
Acredito que ter me criado entre os livros foi fundamental para que eu me tornasse escritora.

3 – Como escolhe os temas que vai desenvolver em um livro?

Tenho algumas coleções que falam sobre a natureza. Meus livros: " O ovo azul da galinha Rosa" e "As aventuras do pintinho Azul" foram escritos na minha chácara porque tínhamos lá uma galinha que botava ovos com casca azul. Outros livros contam histórias sobre animais em extinção, também escrevi livros de poesia sobre brincadeiras infantis. As ideias vão surgindo, daí eu desenvolvo os temas. O livro publicada pela Duna Dueto: "Quem não tem cão usa a imaginação" foi escrito na época em que morei num condomínio onde o síndico proibia animais de estimação. Lá havia um garotinho que sonhava ter um cãozinho e foi pensando nele que escrevi "nosso" livro, como você costuma dizer. 

4 - Como você acredita que a literatura infantil ajuda a formar as pessoas? Em quais aspectos?

Em primeiro lugar abrindo portas para a sensibilidade, dando condições para o desenvolvimento do processo criativo infantil através do exercício da imaginação. Nessa primeira fase, acredito, é que começa a se solidificar a base para a formação do pequeno leitor que no futuro irá se transformar num adulto leitor.


2 comentários:

Tonton5 de dezembro de 2010 13:14
Maravilha! Fico feliz quando leio relatos como estes, cheio de amos as letras e a caminhada que nos escolheu. Cordial abraco para as duas, e para todos os leitores deste blog. Da terra do frevo e do maracatu, Tonton

tania martinelli7 de dezembro de 2010 08:03
Oi, Regina! 
Parabéns pela entrevista, e muito sucesso com seus livros e projetos futuros!
Abração!
Tânia

sábado, 4 de dezembro de 2010

SP: Quintas (37)

Marciano Vasques
BAÚ DA INFELICIDADE


O baú da infelicidade do povo é enorme. Abri-lo e denunciar a sua existência é imperativo em qualquer consciência. Ocultá-lo, como se fosse possível fazê-lo por muito tempo, é asneira.

Baú da infelicidade, símbolo da gente sofrida que margeia os rios poluídos das periferidas, gente sofrida que espera nas intermináveis filas, almas abandonadas comprando alegrias nos camelôs, sobrevivendo teimosamente, gastando o sofrido dinheiro nos gigantescos hipermercados, enriquecendo, com boa fé e coração simples, empresários, bispos e figuras televisivas.

Baú da infelicidade: abri-lo é expor a melodia plangente do vento que testemunha o sofrimento que viaja de ônibus e de trem, com a alma saturada, entupida de rezas e promessas.

Alma exposta nos mangues, favelas e charcos. Lambuzadas de sonhos e dores, rasgadas nos varais.

Gente de sulcos profundos na face empoeirada, mulheres nos postos de saúde, com seus filhos. Mães que jamais dançaram para as suas crianças, apenas cuidaram das fraldas, da chupeta e as levaram aos pediatras, sem compreenderem que o amor estará completo no sorriso e na palavra. Que a criança é verbívora, a sua oralidade complementa a necessidade amorosa do ser humano.

Gente nas feiras, nas fábricas, nas creches, nos hospitais, com suas tragédias, seus dramas, suas dores urbanas. Mães vendendo por 10 reais o leite que a criança recebe na escola municipal, outras entregando na esquina para os traficantes, para ajudar a pagar a dívida do marido. Gente ouvindo as músicas da rádio, assistindo à televisão, decorando respostas na esperança do show. Gente entrando num templo, ouvindo os gritos da insensatez, gente perdendo a independência mental, mas nunca a fé. Gente no final da feira e as folhas da beterraba, e as folhas da cenoura e as folhas da couve-flor.

O baú da infelicidade é outro, é o baú do sofrimento, das esperanças perdidas, do medo, da incerteza, do preço abusivo do pão.

Baú da infelicidade, meninas violentadas em fazendas e campos e partindo para a cidade grande, sem futuro e sem possibilidade de erguer o próprio destino. Prostitutas: longe do universo encantado da literatura de Jorge Amado, mas nas ruas da cidade devoradora.

Cidade que come a menina sonhadora, que transforma em puta a gata borralheira da periferia, que indefesa ouve palavras de cristais em bocas que tragam a fumaça poluente da cidade.

O baú da infelicidade não foi escondido por nenhum pirata e não forma nenhum tesouro, trata-se apenas de uma realidade de arame farpado de quem constrói o país com o seu sangue e entrega o fruto do seu trabalho para o grande magazine, outrora postal de São Paulo, na esperança de um dia ter em casa a felicidade que a propaganda garante.

Meninas esfomeadas entregando seus corpos para homens ausentes, encontrando os benefícios equivocados nos atalhos que transformam a sonhadora em puta.

Gente olhando para o alto tentando se agarrar em fantasias, em superstições, tentando encontrar uma saída, justificando com a sua ingenuidade a sagacidade dos espertalhões e voltando para a casa da mesma forma que o pedreiro volta ao fim do dia para o seu barraco.

Gente no Metrô, teatralizando gestos, mentindo, contando histórias sofridas, arrancando das pessoas ingênuas e das bondosas de coração suas poucas moedas e deixando confusos aqueles que se comovem, mas não sabem mais em quem acreditar.

No baú da infelicidade não há apenas a gente humilde sem saída, há também os que arrancam com as próprias mãos o futuro e saem às ruas em manifestações exigindo mudanças, participando de movimentos e partidos, tentando com a sua luta, benefícios e conquistas para que os filhos possam viver dignamente.

É mais fácil esquecer do que lembrar e facilmente se esquece dos que foram sacrificados com suas vidas para que outros pudessem ter um pouco de paz e liberdade.

No baú, lá no fundo, remexido, está a menina que abortou na favela da zona leste, e a que foi dada pela mãe para o homem do sítio e a do sorriso largo, que foi dada para pagamento de dívida, e a menina sonhadora de namorado estúpido, que sabe cantar a letra rasa do pagode, que mantém nos olhos o brilho diante das mentiras televisivas, e enquanto entrega seus seios em flor para o moço que não a merecia, pensa nas coisas que faria se tivesse dinheiro, e o bombardeio mental que sofre nos cds e programas infelizes de auditório que não suportariam uma auditoria mental com o propósito de limpar a consciência.

Meninas, meninos, moços e moças, mulheres jovens, mulheres velhas, homens abandonados, essencialmente destruídos, homens que como o seu Félix, perderam o melhor de si em empresas que nada compreendem sobre o ser humano. A menina falando de amor numa noite do Brasil para um homem que já nem sabe do que se trata.

O corpo que aparece boiando no rio e a luz que muitos viram na noite anterior lá no alto, no campo. Baú da infelicidade e a falta de dinheiro para o cinema. É melhor ficar por aqui e uma cervejinha e um cigarro.

A empresa que ficou 20 anos com isenção fiscal, vinte anos sem precisar pagar nenhum imposto porque é de um parente do ministro. Baú da infelicidade.

Os ídolos enriquecidos com o dinheiro do povo sofrido, aparecendo na televisão e em encartes coloridos dos jornais fazendo propaganda de marcas e de grandes lojas, vendendo produtos, anunciando carros, extrato de tomate e carnês.

Cantores vendendo suas músicas para paródias musicais em propagandas, traindo assim a alegria e a sincera amizade do povo, e letras que falavam de festas, amores e alegrias reaparecem falando de planos de capitalização ou de temperos, e a hipocrisia mora em mansões distantes do pobre operário, do ajudante geral e da empregada doméstica que gasta o seu suado dinheirinho no Natal para presentear alguém que ama, com um CD.

O baú da infelicidade e artista popular fazendo campanha contra o CD pirata, envergonhando o seu povo sofrido e romântico que não suporta o preço alto nas lojas e compra o CD no camelô para levar para casa um pouco de música e felicidade, e entre as estrelas e os piratas há a insensatez de quem transforma a arte num produto rentável e mercadológico e coloca código de barra com preço inacessível e injusto e depois, põe na televisão, artistas consagrados para defender despretensiosamente os produtos originais das gravadoras sem ao menos tecer umas palavras de apoio ao assalariado que não tem condições de pagar um preço absurdo e desleal para ter em casa os seus artistas queridos.

Artistas galãs em caravanas políticas, apoiando candidatos políticos de duvidosa ética, e engordando suas contas bancárias enquanto a moça sofrida derrama suas lágrimas diante do capítulo do folhetim da televisão, modalidade de diversão que, filha do romantismo, faz concessões ao público: e o que importa é o final feliz na tela.

Baú da infelicidade, quem restituirá o sorriso autêntico no diálogo com essa gente, quem colocará girassóis nas janelas, quem abrirá as cortinas e revelará um mundo de justiça e felicidade?

Baú da infelicidade, empresários, alguns bispos, coronéis, gente erguendo a sua riqueza com este baú, com o baú das favelas, dos negros que sofrem, das mulheres, das crianças que pagam as frustrações dos adultos nos espancamentos, baú da infelicidade na falta de alternativas na vida da lavadeira, da doceira, da empregada doméstica, as circunstâncias que limitam.

Você pode ser feliz, faça isso, faça aquilo, compre um livro de auto- ajuda, baú que não é de espantos, mas de infelicidades, baú triste, de gente que veio do norte e do nordeste, do sul, gente que percorre o país buscando um seguro cais e com a alma impregnada de ilusões, vomita seus ais nos charcos do dia a dia.

Baú de perplexidades!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SP: Um livro do qual gostei muito - Lin e o outro lado do bambuzal

LIN e o outro lado do bambuzal

Lúcia Hiratsuka, edições SM

Já conhecia – e admirava – o lado ilustradora de Lúcia Hiratsuka. Fiquei conhecendo a excelência de seu trabalho quando, tempos atrás, ela ilustrou um livro meu de haicais. A arte japonesa do sumiê é uma técnica quase paradoxal: exige precisão aliada a leveza. Ou seja, o pincel desenha diretamente sobre o papel em branco, sem direito a hesitações nem consertos. Assim, com levíssimos traços e bem dosadas manchas de cor, Hiratsuka obtém efeitos fantásticos: suas figuras têm um dinamismo tão natural que parecem flutuar na página podendo, a qualquer momento, desprender-se dela.

Com “Lin e o outro lado do bambuzal” tive nova revelação– a Hiratsuka narradora, que conta sua história com a mesma leveza e precisão empregadas nas ilustrações. O texto prima pela simplicidade, sem excessos, sem aparente esforço para ser original. E, talvez por isso, nos comove até o fundo da alma.

Lin é uma raposinha macho que está começando seu aprendizado de vida, e dele faz parte desenvolver o método de se transformar em ser humano quando necessário. Porém, antes de dominar essa arte, não tem permissão de atravessar o bambuzal onde vive para conhecer o existe além dele. É claro que sua curiosidade acabará levando-o a transgredir e descobrir, com encantamento, uma doce menina com quem faz amizade. Para não tirar de outros leitores o prazer de irem por si mesmos desvelando esse conto delicado, encerro por aqui o resumo do enredo.

Mesmo porque, mais importante que a trama em si são os pequenos detalhes, que tornam a leitura tão fluida e saborosa. Na história de Lúcia, como nas da maioria dos contadores tradicionais, todas as criaturas falam e dialogam, até mesmo um bambuzinho jovem, sedento também de conhecer “o lado de lá”. A linguagem pictórica que a autora emprega, por sua vez, quase nos fazer ouvir o som do pequeno sino que Lin ganha de presente da amiga, ou da flauta que ela toca, ou dos passos vacilantes da raposinha no bambuzal...

Finalmente, é necessário salientar conceitos e valores subjacentes ao texto e que, graças a sua já mencionada simplicidade, tocam o coração de quem lê como asas de borboletas, sem se impor nem ferir. É o caso, por exemplo, da ideia de que não precisamos nos transformar em outro ser para conquistar algo. A menos que essa metamorfose seja tão verdadeira que leve ao próprio crescimento.

Angela Leite de Souza

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

SP: Página do Ilustrador - Adriano Renzi

ADRIANO RENZI
Nesta edição apresento o trabalho de Adriano Renzi que apresenta aqui rascumnho, produção e finalização de belos trabalhos:

"
Todos os projetos de livros que participo como ilustrador e/ou designer, faço estudos preliminares de época (se necessario), o que inclui indumentária, arquitetura, cultura etc, bem como os personagens, cenas e estudos de flow do livro. Cada etapa é enviada para a editora para aprovação antes de seguir com uma próxima etapa. Somente com tudo acertado e aprovado, começo a finalizar as ilustrações em aquarela.


O livro "a linda história da dois irmãos contadas para jovens de todas as idades", sobre as origens dos fundadores do colégio Sion, é um abom exemplo de como foi necessário fazer muitos estudos preliminares e de época para que o livro atendesse a fidelildade da história, que era contada oralmente nas instituições Sion. Neste livro em particular também particpei como designer gráfico e tive um controle maior do flow do liro como um todo.

Imagens abaixo mostram os estudos de indumentária e rascunhos de cenas, bem como sua finalização em aquarela"

Rascunhos...


Trabalho final:





"Nesta imagem isolada inclui em um unico quadro os passos desde estudos preliminares a mudança de cena ainda no rascunho e sua finalização em aquarela..."



"Nas duas imagens finais, exponho estudos de pictogramas e motiffs e fontes utilizados no livro de modo a completar a atmosfera da época e do livro. A ultima imagem é sobre o estudo da capa e 4ª capa com aplicação de rascunho e finalização."






"Um das minhas frases favoritas para descrever o trabalho de ilustração é "1% inspiração e 99% transpiração". Não creio que saber ilustrar seja intervenção divina. Apesar de algumas pessoas terem maior facilidade do que outras (e isso é para qualquer area de estudo) é preciso estudar, acumular conhecimento sobre os mais diversos assuntos, ler muito e desenhar, desenhar, desenhar."


Adriano Renzi graduou-se em design gráfico pela UFRJ e continuou a aprofundar seus estudos em ilustração ingressando no programa de ilustração da University of the Arts, Filadelfia, onde foi agraciado por prêmios como o Ronald Bienganski Memorial Award e Promissing Artist Award, fazendo parte no mesmo ano do Dean's List. Atualmente trabalha em seu estúdio no Rio de Janeiro com ilustração, design e usabilidade web. Ingressou este ano no mestrado em design e usabilidade pela ESDI-UERJ

Visite o site do ilustrador: http://www.adrianorenzi.com/
e-mail: adrianorenzi@terra.com.br
tel: +55 (21) 2286 4315
cel: +55 (21) 9490 4570