CAIPIROESIA
(Espécie de repente amoroso do folclore paulista, criado por Regina Sormani e assimilado por Eliana Martins).
Saudade pra mais de metro.
Já que ocê não vem e eu num vô...
Ficamo assim mermo, só de prosô
Uma lá e ôtra cá, cum amizade,
Pois nóis é amiga di verdade!
Gostô?
Gostei e respondo di vorta.
Num acho que nóis é amiga,
Mais irmã, meio torta.
Que num tem chove num móia,
nem medo de lambisgóia.
E nem memo tempo quente;
Se dá com toda gente.
Êta nóis! É bom pará,
senão começo a chorá!
Ou de cá ou de lá,
vamo se visitá?
Êta muié sem rodeio,
Que fala tudo qui pensa!
Se nóis continuá no proseio,
Num há di tê disavença.
Nossa amizade é jurada
E num se acaba por nada!
Chora não, cê é valente,
Bunitinha, inteligente...
Mais, as água vão rolá
E nóis vorta a se encontrá!
Deus te alumie minha amiga,
E a Mãe do Céu bendiga!
Cê é um doce de muié.
Inté!
2 comentários:
Nireuda Longobardi3 de março de 2010 07:02
Eita, que belezura!
Parabéns para as caipirinhas.
Beijos,
Nireuda.
Danilo Macedo Marques3 de março de 2010 09:27
As duas muié iscrivinhadêra
Tão longi, tão pertu, coisa dôrto múndu...
Êta modernidade, trem qui pula! Maravía!!!
Faiz bem in sidecrará de amor ansim, divéra!
Demonstra qui no coração lá nos profúndu
A lonjura só renova essa amizade todavia!
quarta-feira, 3 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
SP: Vice-Versa de Março de 2010
Participam do Vice-Versa de Março as escritoras Benita Prieto e Lúcia Fidalgo, da regional RJ. Obrigada e um grande beijo,
Regina
Lúcia Fidalgo
Benita Prieto
Perguntas de Benita Prieto para Lúcia Fidalgo
1- Bibliotecária, contadora de histórias e escritora... Como se deu esse percurso? Esses eram seus sonhos quando entrou na universidade?
Na verdade eu acho que eu sempre quis ser tudo isso e muito mais...Desde pequena eu dizia que queria ser professora. Como era a caçula, só dava para dar aulas para as bonecas. Depois é que nasceu meu irmão, mas, eu não dava aulas para ele.Tinha um desejo imenso de aprender a ler. Minha mãe diz que com 4 anos eu já lia alguma coisa. Acho que fui movida pelo desejo.Quando escolhi fazer biblioteconomia....(hoje eu acho que a biblioteconomia é que me escolheu)escolhi porque a biblioteca da minha escola não era a biblioteca dos meus sonhos e eu queria de verdade que ela fosse diferente....e quero até hoje. Ser contadora de histórias e escritora ( apesar de sempre fazer parte da minha vida essas narrativas) realmente eu não pensava em ser. Mas acho que essa linha de pesquisa já estava traçada na Universidade para mim. Meu olhar cigano me diz sempre que nascemos com uma das mãos construída e outra que vamos construir, e elas trabalham juntas. E juntando tudo isso, eu hoje sou o que sempre morou no meu desejo e no meu sonho. Ser professora. Uma professora bibliotecária, escritora e contadora de histórias.
2- Você tem uma história pessoal muito bonita de promoção de leitura em sua casa, pois sua mãe Dona Neuza é uma exímia narradora. Conte como aconteciam esses saraus com seus irmãos.
Realmente, minha mãe foi responsável por muitas coisas nessa minha escolha. Ela contava e cantava muito pra gente. Cantava músicas que ninguém na minha escola conhecia.Me embalava com as músicas de Lupicínio Rodrigues e Dolores Duran. Que música é essa?...Perguntavam meus amigos quando eu ameaçava cantarolar. Lá em casa todo mundo sempre cantou. Até meu pai, que não tinha lá a voz igual à dela, quando estava bem humorado, cantava fados da terra do pai dele. Cantar e contar para mim é muito parecido. Minha família é portuguesa, por parte de pai e de mãe. Mas vivi sempre com a família do meu pai, pois meu avô construiu um prédio com seis apartamentos e deu um para cada filho....E ali moramos: a família CRUZ FIDALGO....Por ai já começa uma história sem fim. Mas as melhores histórias eram contadas nas minhas férias. Passávamos em Mury, Nova Friburgo. Lá tínhamos uma casa bem pequena,mas grande em amor.Com janela e porta de coração, e quando chagávamos lá era alegria o dia todo . E de noite era só juntar as camas para um corpo aquecer o outro e abríamos bem os nossos ouvidos para escutar a voz doce e suave com que minha mãe costurava os nossos sonhos... Hoje ela não conta nem canta mais. Brigo com ela, mas, ela diz que não tem mais voz. Não é a voz que se cala, é o coração que silencia.
3- Dizem que o contador proclama as palavras do autor. Seria somente isso? O que é essencial para um contador de histórias?
Ah.... Se fosse só isso... Mas não é. Vejo o contador como um personagem que salta da história e veste palavras, se perfuma com os cheiros dos contos e vai seduzindo os ouvidos e olhos dos ouvintes que penetram naquilo que ele conta. Feitiço? Não, é o poder da palavra, palavra que ganha forma e formato e cresce lentamente até que a história termina e o ouvinte fica esperando mais. O contador precisa ter isso...essência, que embriaga, perfuma, encanta, seduz e convida sempre a escutar mais uma, mais outra e outra...Sherazade, todos nós temos um pouco dela.
4- Você acha que a Internet pode ser uma aliada da promoção da leitura?
Na promoção da leitura e em toda a construção de pesquisa que buscamos. Apesar dos caminhos tortos que ela possui, os caminhos verdadeiros são muitos e ótimos para ajudar na promoção do livro e da leitura. Como tudo na vida, para usarmos a internet também temos que saber fazer escolhas.
Perguntas de Lúcia Fidalgo para Benita Prieto
1- Conta um pouco da sua trajetória profissional com leitura, narração oral, produção... Começou como engenheira eletrônica?
Sou uma criatura inquieta e testei todas as áreas. Primeiro me formei Técnica de Laboratório em Análises Clínicas, pois queria ser médica. Depois fiz Engenharia Eletrônica por gostar de matemática e física. No entanto, a arte estava o tempo todo presente na minha vida através do Teatro que faço desde pequena.
Um dia resolvi "chutar o balde" e assumir minha veia artística. Foi aí que por artes e bruxarias de Maria Lúcia Martins cheguei à FNLIJ - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e ao projeto Meu Livro, Meu Companheiro, meu passaporte para o fascinante mundo da promoção da leitura. O resto aconteceu naturalmente. A convite de Celso Sisto entrei no Grupo Morandubetá de Contadores de Histórias, foquei meu trabalho como produtora cultural na área da leitura, voltei para a universidade e me especializei em Literatura Infantil e Juvenil e Leitura: Teoria e Práticas, passei a viajar, escrever... e lá se vão 20 anos.
2-Para você, qual o efeito da narração oral na formação do leitor?
Todos os relatos nos mostram que é a porta de entrada para o livro. E não conheço pesquisador respeitado que diga o contrário. Portanto, tenho que me render às evidências.
Acredito que ninguém fica indiferente à sedução da palavra bem dita. E tem outra coisa que está intimamente ligada à narração e a formação do leitor que é o afeto. Contar uma história é dividir com o outro o que de melhor existe dentro da gente, nossa emoção. O ouvinte terá desejo de buscar onde estão essas palavras que tanto o tocaram. Assim o processo se completa e chegamos ao texto escrito.
3-Como ouvinte de tantos contadores, como você recebe a palavra dita por eles?
Sempre me coloco na posição de aprendiz. As histórias contadas com verdade emocionam e daí pouco importa se a performance do contador é exuberante ou tímida. O que realmente vale é perceber meu imaginário tocado, meus sentidos mexidos, minha alma repleta. Quando ouço uma história bem contada me invade uma felicidade infantil, um desejo de contar para os outros o que ouvi.
4-E os seus projetos hoje como contadora, produtora, especialista em leitura... Fale um pouquinho de cada um deles.
Esse ano promete... Mas aprendi que o melhor é manter em segredo até assinar os contratos. Com certeza faremos o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias no Rio de Janeiro e Ouro Preto.
Mas uma ação que depende só de mim já coloquei na internet. É o blog: http://falandodeleitura.blogspot.com/ que pretendo seja um instrumento de ajuda para pais, professores. Acho que é minha obrigação compartilhar esse trabalho que desenvolvo há tantos anos.
Um comentário:
Tânia Alexandre Martinelli2 de março de 2010 12:41
Parabéns pela entrevista!
Que saudades de ouvir você contar história, Benita!
Um beijo grande!
Tânia Alexandre Martinelli
RJ: AEILIJ Solidária - Um dia, um livro
Em fevereiro de 2010, a autora Leny Werneck fez a ponte entre a AEILIJ e o Instituto Pró Criança Cardíaca. Após acordo com a Dra. Rosa Celia Pimentel Barbosa, fundadora do Instituto, criamos o projeto "Um dia, um livro", através do qual autores da associação visitavam o prédio de Botafogo para contar histórias para as crianças internadas. Entre os autores da AEILIJ que participaram estão Sandra Ronca e Simone Bibian que falaram sobre suas visitas e disponibilizaram fotos em seus blogs.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
RS: Notícias do Chile
Entre as centenas de brasileiros lamentavelmente surpreendidos pelo terremoto chileno, há um grupo de participantes de um Congresso Iberoamericano de Literatura Infantil. São por volta de quarenta , alguns dos quais convidados da fundação espanhola SM e do governo chileno. Entre estes, as duas brasileiras ganhadoras do premio Hans Christian Andersen, Lygia Bojunga e Ana Maria Machado, esta membro da Academia Brasileira de Letras. Estao também em Santiago escritores e ilustradores, funcionários do alto escalão do MEC e do MINC, pesquisadores e especialistas em literatura brasileira , bem como os promotores de nossas mais importantes iniciativas em prol da leitura. Ainda que todos passem bem, estão ansiosos por providências que permitam seu retorno ao país o mais breve possível.
Mensagem enviada por Peter O'Sagae, especialista em LIJ, um dos editores do site Dobras da leitura e do blogue Resumo do Cenário.
Postado por H
sábado, 27 de fevereiro de 2010
RJ: Exposição de Ilustrações Cores e Formas que contam Histórias em Belo Horizonte
Cores e Formas que Contam Histórias
De 04/02 a 31/03
Horário: seg a sex, das 9h às 17h30: sab e dom, das 9h30 às 12h15
Gratuito
Local:
Biblioteca Pública Infantil e Juvenil
Rua Carangola - 288
Santo Antônio
Fone: 3277-8658 / 3277-8651
A mostra reúne trabalhos de 25 ilustradores da Associação de Escritores e lustradores de Literatura Infantil e Juvenil, com imagens que integram livros infantis e juvenis lançados entre 2007 e 2009 no Brasil e no exterior. O objetivo é mostrar a beleza e a importância das ilustrações nos livros para crianças e jovens.
SP: Pé de meia literário (6)
Edson Gabriel Garcia
COOPERIFA SEMEIA NOVOS LEITORES
COOPERIFA é a sigla da Cooperativa de Artistas da Periferia, um movimento coordenado pelo poeta Sergio Vaz, há cerca de sete anos. A proposta é muito interessante: abrir espaço para os artistas da periferia mostrarem os seus trabalhos. A partir daí outras coisas rolam: abrir o espaço, organizar sessões de apresentação dos trabalhos artísticos, receber convidados, divulgar o evento. E a proposta foi crescendo, cada vez mais ampla, com mais gente, deslocando-se para outros locais, conseguindo parcerias, apresentando-se e ganhando espaços na mídia, aumentando o número de participantes, ganhando status de movimento vivo, inteligente, sensível e bonito. Uma afirmação incontestável de que há, para além do que se faz e mostra e se vende dentro dos cânones estabelecidos pela indústria cultural.
A COOPERIFA foi pensada e posta em ação pelo poeta Sergio Vaz, ele mesmo autor de versos conhecidos de muitos de nós, principalmente na leitura do seu livro Colecionador de Pedras, e tem como marca registrada os saraus poéticos realizados às quartas-feiras, a partir das dezenove horas, no Bar do Zé Batidão, no Jardim Guarujá, periferia paulistana. Ali nascem e se apresentam poetas do povo, gente do olhar esperançoso, de arte bonita, de domínio gostoso de versos sensíveis. Mas, a arte da COOPERIFA não se esgota ali, um movimento intenso que abre outros espaços, pensa outras direções, costura outras manifestações, e sobe para a laje. Literalmente sobe para a laje do prédio do bar e se instala com sessões de cinema ao ar livre.
Assim brevemente apresentada, a COOPERIFA se instala entre nós como um movimento artístico e social que cresce em várias direções, inclusive na direção do incentivo de leitura. Uma de suas ações, sobre a qual quero falar um pouco, se deu no final do ano passado, nas vésperas do natal. Mais uma vez, sob o olhar atento, a mão firme e a inteligência sensível de Sérgio Vaz, os artistas e amigos da COOPERIFA reuniram um punhado bastante razoável de livros para serem distribuídos aos meninos e meninas moradores das cercanias do local onde se realizam os eventos da COOPERIFA. Mas, apenas distribuir livros não era suficiente para o pessoal. Eles queriam mais: queriam distribuir os livros e conversam com os leitores potenciais, falar a eles da importância e da gostosura da leitura. E gastaram nisso pelo menos duas manhãs de finais de semana visitando as casas, conversando com as pessoas e presenteando-as com livros, papais noéis com sacos cheios de livros.
Por essas e por outras, a COOPERIFA vem se instalando no panorama social e cultural - e, talvez, político – brasileiro, E deixa suas marcas firmes , contribuindo para a construção do nosso pé de meia literário.
Que assim seja, sempre.
Sampa, fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
SP: Canto & Encanto da Poesia - O carnaval da criançada
O CARNAVAL DA CRIANÇADA
Gente, que coisa gostosa...
Que alegria infernal!
Assistir a gurizada,
Brincando eletrizada,
Seu festivo carnaval.
Tem meninos e meninas,
Dando banhos de confete,
Enrolando serpentinas,
Piratas e bailarinas,
Tem mendigo, tem vedete.
Entra em cena um pierrô,
Pintado de fazer dó...
Uma odalisca bacana
Pula com uma baiana,
O índio vai num pé só.
Um cupido gracioso
Atingiu meu coração!
Enquanto isso, uma fada
Vem da floresta encantada,
Com varinha de condão!
Tem aquela bonequinha
A Emília muito prosa!
Vem a todos empurrando,
Pelo salão arrastando
O Visconde de Sabugosa.
Olhe! O cordão dos palhaços!
É sempre o mais colorido,
Pula, só pra fazer graça,
Botando fogo na praça
Num bailado divertido!
Este carnaval é festa!
Hoje, tudo é fantasia...
É hora da garotada
Cantar, brincar, assanhada
Deixar cair na folia.
Poesia do livro Rebenta Pipoca, ed. Pioneira
© Regina Sormani ( todos os direitos reservados).
Gente, que coisa gostosa...
Que alegria infernal!
Assistir a gurizada,
Brincando eletrizada,
Seu festivo carnaval.
Tem meninos e meninas,
Dando banhos de confete,
Enrolando serpentinas,
Piratas e bailarinas,
Tem mendigo, tem vedete.
Entra em cena um pierrô,
Pintado de fazer dó...
Uma odalisca bacana
Pula com uma baiana,
O índio vai num pé só.
Um cupido gracioso
Atingiu meu coração!
Enquanto isso, uma fada
Vem da floresta encantada,
Com varinha de condão!
Tem aquela bonequinha
A Emília muito prosa!
Vem a todos empurrando,
Pelo salão arrastando
O Visconde de Sabugosa.
Olhe! O cordão dos palhaços!
É sempre o mais colorido,
Pula, só pra fazer graça,
Botando fogo na praça
Num bailado divertido!
Este carnaval é festa!
Hoje, tudo é fantasia...
É hora da garotada
Cantar, brincar, assanhada
Deixar cair na folia.
Poesia do livro Rebenta Pipoca, ed. Pioneira
© Regina Sormani ( todos os direitos reservados).
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
SP: Projeto Escritor na Biblioteca
AEILIJ-SP E O DEPUTADO CARLOS GIANNAZI VISITAM O SECRETÁRIO MUNICIPAL DE CULTURA DE SÃO PAULO PROPONDO A REATIVAÇÃO DO PROJETO ESCRITOR NAS BIBLIOTECAS

O escritor Edson Gabriel Garcia, membro do Conselho da AEILIJ, esteve representando a entidade em encontro com o Professor Dr. Carlos Augusto Calil, titular da pasta da Cultura do município de São Paulo, na Galeria Olido, sede da pasta, nesta sexta-feira passada, às 17 horas. Também estava presente o Deputado Estadual Carlos Giannazi que entregou ofício ao secretário solicitando a reativação do projeto ESCRITOR NA BIBLIOTECA. O encontro e a conversa foram animadores, passando pela valorização da leitura, das bibliotecas e pela importância da literatura infantil e juvenil no panorama editorial brasileiro. O secretário Calil concordou com nossa solicitação e reconheceu a qualidade desses encontros e sua importância para a formação de novos leitores.
Postado por Danilo Marques às 08:59
2 comentários:
May Shuravel24 de fevereiro de 2010 11:37
Saudade desse projeto. Temos inúmeras oportunidades para conversar com nossos leitores nas escolas particulares,mas só o "Escritor na Biblioteca" nos proporciona encontros com alunos da rede pública.Fico torcendo pela volta do programa.
um abraço
May Shuravel
Eliana Martins25 de março de 2010 06:42
Eu também aguardo,com muito interesse, o retorno do projeto. Parabéns Edson pelo empenho.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
SP: Vice-Versa de Fevereiro de 2010
Participam deste Vice-Versa:
A escritora Luana von Linsingen e a ilustradora Márcia Cardeal, da regional SC
Obrigada, um forte abraço,
Regina Sormani
Márcia Cardeal

Luana von Linsingen
Perguntas de Luana von Linsingen
1. Costumavas pintar muito as paredes da casa? Como teus pais e familiares reagiam a essas demonstrações de talento?
R: As paredes nem tanto. Mas lembro que gostava muito de desenhar no chão, na areia, com um graveto. Eram desenhos imensos, eu podia “entrar” nas casas que desenhava (aliás, ainda adoro fazer isso!). Depois, quando aprendi a ler, desenhava nas margens dos livros. Eram livros com poucas imagens e muito texto. Minha mãe, professora, não gostava que lêssemos gibis, pois achava que eram pobres em conteúdo e eu não poupava nem os da biblioteca da escola.
2. O computador é uma ferramenta corrente em teu trabalho como ilustradora? Se sim, ele te deixa satisfeita ou sentes falta do “cheirinho de tinta”?
R: O uso do computador, para mim, ainda está mais relacionado ao trabalho de diagramação, ao projeto gráfico, à arte final do livro. Gosto muito da ilustração feita à mão, da textura do material, o desenho ali respirando na pele, nos poros do papel. Gosto da identidade do desenho à mão, aquela coisa quase caligráfica que no computador ainda me parece “imitação”. Mas, por outro lado, o computador é uma ferramenta indispensável e acho que preciso explorar mais o que os programas gráficos oferecem hoje.
3. O que pensas da crescente valorização do ilustrador de literatura infantil e juvenil – demonstrada pela exibição do nome nas capas dos livros, em mesmo tamanho que o do escritor?
R: É um espaço conquistado, mas ainda há muito que se percorrer, até mesmo nas questões de direito autoral. Além disso, considero poucos os estudos sobre a ilustração para a infância, por exemplo. São assuntos que poderiam estar sendo mais (e seriamente) discutidos dentro das universidades, inclusive. Sinto falta disso.
4. Realizaste recentemente um trabalho de mestrado que abrangia ilustração infantil e crianças cegas. O que te levou a esse campo de pesquisa, quais eram tuas expectativas e qual foi – se é que houve – o impacto disto na tua produção enquanto ilustradora?
R: Há alguns anos eu ilustrei um livro de poesia para crianças que acabou sendo traduzido para o sueco, inglês, e transcrito para o Braille. Este livro fazia parte de meu portfólio, um dos requisitos (além do projeto de pesquisa e das provas) para a seleção do mestrado ao qual me candidatei. Foi o que chamou a atenção de minha orientadora, fazendo com que ela me lançasse o desafio de incluir no projeto a questão tátil, pois se aproximava de sua pesquisa sobre o ensino de desenho para crianças cegas. O início foi literalmente um “tatear no escuro”, muito desconfortável principalmente pela escassez de bibliografia. Você entra em um mundo completamente desconhecido e do qual não consegue se aproximar, pois os conceitos da visualidade impregnam todos os outros sentidos e, de alguma maneira isso parece atrapalhar. Mas é muito instigante também. Acabei me apaixonando pelo assunto e a pesquisa se desdobrou em uma proposta de ilustração tátil que virou uma mostra itinerante promovida pelo SESC-SC, intitulada “Mãos para Ver”. Eu ilustrei três estórias escritas por Maria Lúcia Batezat Duarte (minha orientadora na pesquisa) durante suas experiências com o ensino de desenho para crianças cegas: a estória da linha curva (Família Enroladinha), do círculo (O Sonho Redondo de Manu) e do quadrado (A Casa Quadrada). Para cada ilustração visual, em tinta, corresponde uma versão tátil, em relevo. Esta forma tátil é ainda uma proposta experimental e se situa nos primeiros resultados da pesquisa teórica, mas tem provocado algumas discussões interessantes, já (a mostra iniciou em setembro de 2009 e deve ir até 2015). E é esse o principal objetivo, a reflexão sobre o que se tem produzido para este tipo de público. Como uma criança cega alcança (se alcança) o que se está produzindo? O que é inclusão, além dos números estatísticos, por exemplo? É preciso ter ouvidos para este escutamento, eu acho.
Perguntas de Márcia Cardeal
1. Luana, você começou a escrever muito cedo. Como foi este processo todo, até ter o primeiro livro publicado?
R: Costumo dizer que comecei a escrever porque fiquei míope. Uma miopia danada – eu entrava no banho de óculos, para me localizar, e só tirava depois que embaçava muito. Sem a visão perfeita, passei a ficar muito inibida, temerosa mesmo, em “fazer arte”: trepar em árvores, escalar muros, ir no fundão do mar, essas coisas. Então fui me deslocando para outra coisa que gostava muito: ler, escrever e desenhar. Crianças gostam disso, só que algumas são mais estimuladas do que outras para que sigam em frente com a coisa. O desenho, por exemplo, me foi bastante desestimulado. Hoje não desenho nem palitinho. Mas ler, em uma casa de leitores assíduos, não foi um problema, e escrever, em uma família de poetas e contistas, foi uma atividade recebida com entusiasmo. Como todo mundo gostava, peguei o costume de guardar meus escritos – tenho um “original”, cheio de erros gramaticais e grampos enferrujados, que desovei aos 9 anos. Por isso brinco que comecei nesta idade, de forma não oficial. Disto até meu primeiro livro publicado, que escrevi aos 13, diversas histórias foram iniciadas e abandonadas. Este primeiro livro também entraria nessa lista, não fosse a Rosana Rios. Ela foi passar férias na casa dos meus pais e minha mãe comentou que eu estava escrevendo um livro. Ela se interessou, leu e me mandou terminar a história. Quando terminei, me mandou datilografar tudo. Foi assim que entrei em contato com o computador, aquele de letras verdes, fundo escuro, tela curva, trambolhão bege. Lutei com o bicho, domei-o, digitei meu livro e o mandei para a Rosana. Depois, recebi uma carta contando que ela enviara, por conta própria, à Editora Saraiva; eles entraram em contato depois, e precisei revisar quilômetros de páginas, brigar por algumas ideias e ter um bocado de disciplina. Consegui, e assim saiu “A Casa de Hans Kunst”, hoje na 4ª edição.
2. Você, além de escritora, é professora de Ciências no ensino fundamental. A experiência de sala de aula de alguma maneira já influenciou, inspirou, provocou em você aquela “coceira” para escrever um texto literário?
R: Na verdade, acontece o contrário. É tanta coisa para estudar, preparar, enfrentar e pensar, que meu lado criativo é emperrado durante o ano letivo inteiro. Só volta nas férias.
3. Como você vê o mercado editorial direcionado à literatura para a infância e juventude em Santa Catarina?
R: Não tenho livros publicados por editoras catarinenses, então me sinto à margem deste mercado. Por outro lado, vejo poucas livrarias na cidade (Florianópolis, capital de SC), todas pequenas, e quando alguma apresenta autores catarinenses, estão em uma prateleira miúda, quase como desencargo de consciência. A impressão que passa é que temos poucos escritores, e os poucos que temos ainda estão mais voltados a livros turísticos. O que acontece? Falta apoio, falta credibilidade, falta visibilidade, e falta tudo isso porque falta adesão entre os escritores catarinenses. Estão todos soltos, como linhas de um cobertor esfiapado. Um cobertor assim não agrada ninguém, não chama atenção.
4. O que você gostaria de nos contar sobre seu trabalho, que não foi perguntado?
R: Algo que sempre me intrigou foi o espanto daqueles que me conheciam como escritora, e eu revelava ser bióloga de formação; e o espanto daqueles que me conheciam como bióloga, quando eu afirmava ser escritora de literatura infantojuvenil (não só de artigos). Por que tanto espanto? Não vejo uma relação obrigatória entre o trabalho com a escrita e a formação em alguma área diretamente relacionada à escrita. Sou escritora há mais tempo do que sou bióloga, e nunca desejei ir para o Jornalismo ou para Letras; sempre gostei de saber como a vida funciona, intrinsecamente. Ao longo deste convívio vamos dizer dúbio fui notando que as Literaturas e as Ciências não são tão distantes como se costuma pensar, e não estou me referindo apenas à Ficção Científica. Foi por esse caminho que segui quando fiz mestrado: busquei aproximar a literatura infantil com o ensino de ciências. Foi e continua sendo algo muito estimulante!
Postado por Regina Sormani às 05:58
Um comentário:
Valéria C.15 de fevereiro de 2010 04:54
inicialmente fui lendo com um sentimento de admiração por uma amiga que sabe do que fala... mas aí, fui arrepiando... arrepiando... rs
beijo Márcia e beijo também, Luana
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
SP: Centenário do Dr. Carlos Costa
A trajetória do dr. Carlos Costa faz parte da história do livro didático no Brasil. Sua vida foi marcada pelo ideal da educação, o que melhor define o caminho por ele percorrido. Fundador da Editora do Brasil, um dos grupos editoriais mais tradicionais do país, ele completaria 100 anos em 2010. Nascido em 4 de fevereiro de 1910, em São Pedro, SP, aos 16 anos entrou para a Faculdade de Medicina de São Paulo. Aos 22 anos, sua tese de doutoramento recebeu a medalha de ouro do Instituto Médico Legal pelo melhor trabalho de 1932.
Ao longo de sua vida, foi médico, professor e autor de livros didáticos.
Publicou obras nas áreas de Botânica, Anatomia, Fisiologia e Química. Em 1943, movido pelo ideal de disseminar o conhecimento, coordenou o grupo de associados que criou a Editora do Brasil S.A. A partir daí, fez das edições de livros didáticos e paradidáticos a razão de ser de sua vida, transformando sua editora em uma organização a serviço dos educadores. Lutou pela melhoria do ensino no país, expandiu e modernizou os livros didáticos com conteúdos adequados à realidade nacional. Deixou um legado de dignidade profissional, que fez da Editora do Brasil uma empresa que tem muito orgulho de ser brasileira.
A visão do dr. Carlos Costa nos trouxe até aqui. A sua missão sempre foi o nosso maior valor.
Uma visão de sucesso
Um dos principais autores da educação e da história do livro didático no Brasil, dr. Carlos Costa, fundador da Editora do Brasil, recebe neste dia 4 de fevereiro, às 16h30 uma homenagem pelo seu centenário de nascimento e pelas realizações em prol da educação durante todo o seu percurso.
Dr. Carlos Costa traçou um importante objetivo na história do livro no Brasil, fez da educação um ideal de vida para os brasileiros ampliando o acesso e a relação entre o livro e o usuário do livro a preços acessíveis e com a qualidade do conteúdo editorial. Esse ideal deu bons frutos ao longo dos 67 anos da Editora do Brasil e representa uma importante marca no mercado editorial. No site www.editoradobrasil.com.br — institucional, você confere de perto a linha do tempo e as transformações do livro didático a serviço dos educadores.
Sua participação não para nos livros didáticos, penetra por outras plataformas da educação. A Editora do Brasil é sócio-fundadora da Câmara Brasileira do Livro – CBL, do Sindicato Nacional dos Editores de Livros – SNEL, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil –FNLIJ e da Associação Brasileira dos Editores de Livros – ABRELIVROS.
Contato:
Salícia Cavalcanti — salicia@editoradobrasil.com.br
Editora do Brasil
(11) 3226-0202
www.editoradobrasil.com.br
Postado por Regina Sormani às 18:21
Um comentário:
Fler Comunicação&Design17 de fevereiro de 2013 09:49
Parabéns pela bela história em que nesses 67 anos se construiu (Editora do Brasil) em seu aniversário do centenário do grande mestre e pioneiro Dr. Carlos Costa.
att.
Leonardo M. D'Angelo
leo.marquesdangelo@gmail.com
diagramador/designer grafico
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