quarta-feira, 5 de maio de 2010

SP: Quintas (6)

PRESENTE AMOROSO CHAMADO MÃE

Magnífica obra de Sófocles, Édipo Rei inspirou Freud. Na verdade Édipo não tinha consciência de que amava a própria mãe. 

Mãe, presente em nossas vidas com força incomum. Às vezes uma fortaleza da solidão maior do que a do homem de aço, a erguer e administrar o lar, que quase sempre é dissolvido com a sua partida, salvo em raros exemplares, como no grandioso seriado Bonanza, em que as mães se foram, mas os homens mantiveram a unidade familiar, numa generosa ode ao patriarca do velho oeste americano. 

Curioso notar que no mundo da fantasia edificado por Walt Disney a mãe não está presente. Seus personagens de quadrinhos geralmente têm apenas tios. Curiosidades da cultura de massa. 

Seu incondicional amor nas artes aparece desde Jocasta e é tema dramático a nos orientar. Em filmes de psicologia densa como Psicose, e em tantos outros, ela nos provoca. Em comédia nos oferta fartura de risos. 
Sua sabedoria é especifica e especial. Age instintivamente e sua orientação é bússola do coração. Para defender o filho vira fera e vara noites acalentando febres. 

Com veneração a sociedade a respeita. Embora seja lembrada quando falha o filho. Geralmente se atribui ao pai o sucesso filial. Assim o profano e o sagrado convivem culturalmente no olhar social. 

Dificilmente se encontrará um patrão que rejeite o seu pedido de falta para levar o filho ao médico. O respeito pela mãe é o respeito pela criança, que se tornou um valor universal. Mal sabem as nossas crianças quanto devem, em amor, cuidado e zelo à mãe negra do período colonial do nosso país, e, como devemos às ancestrais contadoras de histórias, a rondar engenhos com seus favos de histórias, e também ao analgésico som de nossas cantigas primeiras a sondar com  insondável suavidade  os nossos ouvidos na palpitação da insônia que varava o arco da madrugada. 

Na Literatura infantil um exemplo comovente é o da mãe do Patinho Feio. 

A mãe de um santo deu nome à educação e da palavra escolástica originou-se a palavra escola. Que ainda, às vezes, para muitas crianças infelizmente é a personificação na infância da madrasta estereotipada nos contos clássicos. 
Erich Frohmm, o psicanalista do século XX, melhor traduz a fortaleza e a fragilidade do seu amor. O amor da mãe que é como a verdade, não tem jeito. Só atende a um imperativo: Amar intransigentemente. 

Sabemos que ela é um marco divisório na hombridade, na honra de qualquer moleque, ninguém aceita que se "coloque a mãe no meio". Por isso em determinadas circunstâncias a forma de se ofender alguém e extravasar nossa raiva ou atender ao império da agressão ou então satisfazer necessidades coletivas é xingar a mãe, tal como se faz com a do juiz. 

Para muitos, mãe nunca é profana, é sempre santa, embora a sua idealização seja universal, pois infelizmente há também a que espanca os filhos. E bebês são abandonados em rodoviárias; embora não podemos julgar a dor que não alcançamos, também tais atos validar nos é difícil. E conheci uma bem rabugenta no enigmático conto de Charles Perrault, intitulado "As Fadas". Mas a sociedade é implacável com quem assassina a própria mãe. 

Há mães abandonadas em asilos e há mães com o coração despedaçado vendo os filhos se drogarem. 

Hadil Chabin, menina palestina morta na Faixa de Gaza, pelo exército israelense, verteu lágrimas nos olhos atentos do mundo. E a dor da mãe de Hadil? Poderá haver maior? Que importam as nações? Que importam os mundos erguidos pela política e pelos poderes diante da dor da mãe que vê o fruto do seu ventre e do seu amor ensangüentado a morrer na brusca insensatez? 

Mães aflitas refletem a anomalia que pode se tornar o espírito de uma época. E todo ditador sabe que se um grupo de mães se reunir em praça e isso atingir a opinião internacional, provavelmente o seu regime cairá. 

Dia das mães resulta para o capitalismo em mais uma data comercial e a cabeça publicitária "moderniza" o amor materno colocando mulheres pedindo de presente celulares. 
Mas a mãe continua a mesma, feliz com um abraço, um beijo, uma palavra amorosa. O modelo universal aos poucos vai se aperfeiçoando e o seu amor se torna exemplo divinal, mesmo que a força da grana o queira mercantilizar. Ela é simples como a rosa, flor escolhida por sua perfeição. A geometria da rosa sintetiza a beleza que a natureza oferece ao olhar. O amor da mãe é analgésico confortante para a alma. Guardiã do jardim chamado infância geralmente é o belo imperceptível na fugacidade das coisas. 

A consciência é alada, mas evolui em espiral e tem o seu próprio ritmo, às vezes aparentemente tardio, porém quando se concretiza abre as cortinas do palco chamado vida e nos coloca diante da mulher chamada mãe. 

A humanidade necessita tanto dela que a mãe de Deus é representada através dos tempos como um dos mais belos brindes para a alma e aceita na maioria das crenças. 

 MARCIANO VASQUES 

domingo, 2 de maio de 2010

SP: Vice-Versa de Maio de 2010

Caros amigos,
May Shuravel, escritora e ilustradora e Fabiana Salomão, ilustradora, são associadas da AEI-LIJ SP. 
Agradeço a participação de ambas no Vice-Versa de maio.
Um grande abraço,
Regina Sormani


Fabiana Salomão

May Shuravel


Perguntas de May para Fabiana

1) Fabiana, quando você ingressou na faculdade de Belas Artes já tinha algum interesse especial por ilustração de livros? Quando e como sua atenção se voltou para a literatura infantil?

May, nem sequer pensava nesse assunto, a não ser durante minha infância, quando os livros que chegavam às minhas mãos me tomavam de grande fascinação e inspiração. Lembro-me que desenhava em todo e qualquer lugar, jornal, pedaço de papel, envelope e até nos espaços brancos dos livros de direito da minha mãe. Continuei desenhando de brincadeira na minha adolescência, mas, quando entrei na faculdade em 1994, não tinha a mínima idéia do que ia fazer. Na verdade, tinha apenas uma vaga pretensão de me tornar artista plástica. Não pensava em ilustração como profissão, e já estava muito distante dos livros infantis. Meus interesses eram outros, mas foi justamente nessa época que comecei a ter uma noção real desse universo. Existia um trailer na frente da faculdade que vendia todo tipo de livros sobre ilustração, como não podia comprar passava horas folheando dezenas deles. Foi o que me fez descobrir a imensidão de possibilidades profissionais através do desenho. Teve também a influência de uma amiga de adolescência que fazia a mesma faculdade e trabalhava no estúdio do Airton Sena. Eu ficava encantada com as ilustrações que ela fazia. Foi aí que o universo da ilustração infantil começou a entrar na minha vida novamente.

2) Quais dificuldades você enfrentou (se é que houve alguma) para se iniciar na profissão? De lá para cá, percebe alguma mudança em relação às condições de trabalho, para melhor ou para pior?

Enfrentei muitas dificuldades, porém, mais pelas circunstancias que vivia do que pelo mercado em si. Nesta época trabalhava no shopping como vendedora para pagar minhas contas, aluguel, faculdade, etc., pois não tinha nenhuma ajuda financeira. Foi depois de um ano, ralando muito que essa mesma amiga me convidou para trabalhar em uma editora de livros infantis em São Caetano do Sul, mas não era trabalho fixo, e tudo dependeria de como e quando rolasse trabalho. Deveria ir todos os dias à Editora, onde havia uma sala com uma prancheta e todo material necessário para o trabalho. Foi um risco que decidi assumir, mas, graças a Deus as coisas deram certo. Apesar de não ter um traço infantil bom o suficiente para começar ilustrar, em pouco tempo entrou um grande projeto de 12 livros didáticos para educação infantil. Eles tinham um ilustrador incrível, mas, que não tinha tempo de colorir e finalizar as artes, tamanha a demanda em relação aos prazos de entrega. Então entrei, passei meses trabalhando quase 14 hs por dia em livros de mais de 100 pgs ilustradas, na maior felicidade do mundo, finalizava os desenhos em ecoline, caneta nanquim e bolometro...não sabia usar o pincel para fazer a arte final, mas, mesmo assim o trabalho ficou impecável!
De tão bom que o trabalho ficou passei a finalizar todas as ilustrações que esse ilustrador pegava pela Editora, que não eram poucos. Essa foi minha primeira escola.
Acho que as condições de trabalho só têm melhorado desde então, hoje temos acesso à tecnologia, cursos incríveis, livros, feiras, salões, palestras, associações. O mercado de literauta infantil e juvenil só tem crescido no Brasil. O fato das editoras estarem começando a entender o valor do ilustrador também tem ajudado muito. É claro que ainda pode melhorar, principalmente no que diz respeito a royalties. Ilustração e nota fiscal para CCDA, são dois assuntos que me incomodam muito, principalmente depois de ver como as editoras trabalham fora do país.

3) Na opinião de quem, como você, tem experiência em trabalhar nas duas áreas, qual é a diferença entre ilustrar um texto literário e uma peça de publicidade?

Ilustrar literatura é um trabalho muito mais difícil e profundo, exige um envolvimento muito maior da parte do ilustrador, publicidade é totalmente comercial, pratico e direto. Em minha opinião o trabalho exige muito mais da dupla de criação da peça do que do ilustrador, o briefing do que será ilustrado já chega pronto, além disso, ilustrar publicidade paga absurdamente mais!

4) Depois de 12 anos ilustrando textos alheios (lindamente, por sinal) não deu vontade de escrever, de se aventurar pelas palavras? Já inventou alguma história para seu filho?

Obrigada! Mas sabe May, a coisa que mais admiro em grandes ilustradores e escritores como você é essa capacidade de traduzir em letras o universo das ideias e imagens, adoro ouvir um escritor falar sobre o processo de criação de uma história, é um trabalho árduo! Leio muito para meu filho, mas na hora de inventar as histórias, fica complicado, não flui muito. Vontade de escrever tenho, e muita, tanto é que há 10 anos tomei coragem e comecei. Fiz um livro, mas ficou parado pela metade, desde então outros 7 foram começados, alguns são idéias iniciais de histórias que aparecem na cabeça, outros, títulos que invento, anoto e guardo. Acho que sou boa para títulos, mas na hora de desenvolver... travo uma briga com as palavras. Estou no meio de um projeto meu, decidi que esse eu termino, vamos ver o que acontece. Conselhos são bem vindos!


Perguntas de Fabiana para May

1) May, entre se formar em arquitetura pela FAU-USP e iniciar sua carreira como ilustradora você foi professora de artes durante dez anos, pode contar um pouco sobre esse contato direto com o ensino, alguns casos marcantes e como essa fase influenciou sua carreira de ilustradora? 

Na verdade, minha atividade como professora não influenciou em nada o trabalho de ilustração. Comecei a dar aulas de desenho na mesma época em que comecei a ilustrar livros, por volta de 1977. Depois de muito tempo ilustrando é que eu criei coragem para escrever minhas próprias histórias. A literatura sempre foi, para mim, uma enorme e infinita fonte de prazer, mas apenas como leitora. Minha formação profissional foi basicamente voltada para o mundo das artes visuais, e demorei bastante para acreditar que, mesmo não sendo nenhuma “doutora em letras”, eu tinha também o direito de escrever, de usar e abusar das palavras para o fim que eu bem entendesse, do jeito que conseguisse. 

2) Como surgiu o convite do seu primeiro trabalho como ilustradora, você já tinha conhecimento do universo editorial e do trabalho do ilustrador como profissão? 

Não fui bem-educada, nem esperei convite, rs rs. Eu não sabia nada a respeito do universo editorial e, na época, não acompanhava o que se fazia em literatura para crianças, não tinha interesse. Sempre desenhei e, em um ano qualquer, comecei a fazer gravura em metal. O processo de produção de uma gravura, como você deve bem saber, é lento, passam-se muitos dias entre começar a polir a chapa até finalmente imprimir uma primeira prova. Tempo para que as palavras, que eu percebia estarem escondidas em qualquer desenho que eu fizesse, começassem a se organizar, tentando virar uma história completa. Talvez a primeira “cisma” com ilustração tenha surgido, mesmo que de forma invertida, desse costume involuntário de ficar imaginando uma narrativa para cada desenho. Por acaso, conheci o editor Massao Ohno, que tinha seu estúdio pertinho de casa. Lá fui eu, sem nem marcar hora, gravuras debaixo do braço. No dia seguinte já tinha em mãos uma porção de belos poemas para ilustrar. Livros ilustrados para adultos eram e são coisa raríssima, e nem passava pela minha cabeça a idéia de ilustrar textos para crianças. Tive muita sorte em iniciar na profissão sendo orientada pelo Massao. Inteligente, sensível, generoso, sabia tudo, ensinava, dividia. Aprendi muito. Foi um prazer trabalhar e conviver com pessoa tão especial. Por onde será que ele anda?
Ah, para o primeiro livro infantil, recebi convite: foi do Jean Michel Gauvin, que fazia, na época, projetos gráficos para a FTD. Eu prontamente recusei, com receio de não dar conta do recado (criança? Que bicho é esse?). Ele insistiu, acabei aceitando, ressabiada. Demorei séculos para executar as ilustrações, mas deu tudo certo, o esforço rendeu até uma indicação para o Jabuti. Vieram mais convites, perdi o medo, nunca mais parei... 

3) Depois de quanto tempo ilustrando resolveu escrever seus próprios livros? Pode nos contar como foi o processo de criação desse primeiro livro, desde como surgiu a idéia da história até a conclusão do projeto? 

Por volta de uns quinze anos. Período de vacas magras, pouco trabalho, em função de sei lá que plano econômico, prefiro nem tentar lembrar. Enfim, faltava dinheiro mas sobrava tempo, eu já andava com vontade de escrever. A história foi inspirada em um livro muito antigo, de aproximadamente 1915, que era da minha mãe. Eu reconto uma das histórias contidas nele, onde o próprio livro e mais algumas lembranças participam da narrativa. Pode tudo parecer meio confuso, mas confusa sou só eu, a história é bem simples. Escrevi, fiz o projeto gráfico, as ilustrações, e levei tudo para a Lenice Bueno da Silva (na época editora da Ática), que aceitou publicar o livro, chamado “As Fadas da Areia”. Depois vieram outros, o último é o “Bruno sem sono”, cuidadosamente editado pelo Sérgio Alves, na Larousse. 

4) Como sua família influenciou seu gosto pelas artes? O fato de não assistir TV quando criança contribuiu para um maior desenvolvimento do seu lado criativo? Olhando a história de sua infância, sua vasta experiência no ensino e seu trabalho como escritora e ilustradora, qual seu ponto de vista sobre como a avalanche de entretenimento tecnológico tem influenciado na capacidade criativa e no despertar da leitura e da arte na vida das crianças e adolescentes de hoje?

Essa história de não assistir TV quando criança (que eu mesma andei mencionando por aí, muito à toa), na verdade não tem nada de extraordinário. Naquele tempo, quando os bichos falavam, não era tão incomum que uma família de classe média não tivesse TV. E nem as crianças que tinham o ambicionado aparelho em casa passavam horas na frente da tela, mesmo porque não veriam quase nada: os programas eram poucos, o horário restrito, no final da tarde alguns desenhos (sempre repetidos), depois uma novelinha, o Repórter Esso, alguma outra coisa e fim. Durante a adolescência, a coisa ficou meio esquisita, todo mundo que eu conhecia já tinha TV e minha mãe não admitia que o “aparelho pernicioso” entrasse em casa. Felizmente, eu era amiga da vizinha. A programação já era mais extensa, mas nada que se compare com a de agora, tantos canais funcionando 24 horas do dia. Diante disso, minha mãe tremeria de medo. Um pouquinho de razão, talvez ela tivesse: É tanta gente que se abestalha diante da tela, zumbis sendo consumidos passivamente pelas ofertas de consumo, vendo sem ver, apenas para espantar o tédio e se livrar do silêncio. Acho essa passividade um tanto assustadora. Hoje, eu também tenho TV(aleluia!) assisto ao que me interessa ou diverte, mas sem a menor intenção de fugir do tédio, sempre me entendi bem com ele. Fico arrepiada quando alguém diz, a respeito de algum programinha qualquer – Ah, é bom porque distrai...- Cruzes, deus que me livre!, Eu quero é estar atenta, quero ser instigada, provocada, sacudida, quero emoção, não distração. O tédio nos obriga a pensar, a imaginar, a reparar nas pequenas coisas, nas coisas silenciosas, a vislumbrar os segredos escondidos nos acontecimentos mais triviais. O tédio ensina a inventar asas. As minhas, inventei com papel, lápis e uns poucos livros que ainda nem podia ler, naquelas tardes longas e quietas da minha infância. Mas não acredito que as inovações tecnológicas dos últimos tempos possam ser prejudiciais ao desenvolvimento da capacidade criativa de quem quer que seja, muito pelo contrário. É bom apenas ter um olhar atento e crítico para tudo que nos é oferecido, para essa quantidade incrível de informação que está tão facilmente ao nosso alcance. Quando se trata de informação, quantidade é também qualidade, desde que se saiba analisar seu conteúdo, que se aprenda a identificar a relevância e a veracidade de cada fato apresentado. Enfim, mudanças acontecem, o mundo gira, a Luzitana não roda mais e as pessoas continuam a criar, inventar,imaginar, a produzir arte, a cada tempo de uma maneira, com velhas ou novas ferramentas. 
Para falar de “despertar da leitura”, volto aos velhos e não melhores tempos: se eu não tive TV, tive o privilégio de ter pais leitores, de ter livros infantis em casa. No início poucos, talvez não mais que uns oito, mas, conforme eu crescia, aumentava também a coleção. Ganhava livros nos aniversários, no Natal, ou como premio por boas notas na escola. Literatura, na escola? Só no Livro de Leitura, gramática entremeada de pequenos trechos literários, um poema de Olavo Bilac, ou outro. Havia uma pequena biblioteca, tão escondida que só fiquei sabendo da sua existência quando estava no 5º ano. Desde sempre não somos um país de leitores, e muitos de meus colegas jamais, quando crianças, tiveram nas mãos um mísero livro infantil, unzinho que fosse. Hoje, bem ou mal, todas as crianças de escolas públicas ou particulares têm algum contato com livros de literatura, em grande parte por conta de programas de governo. Já é alguma coisa, mas ainda é muito pouco. É preciso investir na capacitação de professores para que eles possam formar leitores. Quem recebe a missão de incentivar a leitura precisa, entre outras coisa, aprender a gostar de ler. E um professor-leitor precisa de livros, de bibliotecas de qualidade, acessíveis e atualizadas, precisa ganhar o suficiente para dispor de tempo para ler e para estudar. Isso tudo ainda parece estar longe de acontecer, infelizmente. Eu tive a sorte de ter pais leitores, a literatura passou a fazer parte de mim tão cedo, tão naturalmente, que não saberia mais viver sem ela.Gostaria que todas as crianças tivessem o privilégio dessa experiência, ou seja, que essa experiência deixasse de ser privilégio de alguns.Acredito que o espaço onde isso ainda pode vir a acontecer é a escola.

Bem, Fabiana,espero ter respondido, ao menos em parte, suas interessantes perguntas.


2 comentários:

Fabiola14 de maio de 2010 14:24
Bia, querida, tenho muito orgulho de voce, do seu percurso e, principalmente, de seu trabalho. Parabéns por tudo... lhe deixo um beijo e um desejo enorme de que o sucesso sempre bata em sua porta.
Com carinho
Boo

Sandra Ronca1 de junho de 2010 07:04
Adorei essa do tédio... Eu também gosto dos meus momentos sozinha! é quando a gente mais cria!

sábado, 1 de maio de 2010

SP: Quintas (5)




QUINTAS








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NO DIA EM QUE O CHICO PASSEOU EM SAMPA


No dia em que o Chico Buarque passeou pela minha cidade eu estava dando uma espiada no Brasil que se ia. Ele andou pelos jardins, O Brasil não, ele, o Chico. Almoçou num restaurante badalado e fiquei sabendo que qualquer um podia abraçá-lo. Perdi a chance. Culpa minha, que vivo na periferia. Alguém numa galeria da Augusta disse que ele está meio caidinho, essas coisas que se falam. Muitos declararam adoração.

Não, não era ele em carne e osso, era um boneco, um display. Em tamanho natural. De qualquer forma valeu, afinal São Paulo merece. E alguma coisa acontece.

Vi o Brasil que ia, numa ladeira. É a política. Perdi o interesse, é uma forma de se continuar vivo. Cada um deveria ter os seus mecanismos de defesa interior, para se salvar, para não morrer. Verdade, você morre se perder os seus referenciais éticos, por exemplo, a poesia. Há várias formas de morrer, se me entende. Claro que tenho os meus mecanismos de defesa interior. Repetir aquele trava-língua de vez em quando me garante a saúde mental, olhar para a cor que eu gosto, esteja ela onde estiver estará sempre me acenando. Ouvir uma canção do Chico Buarque me abastece o coração e também me suspende do cotidiano contemporâneo. O Chico nos salva, nos protege, nos garante a lucidez. Ouvi-lo cantar representa uma forma de aproximação com a lucidez, com a bonança da sensatez, da retidão, e nos auxilia no reencontro com a imensa Poesia do Brasil.

Nosso país é extraordinariamente rico de poesia, algumas são como doces caseiros, brilham em corais, argumentam - se em Drummond, outras se erguem na vertigem dos sonhos adolescentes, algumas se fecham em círculos intelectuais, há as que descem ao abismo dos bêbados que vagam ao lume da cidade, e tem as que falam ao coração do povo. Esse país verdejante é uma infindável oficina de poesia. E o Chico nos preserva e nos avisa que nem tudo é loucura.

O Brasil que se ia é o da Política contemporânea, que não é um bem para a alma do cidadão. Vi esfarelar-se o sentido ético e humanístico que no passado já a norteou. Hoje a luta do Poder pelo Poder sobrepôs–se aos interesses genuínos da cidadania. A esperteza de uns, o discurso falso da maioria dos candidatos a cargo público, tudo é nevoento, nublado; a consciência entregou-se aos ditames do paternalismo, a luta outrora força motriz da cidadania foi catalisada, foi, senão amputada, controlada por um aparelho eficientemente esperto.

Então o Brasil precisa se reencontrar, voltar para si. É preciso a suspensão do cotidiano que nos subtrai a vida autêntica. A consciência necessita com urgência de uma administração ética, de um novo olhar, de um remédio eficaz, a alma carece de se reordenar. O emaranhado e a fuligem da realidade política não pode mais destruir. Talvez a "gota d´ água" esteja se aproximando.

Chega um momento em que o ser não quer mais enganos. Rejeita a parceria. No fundo é assim, há uma cumplicidade, um consentimento. Então ocorre o momento em que o laço se desfaz e o ser não concorda mais com o seu enganador e então acontece a reação. Chega um momento que o monstro criado pelo sofrimento perde o controle, chega a hora em que o sofrimento é recusado, a função de ovelha se dissolve, e um novo ciclo é visto na cidade: a morada do ser - como um arco-íris num céu profundo.

E o "Chico" passeou na minha cidade, mas não cantou, nada, nem um verso, nem um Tom, nada, pois era um boneco. 

  
MARCIANO VASQUES

quinta-feira, 29 de abril de 2010

SP: Álbum do Blog- Reunião AEILIJSP 28/04/2010



Meus caros,

Nossa reunião de 28 de abril na Assembleia foi excelente, começando com as sugestões para o homenageado 2010. Eis os nomes que surgiram: Ziraldo, Eva Furnari, Pedro Bandeira, Edmir Perrotti, Maurício de Souza, Ruth Rocha e outros. Particularmente, gostei muito da sugestão do escritor Manuel Filho,que não esteve presente, mas, mandou seu recado: o voto dele vai para Francisco Marins, o escritor da juventude. Estou pesquisando vida e obra do autor e depois divulgarei os dados cbtidos.

Falamos a respeito da parceria que a AEILIJSP poderá começar com a Praler, apoiando a vinda de uma exposição de ilustradores aqui para S. Paulo, no Parque da Água Branca. Sem dúvida, o que causou entusiasmo entre os autores foi o bate-papo com a Ceciliany, da FTD. Perguntei a ela o motivo da recusa das editoras em publicar livros de poesia. Ceciliany nos explicou que tem encontrado resistência por parte dos professores em adotar livros de poesia porque não se sentem à vontade para trabalhar com a linguagem poética. Que coisa, não? A seguir, transcrevo a fala do nosso conselheiro Edson Gabriel e suas considerações sobre nosso encontro.


Oi pessoal,

De fato nossa reunião de ontem foi muito boa. Pouca gente, como sempre. Uma pena, pois acho que o grupo poderia se fortalecer mais. De qualquer forma, vamos como dá, sem apressar o rio, pois ele, como disse um sábio filósofo índio, ele corre sozinho.

Duas e meia pequenas observações.
Primeira: além dos nomes já citados, rolou uma sugestão de se homenagear os livreiros pioneiros especializados em LIJ. Talvez uma homenagem coletiva a vários deles. Gostei muito dessa idéia. Dos profissionais do livro, o nome que me parece se encaixa bem no nosso propósito é o da Ruth Rocha. Mas, como disse a condessa Rê Sormani, vamos fermentando e ver o que dá.

Segunda: o bate papo com a Ceciliany foi ótimo. Em cima do que queríamos. Eu particularmente gostei muito da sua resposta à minha pergunta-comentário sobre a literatura para jovens. Entendo que a literatura infantil brasileira é fartamente brindada com talentos da palavra e da imagem e da produção, com produtos belíssimos. Mas não vejo a literatura juvenil, apesar dos talentos - que são muitas vezes os mesmos profissionais - com esse brilho. Ela respondeu que também vê dificuldade em encontrar textos interessantes para esse público e que nos catálogos acabam prevalecendo clássicos e adaptações. (Claro que aqui estou tratando do assunto bem sinteticamente.) E deu dicas ótimas (pena que não é tão fácil assim!) para quem quiser escrever um bom texto juvenil: entrar de cabeça no mundo da moçada, saber o que se passa na cabeça e na emoção do jovem, lidar bem com a linguagem, num sentido criativo, amarrar bem a história e ... surpreender sempre. Taí, quem se habilita!???

Meia observação(final): os nossos coquetéis são gostosíssimos. Às vezes tenho a ligeira sensação de que a gente se reúne para comer e beber e falar abobrinha, usando como desculpa a pauta da aeilijpaulista. Será que estou errado?

Abraços
Edson Gabriel 


Abaixo, duas fotos da Ceciliany, palestrando, e algumas outras com o pessoal que estava presente: Edson, Danilo, eu, Nireuda, Alina, a Rosana, futura associada, Maria Luiza, Maria Amália e Fábia.

Um beijo,
Regina Sormani








2 comentários:

Danilo Macedo Marques30 de abril de 2010 05:57
Sabe que eu sou da turma do fundão né? risos...
Gostei muito do encontro , da palestra da Cecilliany...
Ah, o Edson também é gente boa, risos...
Sucesso a todos... As fotos estão ótimas... tomara que haja outro encontro logo!

Aline30 de abril de 2010 12:52
Sou estudiosa e divulgadora da LIJ e gostei muito do que li sobre a palestra da Ceciliany. Realmente, precisamos de mais estímulo e investimento na LJ. Adoraria ter ouvido as dicas que ela deu!

RS: Troféu Amigo do Livro - Registro fotográfico

Fotos: Luiz Ventura


Anna Claudia Ramos, presidente da AEILIJ, recebendo o troféu das mãos do patrono da 55a. Feira do Livro de Porto Alegre, o autor Carlos Urbim.

Anna Claudia Ramos, Marilia Pirillo - Diretora de Cultura da AEILIJ e Hermes Bernardi Jr. - Coordenador Regional AEILIJ/RS, compartilhando a honraria.

O escritor e associado AEILIJ/RS Dilan Camargo, Carlos Urbim, Marilia Pirillo, Sônia Zanchetta - Coordenadora da Área Infantil da Feira do Livro de Porto Alegre, Anna Claudia Ramos, João Carneiro - Presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro e Hermes Bernardi Jr. 


Postado por H

RS: Convite - Moedas para o barqueiro


terça-feira, 27 de abril de 2010

SP: Convocação para reunião da AEILIJ SP dia 28/04/2010

Queridos aeilijianos,

Faremos a primeira reunião da nossa regional, dia 28 de abril de 2010, quarta, na Assembleia Legislativa de São Paulo, sala Teotônio Vilela. Às 19 hs, abriremos a pauta com assuntos de interesse da classe, inclusive, recolhendo sugestões a respeito do próximo homenageado. Como vocês devem saber, esse projeto começou em 2007, em parceria com o deputado Carlos Giannazi e na ocasião, homenageamos Tatiana Belinky. Em 2008 foi a vez de Nelly Novaes Coelho e em 2009, José Mindlin. Também falaremos sobre o espaço que a Praler vai oferecer aos ilustradores, em maio, no Parque da Água Branca. Às 20 hs, a Ceciliany da FTD fará uma palestra e para finalizar,a AEILIJ SP oferecerá um pequeno coquetel.

Estão todos convidados.

Um abraço,
Regina Sormani

quarta-feira, 21 de abril de 2010

SP: Quintas (4)




QUINTAS



Página Semanal de Marciano Vasques




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NO DIA 
EM QUE BEIJEI 
TATIANA BELINKY



No dia em que beijei a Tatiana Belinky, em que estive pela primeira vez com a  querida vovó do Brasil, a que um dia foi a menina louca por livros, em que a chamei de meu amor e pude abraçá-la, nesse dia também conheci pessoalmente o Chico dos bonecos, e meu coração foi invadido pelas Meninas do Conto na alegria.

No dia em que a beijei, o beijo do leitor apaixonado, nesse mesmo dia, porque a alma é grande, Orilde Hofmann estava lendo o livro de Erich Fromm. Sozinha em sua casa lendo "Análise do Homem".
Porque a alma é grande percorri como num filme os meus enganos, destinos que fui tecendo por esta grandeza na qual não há estudioso que venha a se debruçar.
Quisera planejar um escrito, escrever um texto acadêmico, quisera poder organizar a dor. Como tenho tanto que agradecer à vida! Só tenho que agradecer. Queria ser puro agradecimento, poder passar aos que lêem, que vendavais e festas repousam no alto da minha solidão escolhida, quando para a literatura retorno.


Ah, os grupos fechados de poetas! O silêncio, os amigos, os poetas da ternura, ou seja, da resistência, pois assim é a ternura, palavra que nos diz rocha, firme, dura, resistente. É comum a palavra mudar semanticamente, porém algo nela fica, e na ternura ficará sempre o rochedo primordial, principalmente na ternura do poeta. Pois afinal, ternura que se desfaz, que se transforma em areia, não é ternura, é plágio, pirataria do coração.
A palavra é exorcista, o medo é vencido pela palavra, a magia jamais abandonou a palavra. Ela que abre a porta, é ela que afugenta o medo, o medo do lobo, o que na literatura infantil de Chico Buarque vira bolo. Mas há outros chapeuzinhos, algumas trocam o chapéu por uma fita verde no cabelo. E a menina decide seguir atrás de suas asas ligeiras. Tudo era uma vez, disse o senhor Guimarães Rosa, que nasceu no quase fim de junho e junho já se aproxima. O homem que morreu de enfarte três dias depois de pronunciar um discurso falando os valores essenciais da vida.
Há quem diga que me preocupo demais com certas coisas, respondo que se não for assim a vida não vale a pena. Há várias formas de se enganar a vida, de passar o tempo, mas a vida é ferrenha. Demasiada autêntica, exige que seja preenchida com o verbo, isto é, não tem sentido se não for satisfeita, e isso só é possível por intermédio do verbo viver. 

Na mitologia da criação do mundo foi o verbo que fez a vida, isto está claro em Gênesis: o verbo faz a luz, luzifica o mundo. A luz se põe e fica no mundo através da palavra. O Deus bíblico é o Deus da palavra. Ele se apresenta ao mundo através dela, Ele está nela. A forma da sua apresentação é poética, profundamente literária. Palavra se manifestando belamente.
Por ser a vida regida pelo verbo viver, ela passa a significar a falta de acomodação, o que quer dizer mais ou menos o seguinte: não dá para não se preocupar com o que na vida está. A vida exige vida por um gesto de atenção a ela mesma.
 
Alfelizabeto, felicionário, palavras que invento. Depois penso em cair na estrada, penso que muito antes de surgir essa idéia em meu coração, tive o privilégio de cair nas estrelas. 
Fui me tornando adulto, o que fui percebendo ao reparar alguns pensamentos estragados, apodrecidos. 

Na canoa da vida, pensamento bom às vezes vira inveja. Mas inveja é coisa do alheio. E aqui, afinal, ainda estou com o rostinho redondo da Tatiana Belinky em meu pensamento. Encontrar alguém assim tão lindamente na altura dos seus anos de vida, é festa.
 
Por ter um compromisso tático com o filósofo e com o poeta, um compromisso de sobrevivência, um contrato mental, então a morte não me interessa, não me interessa como assunto, não suporto a idéia de estar com alguém que insista no assunto morte. Tenho plena consciência da sua inevitável chegada em todos os seres, mas o compromisso verbal de quem se aproximou dos poetas é com a vida.
Esse compromisso se dá pela leitura, pela palavra escrita, é ali que conheço e me aproximo do poeta, e então selo o pacto da vida.
 
Deve ser tão bonito ser Tatiana Belinky! Deve ser algo assim parecido com ter sido Paulo Freire. São pessoas que se tornam personagens, pessoas que não podem ser traídas. Se você trai Paulo Freire, por exemplo, é problema. Estou querendo dizer que haverá sempre um último porto, uma última resistência. Ou seja: ou a morada da ética está dentro de você, ou então...
 
Alguém na solidão de um apartamento lendo Erich Fromm, a vovó de rosto redondinho falando doçuras: nossa época não é totalmente descabida.



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RS: Convite: Por que ler os clássicos infantis?


segunda-feira, 19 de abril de 2010

SP: Pé de meia literário (8)

A dupla formação do educador: leitor e mediador

Quem acha que a vida é moleza, espie um pouco essa dupla mão da estrada do educador envolvido em ensinar seus alunos a gostarem de ler. Ao mesmo tempo em que vai se firmando como leitor, aprende e repassa o que aprendeu para formar outros leitores. Uma estrada de mão dupla: de um lado caminha o leitor e do outro lado caminha o mediador. Aprendendo a ler, o educador vai se fazendo leitor; descobrindo os caminhos da mediação, vai se fazendo um mediador.

Como leitor, o educador vai acumulando experiência de saborear textos, de encontrar saberes guardados, de lidar com o desejo e com a escolha. Sobretudo, o educador vai se fazendo leitor descobrindo o convite ao prazer da aprendizagem que todo texto faz.

Como mediador, o educador vai encontrando caminhos, formas e jeitos de se colocar entre o leitor aprendiz e o texto. Primeiro, bem perto, bem próximo, quase no meio, entre o leitor e o texto, de forma a sentir a respiração do aprendiz em seus contatos com o texto. Depois, ligeiramente mais distante, mas ainda quase ao lado, ouvindo o compasso dos olhos do leitor aprendiz. Finalmente, distante, ausente, mas ainda próximo, acompanha a precisão do tato na escolha feita pelo leitor, agora mais do que um aprendiz, do próprio caminho no diálogo com o texto.

A vida é assim: a gente aprende e ensina. Aprende com quem já sabe um pouco e ensina quem sabe outro pouco. Aprende com o colega educador do lado, com o recado no mural, com a página marcada do texto lido antes por alguém, aprende com o jogo de olhares dos aprendizes. E aprende consigo próprio. Além de aprender, o educador, leitor e mediador, ensina quem sabe pouco e quem sabe muito. Sabendo pouco ou muito, sempre há espaço para aprender com alguém por perto. Quem ainda não percebeu essa condição da vida, precisa pensar sobre isso. Rapidamente. Quem acha que sabe tudo, sabe pouco. Quem acha que sabe pouco, está pronto para aprender muito. E vai descobrindo, aprendendo, prestando atenção, ensinando, tomando cuidado. De repente pensa que está aprendendo, mas está mesmo é ensinando. E quando pensa que está ensinando, ah! está mesmo é aprendendo.

Aprender e ensinar. Ser leitor e mediador ao mesmo tempo solicita ao educador carinho pelo texto, olhar de curiosidade, persistência e paciência na acomodação constante dos novos sentidos. Solicita ouvidos atentos para a diversidade e pluralidade e demanda amorosidade na dose certa para acompanhar perguntas, dúvidas e indecisões.

Para encerrar esse dedo de prosa, fica um mote para você refletir, na esteira do pensamento pra lá de conhecido de Guimarães Rosa, que escreveu e disse, por entre sertões e veredas “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”: educador mesmo é aquele que se faz leitor e se dispõe à mediação.

Assim, assim, educadores vão se fazendo mediadores e leitores e enchendo nosso pé de meia literário com seu trabalho nas escolas do nosso país.


EDSON GABRIEL GARCIA
(educador, escritor e leitor nas muitas horas quase sempre vagas)