segunda-feira, 11 de junho de 2012
RS: Regional RS da AEILIJ debate com outras entidades ligadas ao Livro e Leitura
9h às 11h30min
Encontro de Escritores da AGEs- AEILIJ - ACE
"Escrevo, logo sou escritor?"
Jacira Fagundes - Escritora e Coordenadora Regional AEILIJ
Jairo Luiz de Souza - Presidente da ACE
Oscar Bessi Filho e Marlon de Almeida - Representantes da AGEs
Local: Auditório Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva
13h30min às 15 h
Encontro de Escritores da AGEs, AEILIJ - ACE
"Se todos são escritores, onde estão os leitores?”
Clô Barcelos - Clube dos Editores
Rodrigo Rosp - escritor e editor
Ruben Penz - representante da AGEs
Cimara Melo - IFRS
Jacira Fagundes - Escritora e Coordenadora Regional AEILIJ
Local: Auditório Biblioteca Pública Municipal João Palma da Silva
Postado por H
NE: III Concurso CEPE de Literatura Infantil e Juvenil
ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES
Premiação totaliza R$ 32 mil reais
A Companhia Editora de Pernambuco - Cepe abriu inscrições até 30 de agosto ao III Concurso Cepe de Literatura Infantil e Juvenil, que tem o objetivo de revelar novos escritores brasileiros e contribuir para a formação de leitores. Os candidatos concorrem a prêmios que totalizam R$ 32 mil: R$ 8 mil para o primeiro colocado de cada categoria, R$ 5 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro; e têm a chance de publicação da sua obra pela Cepe Editora.
No primeiro concurso, em 2010, foram inscritas 435 obras, das quais foram publicadas 12. No segundo, realizado no ano passado, foram 333 obras concorrentes, das quais foram selecionadas seis, que serão apresentadas ao público no próximo mês de julho: O mar de Fiote, da mineira Mariângela Haddad; Maria das vontades, da jornalista pernambucana Adriana Victor; e O hipopótamo que tinha ideias demais, da cearense Aline Bussons, todos destinados ao público Infantil. Na modalidade Juvenil, serão lançados O dia em que os gatos aprenderam a tocar jazz, do carioca Pedro Henrique Barros; A valente princesa Valéria, de João Paulo Vaz, também do Rio de Janeiro; e O decifrador de poemas, de Viviane Veiga Távora, de São Paulo.
O concurso é aberto a brasileiros e estrangeiros legalizados, residentes no território nacional, de qualquer idade. Os textos da modalidade Infantil são destinados a leitores de seis a 10 anos de idade e os da modalidade Juvenil são para adolescentes entre 11 e 16 anos. Os interessados poderão se inscrever nas duas modalidades de premiação. As obras serão analisadas por uma comissão julgadora composta de cinco membros, entre especialistas em literatura infantojuvenil e profissionais das áreas de educação e cultura. O regulamento do concurso está disponível no portal da Cepe: http://www.cepe.com.br/
domingo, 10 de junho de 2012
SP: Página do Rospo (5)

O CHAMAMENTO DA LITERATURA
—Rospo, estive pensando: o filósofo é um ser para a vida, não é?
—Sim, um ser para a felicidade.
—Como seria o mundo se Epicuro tivesse vencido, em vez de Platão?
—Boa pergunta, Sapabela.
—E a boa resposta, meu amigo?
—"Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades"
—Que mais, Rospo?
—"Não temos nada que temer aos deuses"
—"Qual é para você o filósofo da felicidade?
—Espinosa.
—Sofreu muito.
—Que encanto a sua vida!
—Acredita em outra possibilidade para a filosofia?
—Não. Só a felicidade. Se a filosofia não causar alegria no ser, não terá cumprido a sua essência. Os momentos de tristeza da humanidade foram momentos de afastamento da alegria da filosofia.
—A filosofia tem uma irmã?
—Tem. A literatura.
—É possível afirmar que a literatura é também alegria e felicidade?
—Sim.
—Mas tem literatura que nos leva à reflexão, e outras que abordam questões tristes...
—Por isso mesmo.
—Esmiuçando, por favor.
—O leitor apaixonado fica feliz diante da reflexão. Esse é o bem maior da literatura. Assim, dessa forma, veja só: mesmo quando a literatura expôr situações de tristezas e infortúnios da humanidade, estará regando o espírito do leitor.
—Gosta da palavra espírito, não é, Rospo?
—Sanchoniaton !
—Isso é uma gíria nova?
—O "espírito" não tem aqui nenhuma conotação religiosa. É a palavra em seu sentido filosófico.
—Verdade que ganhou de presente de aniversário um livro de Goethe e nunca leu?
—"Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister". Mas li pelo menos umas cem páginas.
—Pretende ler o livro inteiro, Rospo?
—Pretendo, Sapabela, só não sei quando.
—Sobre a literatura eu pensava que só a infantil fosse sinônimo de felicidade.
—Nada, menina!
—Nunca me chamou assim. Gostei.
—Eu também, Sapabela. Veja só: às vezes sinto uma felicidade estranha. Essa felicidade estranha é a literatura. Quando Montaigne falou que na biblioteca estão os melhores espíritos, os espíritos encantados da humanidade, ele se esqueceu de dizer que esses espíritos estão com você, em você quando subitamente sente uma vontade inexplicável de reler um livro.
—Umas das maiores tragédias da humanidade foi o incêndio que destruiu a biblioteca de Alexandrina. Como será no futuro, se as bibliotecas, dizem, serão todas virtuais? Estará preservado para sempre o tesouro infinito?: Mas fale da vontade inexplicável.
—Sim, repentinamente surge aquela vontade de reler um livro, de Jorge Amado, por exemplo, como Jubiabá...
—Felicidade pura.
—Ou "Memórias de minhas putas tristes", ou "Tia Júlia e o escrevinhador"...
—Como você explica isso?
—É o chamamento da literatura.
—Chamamento da literatura?
—Acredite! Quando você está em certas circunstâncias cotidianas a literatura a chama.
—A poesia sempre pisca pra mim.
—Pois é, esse chamamento é um mecanismo de defesa interior da mente, que busca, sempre, a felicidade.
—Rospo, e eu comecei falando de filosofia.
—Dessa irmandade não escapamos, Sapabela.
—Vamos ao nosso chocolate expresso?
—Sim, vamos, esse é o chamamento da amizade.
—Só me faz rir, Rospo.
MV
sexta-feira, 8 de junho de 2012
SP: Página do Rospo (4)
FALANDO DE “RALACIONAMENTOS”
Rospo encontra uma amiga.
—Rospo, não consigo me entender com meu namorado.
—O que não acontece?
—Perguntou errado, Rospo. Deveria ser "o que acontece?".
—Pois que seja.
—Ele quer controlar a minha vida.
—Terá que resolver com ele.
—Não dá. Ele nem me ouve. Só vive falando de si.
—Às vezes, quem não tem, fala.
—Não entendi.
—A falta de conteúdo, em alguns casos, força o sapo a se expor mais numa falação de léguas. Quer enfiar goela abaixo dos ouvidos o seu currículo. Lembro-de que quando participava do movimento literário alternativo...
—Cuidado com o que vai dizer, meu querido!
—Tinha uns colegas que publicavam nas revistas alternativas imensos e quase intermináveis currículos, nos quais, entre outras coisas, às vezes apareciam dezenas e dezenas e dezenas de entidades às quais eles participavam...
—E daí? Sempre ajuda, não é?
—Outros faziam diferente.
—Como faziam, Rospo?
—Publicavam poemas inéditos, contos. Faziam. Não desprezo o falar de si, mas sempre me apego ao ditado alagoano, "O Feito Fala".
—Vamos voltar para o meu namorado?
—Volte você.
—Você me faz rir, Rospo.
—Talvez esteja precisando disso. Rir. Rir sem parar. O riso é o maior terapêutico da alma. Se você rir de gargalhar e se deixar levar pelo seu próprio riso, quando estiver à sós, ou com uma amiga ou um amigo...
—O que tem, Rospo?
—Irá perceber o que falta em sua vida, ou melhor, irá perceber "o que não acontece" em sua vida com o namorado. Não acredito, sinceramente, em nenhum ralacionamento em que não faça parte o riso, o riso autêntico, o riso farto, o riso gostoso, de leveza explícita...
—Você falou errado, meu amigo. Não é ralacionamento.
—No seu caso é. Um relacionamento em que um atrofia o outro, que tenta anular a potencialidade do outro, em que esmaga a alegria genuína que cada ser possui, não é um relacionamento. É um ralacionameno, em que um rala o outro.
—Rospo, devo me separar do meu namorado?
—Nem um psicanalista deve responder isso de forma explícita.
—Está um pouco atrevido hoje, Rospo. Mas se ninguém pode me responder, como poderei agir?
—As respostas estão em você. Se considerar que seu "relacionamento" esmagador é benéfico, tudo bem, se considerar que ele está bloqueando e impedindo o seu inalienável direito ao riso, deverá saber o que fazer.
—Muitas sapas sofrem...
—Muitos sapos também, não se esqueça. Prossiga.
—Pois bem: muitas sapas, ou sapos, sofrem, mas não deixam o parceiro. Isso é masoquismo.
—Talvez falte o essencial. Uma conversa consigo mesmo. O tal mergulho. As coisas são simples, as convenções são seculares. Dois mil anos de sedimentos, de sedimentação, não se removem de uma hora para outra.
—Obrigado, Rospo. Vou ter uma conversa séria com ele.
—Espere um pouco, menina. Vai pular a primeira conversa?
—Não entendi.
—A conversa com você mesma, lembra?
—É mesmo! Você tem razão. E sua amiga, como vai?
—Sapabela? Moça! Temos um sorvete às dez horas. Tchau!
—Corra, Rospo! Se ela ficar brava por causa do atraso, diga que foi por uma boa causa.
—Ela não ficará brava, minha querida.
—Uma última coisa: devo procurar um lago, para me isolar?
—Por qual motivo?
—A conversa comigo.
—Pode ser caminhando na calçada, no ponto de ônibus. Onde quiser.
—Meu namorado vai ver!
—Sapinha. Deixe a armadura em casa, e vá para essa conversa com a alma cristalina, límpida, translúcida. O sol sempre vence.

ROSPO NA AEILIJ PAULISTA — 4
Marciano Vasques
2 comentários:
Nil Medeiros9 de junho de 2012 09:44
Atingiu o alvo.
Regina Sormani9 de junho de 2012 12:37
Que ótima notícia!!! O fã-clube do Rospo agradece.
Bjão,
Regina
Rospo encontra uma amiga.
—Rospo, não consigo me entender com meu namorado.
—O que não acontece?
—Perguntou errado, Rospo. Deveria ser "o que acontece?".
—Pois que seja.
—Ele quer controlar a minha vida.
—Terá que resolver com ele.
—Não dá. Ele nem me ouve. Só vive falando de si.
—Às vezes, quem não tem, fala.
—Não entendi.
—A falta de conteúdo, em alguns casos, força o sapo a se expor mais numa falação de léguas. Quer enfiar goela abaixo dos ouvidos o seu currículo. Lembro-de que quando participava do movimento literário alternativo...
—Cuidado com o que vai dizer, meu querido!
—Tinha uns colegas que publicavam nas revistas alternativas imensos e quase intermináveis currículos, nos quais, entre outras coisas, às vezes apareciam dezenas e dezenas e dezenas de entidades às quais eles participavam...
—E daí? Sempre ajuda, não é?
—Outros faziam diferente.
—Como faziam, Rospo?
—Publicavam poemas inéditos, contos. Faziam. Não desprezo o falar de si, mas sempre me apego ao ditado alagoano, "O Feito Fala".
—Vamos voltar para o meu namorado?
—Volte você.
—Você me faz rir, Rospo.
—Talvez esteja precisando disso. Rir. Rir sem parar. O riso é o maior terapêutico da alma. Se você rir de gargalhar e se deixar levar pelo seu próprio riso, quando estiver à sós, ou com uma amiga ou um amigo...
—O que tem, Rospo?
—Irá perceber o que falta em sua vida, ou melhor, irá perceber "o que não acontece" em sua vida com o namorado. Não acredito, sinceramente, em nenhum ralacionamento em que não faça parte o riso, o riso autêntico, o riso farto, o riso gostoso, de leveza explícita...
—Você falou errado, meu amigo. Não é ralacionamento.
—No seu caso é. Um relacionamento em que um atrofia o outro, que tenta anular a potencialidade do outro, em que esmaga a alegria genuína que cada ser possui, não é um relacionamento. É um ralacionameno, em que um rala o outro.
—Rospo, devo me separar do meu namorado?
—Nem um psicanalista deve responder isso de forma explícita.
—Está um pouco atrevido hoje, Rospo. Mas se ninguém pode me responder, como poderei agir?
—As respostas estão em você. Se considerar que seu "relacionamento" esmagador é benéfico, tudo bem, se considerar que ele está bloqueando e impedindo o seu inalienável direito ao riso, deverá saber o que fazer.
—Muitas sapas sofrem...
—Muitos sapos também, não se esqueça. Prossiga.
—Pois bem: muitas sapas, ou sapos, sofrem, mas não deixam o parceiro. Isso é masoquismo.
—Talvez falte o essencial. Uma conversa consigo mesmo. O tal mergulho. As coisas são simples, as convenções são seculares. Dois mil anos de sedimentos, de sedimentação, não se removem de uma hora para outra.
—Obrigado, Rospo. Vou ter uma conversa séria com ele.
—Espere um pouco, menina. Vai pular a primeira conversa?
—Não entendi.
—A conversa com você mesma, lembra?
—É mesmo! Você tem razão. E sua amiga, como vai?
—Sapabela? Moça! Temos um sorvete às dez horas. Tchau!
—Corra, Rospo! Se ela ficar brava por causa do atraso, diga que foi por uma boa causa.
—Ela não ficará brava, minha querida.
—Uma última coisa: devo procurar um lago, para me isolar?
—Por qual motivo?
—A conversa comigo.
—Pode ser caminhando na calçada, no ponto de ônibus. Onde quiser.
—Meu namorado vai ver!
—Sapinha. Deixe a armadura em casa, e vá para essa conversa com a alma cristalina, límpida, translúcida. O sol sempre vence.

ROSPO NA AEILIJ PAULISTA — 4
Marciano Vasques
2 comentários:
Nil Medeiros9 de junho de 2012 09:44
Atingiu o alvo.
Regina Sormani9 de junho de 2012 12:37
Que ótima notícia!!! O fã-clube do Rospo agradece.
Bjão,
Regina
quinta-feira, 7 de junho de 2012
SP: Quintas (62)
A NECESSIDADE IMPERDÍVEL
A revolta dos guarda-chuvas? O trem chegou atrasado? Meninos, o trem! Se não há encanto nos olhos de encharcar é porque a época tem um toque de tristeza que não pode ser desprezado. Comecei esta “Quinta”, com livros de Sidonio Muralha, um dos mais fecundos poetas para crianças. Dedicou sua vida apaixonante à literatura infantil. Nasceu em Lisboa e viveu aqui no Brasil.
Recentemente perguntei a uma menina de nove anos, se ela conhecia um poema de Cecília Meireles. “Quem é essa?”, perguntou a pequena, que aprende com uma velocidade estonteante tudo no celular. Jamais irei alcançar em destreza tecnológica essa nova geração. E lá vem Orkut, (quem ainda não se lembra?) e lá vai algo que no horizonte nos aponta um pedido de pausa.
Cecília? Nasceu no Rio de Janeiro, e foi criada por uma avó que cantarolava tudo que era cantiga, e recitava ditados populares, e parlendava o dia inteiro. Foi com ela que a menina aprendeu que “a vida é um conto que acontece”.
Crianças, não se sabe direito ainda se a vida é “Ou isto ou aquilo”.
Bartolomeu Campos de Queirós, é tanta felicidade, menina, que só caberia mesmo num poema.
Num circo! Onde mais? Onde mais? Vá buscar seu coração na poeira da tarde, vá nos capinzais, nas teias orvalhadas refletindo gotículas de arco-íris, vá nas páginas de um livro. Um livro? É, nos sonetos e versos de Carlos Drummond de Andrade. “Só fala de gente que não conheço!”.
Veja, no caminho da escola tem um mundo, tem um mundo.
Acredito, e só acredito, eu, que aqui escrevo, numa educação poética, de encantar meninas e meninos. Não tem mais espaço para tal coisa? A realidade agora é sinônimo de velocidade, será que não percebo?
Fast Food. O cinema não diz, não traduz. Os professores poderiam causar a revolução essencial. Mais isso não acontece, então, precisamos repensar tudo. Isso não acontece, mas é bom saber que tem muitos professores com a alma repleta de poesia, minha pequena.
Tem gente escrevendo em Portugal para crianças, tem na América Latina, tem em todos os lugares do mundo, e aqui também, naturalmente. Temos poetas, e dos bons, aos montes, menina, temos sim, meninos. A vida é uma doce caminhada na calçada, criança, a vida é Quintana, é mesmo, é um doce de Cora Coralina. Quando a poesia infantil adentrar de vez na sala de aula, o coração de giz irá se expandir de tal forma, que só quem for criança ou tiver o olhar repleto de espantos, irá sorrir um sorriso de pedrinhas de brilhantes.
Se alguém não souber por onde anda a poesia infantil, é só procurar, e ela se abrirá em mil girassóis. Poesia infantil não brinca de esconde-esconde. Ela está sempre onde uma criança estiver.
Marciano Vasques
Um comentário:
Regina Sormani9 de junho de 2012 12:58
Marciano, aquilo que vc falou a respeito da poesia infantil, foi, realmente, muito oportuno e feliz. Adorei!!
Bj da Regina
segunda-feira, 4 de junho de 2012
SP: Quem conta um conto... - Regina Sormani / Fábio Sgroi
Oi, tudo bem?
Como o mês de junho é dos namorados, a escritora REGINA SORMANI aceitou o convite para deixar neste canto do blog OS FIOS INVISÍVEIS DO AMOR.
Envolva-se neles também!
Os fios invisíveis do amor
Li alguns anos atrás, uma fábula chinesa que contava o seguinte:
Cada pessoa, ao nascer, traz amarrados aos pés fios invisíveis e muito, muito longos que, durante sua vida devem encontrar seus pares, nos pés de outra pessoa. O destino se encarrega de juntar essas almas gêmeas, de forma, muitas vezes, inusitadas. Na fábula, a filha única do imperador se apaixona por um rapaz de família simples e se rebela contra a vontade do pai que pretende casá-la com um príncipe rico e cruel. O rapaz pobre é condenado à morte pela ousadia de se aproximar da princesa e tudo parece perdido para o casal de apaixonados. Porém, na hora da execução, o carrasco percebe que o moço traz no pescoço, um cordão com uma medalha e a entrega ao imperador. Este pedaço da fábula, todo mundo conhece: na verdade, o rapaz é o filho de um nobre e valente amigo do imperador, desaparecido num campo de batalha. A medalha é o documento de identidade do namorado da princesa. Desvendado o mistério, tudo acaba bem. Os fios invisíveis do amor cumprem seu destino. A princesa e seu amado casam-se e vivem felizes para sempre.
Deixando de lado a fábula chinesa e as artimanhas do destino, conheço alguns casos que acontecem no dia -a- dia e que merecem, pelo menos, alguns segundos da nossa atenção. Acompanhei de perto a história a seguir:
Osmar estava noivo, de casamento marcado com Patrícia. Lá no íntimo, ele não havia esquecido a Tereza, sua namoradinha de infância, que deixara há anos, no interior do Mato Grosso. Quase às vésperas do matrimônio, Osmar foi à Catedral da Sé para um momento de oração e reflexão. Na hora da saída, a moça que estava à sua frente deixou cair um livro de orações. Osmar apanhou o livro e quando foi entregá-lo, ficou frente a frente com Tereza. A partir daí, a história de Osmar começou a mudar. Sim, ele desfez o compromisso com Patrícia e até hoje está casado com Tereza.
Esse reencontro foi obra do destino? Coincidência? Teriam os fios invisíveis do amor se entrelaçado e unido Osmar e Tereza? O importante é que o amor venceu!
A todos, um belo e colorido mês de junho.
Regina Sormani
________________________________________
LELECO ataca novamente; graças ao criativo ilustrador FÁBIO SGROI.
sábado, 2 de junho de 2012
PR: Lançamento do livro Trato Feito, de María Rosana Mestre
Novidade!
Este livro lindo, é da autora María Rosana Mestre,
com ilustrações de Marcus Matumoto.TRATO FEITO/TRATO HECHO
Lançamento dia: 02.06.12
Hora: 11h às 14h
Local: Livraria Navegadores.
Rua: Cel. Dulcídio, 540 - Batel.
Postado há 2nd June 2012 por Marilza Conceição
Localização: R. Cel. Dulcídio, 540 - Batel, Curitiba - PR, 80420-170, Brasil
Este livro lindo, é da autora María Rosana Mestre,
com ilustrações de Marcus Matumoto.TRATO FEITO/TRATO HECHO
Lançamento dia: 02.06.12
Hora: 11h às 14h
Local: Livraria Navegadores.
Rua: Cel. Dulcídio, 540 - Batel.

Marcus Matumoro, o ilustrador; María Rosana Mestre, a autora e Leteia Silva da Editora InVerso, na Livraria Navegadores.
Postado há 2nd June 2012 por Marilza Conceição
Localização: R. Cel. Dulcídio, 540 - Batel, Curitiba - PR, 80420-170, Brasil
sexta-feira, 1 de junho de 2012
SP: Vice-Versa de junho de 2012
Amigos!
Participam do Vice-Versa de junho os escritores Marciano Vasques (SP) e a coordenadora da regional da AEILIJ do Paraná, Marilza Conceição. Agradeço a participação. Um abraço a todos!
Regina Sormani
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Marilza Conceição
Marciano Vasques
Respostas de Marilza Conceição
1. Poderia nos expor, Marilza, a Pedagogia do Imaginário? De que forma ela atua no crescimento alfabetizador da criança em sua preparação para o mundo?
O imaginário humano está presente em todos os aprendizados. Desde os discursos mais sérios fazemos uso da imaginação.
As crianças fazem isso naturalmente, quando o sapato vira um carrinho, a escova de cabelos é a princesa e a gaveta, seu castelo. E se ressentem quando a escola quase proíbe estas manifestações de brincadeiras espontâneas e imaginativas, porque o ensino é rígido e deve cumprir currículos pensados para as faixas etárias definidas.
Em minha prática pedagógica, a literatura é o fundamento do método de ensino. Na roda de conversa são compartilhadas histórias literárias e discussões sobre o cotidiano. E estas conversas são inspiradoras de poesia, música e desenhos. É a construção de um repertório que prepara as crianças para o aprendizado dos demais conteúdos que estão postos. Para construir conceitos, valores morais e principalmente poesia, é necessário um repertório que aqueça a imaginação, ainda novinha em folha, com perguntas e argumentos.
As crianças constroem palavras novas quando conjugam verbos usando as terminações que lhes parecem adequadas. Intuitivamente denominam com palavras substitutas, as existentes no vocabulário que todos falam, porque é do que precisam para situar-se no universo.
Para exemplificar a prática que descrevo, nada melhor do que um relato de experiência, que está publicado no meu blog: http://marilzaconceicao.blogspot.com.br/ em 06.06.2008 com o título: Quando os professores pensam em poesia, e no site da Rede Municipal de Ensino de Curitiba http://www.cidadedoconhecimento.org.br/cidadedoconhecimento/index.php?portal=520&cod_not=17907
Certo dia, fomos ao cantinho mágico das histórias, que fica em qualquer lugar que o desejo mandar. Basta imaginar o tapete de Sherazade e viajar até às nuvens, estejamos à sombra da árvore ou na do muro do prédio da escola. A roda participava concentrada na história que eu contava, quando sentimos o vento mais forte e frio e as nuvens acinzentadas pairando acima de nossas cabeças. Gordas gotas precipitaram-se e eu disse às crianças: “Sintam!” Surpresos me responderam: “Pode?”, “venham”. E corremos de braços abertos pela grama.
Surpreendentemente, uma nuvem de libélulas subiu da touceira de mato alto. Foi um pula, pula, uma gritaria e a chuva caiu mais forte. Nos abrigamos no pátio coberto para apreciá-la, vendo as gotas espocando na calçada. Nenhum dicionário poderia definir melhor a palavra “espocar”, pois pudemos senti-la.
Voltamos em um burburinho sorridente para a sala, para a roda de conversa que se instalou e eu anotei o que eles falaram a seguir. Depois apresentei-lhes as frases, que reduzimos e agrupamos num texto e na sequncia construímos a poesia:
LIBÉLULA
A Libélula parece um helicóptero
só que bem pequenininho
nós corremos pela grama pra tentar pegar
acho que ali perto tem um ninho.
Algumas crianças pulam alto
quase pegam os insetos
mas não conseguimos alcançar
porque nós não sabemos voar!
2. Fale, por gentileza, sobre o seu livro “O Balé da Chuva”.
É uma história de amor entre a mãe e a filha, que apresenta uma grande descoberta: o assustador barulho do trovão não pode ser desligado. A mãe mostra o som das gotas pingando na calha, caindo sobre as plantas e espocando na calçada. Com estes minutos de carinhosa atenção, o sono vem, o medo vai embora. O cheiro da terra molhada que a chuva de verão deixa exalar do quintal, desperta a poesia da infância que a mãe carrega dentro de si e compartilha com a filha. É uma história que mostra como o amor dá conta de refletir e responder perguntas sobre as coisas que nos fazem sentir medo. O amor dissipa o medo.
3. Demonstra uma alegria imensa em seus comparecimentos nas escolas. Pode nos falar sobre como estar presente nesses encontros com as crianças e as professoras tornou-se importante em sua vida?
Encontrar-me com as crianças e suas professoras nas escolas é entrar em diferentes mundos, todos com seu encanto particular. Há uma expectativa no ar quando eu chego: “ela é nova!”, e quando respondo às perguntas ouço comentários: “Ela tem pai e mãe”, “ela foi criança em Curitiba” e outras tantas surpresas que nos igualam na mesma cidade, com os desejos parecidos e a diferença de tempo de décadas de infância. É recorrente sentir-me uma menina que gosta de correr com eles pela grama, sentindo pingos de chuva, e de inventar histórias.
4. Você é uma contadora de histórias e dá gosto vê-la rodeada de crianças, como na I Bienal do Livro de Curitiba. Pode nos traduzir o sentimento que a invade nesses momentos?
Nesta ocasião, eu fui convidada pela Biblioteca Pública do Paraná e apresentei textos criados com o intuito de incentivar a leitura do público mirim. O sentimento foi de responsabilidade e alegria por participar da I Bienal do Livro de Curitiba. Já a personagem Mila, que tem vida própria, com agenda e guarda-roupa, não cabia em si de contentamento.
O preparo de eventos exige atenção e cuidado para o público a que se destina, repertório com texto apropriado e grande parte das vezes com música. Sinto-me feliz por contribuir com ações de literatura na minha cidade. Eu amo Curitiba!
Respostas de Marciano Vasques
1 - Tudo Azul, Marciano Vasques?
R: Sim, sempre azul. A cada novo amanhecer. Principalmente quando o azul do céu se torna ciano, que é a cor do céu na manhã, por volta das 9horas. Tenho plena consciência de que as coisas não andam bem no mundo, ainda. É preciso muita luta dos oprimidos de modo geral, força e coragem para seguir em frente num cotidiano de tantas contradições e desavenças. Mas, cada um tem que preservar os seus mecanismos interiores de defesa. Eu, no caso, moro numa casa. Azul. O Nome “Casa Azul da Literatura” foi inspirado no livro “Uma Aventura na Casa Azul”, da Editora Cortez.
2 - Sua produção de periódicos é intensa. Como você organiza seu tempo e a inspiração para escrever as páginas: Casa Azul da Literatura, Casa Azul da Arte, Casa Azul da Educação, Ciano e a Revista Palavra Fiandeira?
R: Nem me dedico mais com tanta intensidade. O CIANO preciso atualizar, e o CASA AZUL que tinha postagens diárias, agora passa por longos períodos sem postagens. O da Arte me entristeceu muito. O da Educação, foi uma ilusão, pois cansei de pedir para que os professores escrevessem. PALAVRA FIANDEIRA agora ressurge reformulada, e semanal. Para mim é motivo de orgulho e alegria ter uma revista digital de literatura e artes, semanal. O tempo eu invento. A organização é acordar cada vez mais cedo. E atualmente, é verdade, não tenho tempo de sobra, e agradeço muito por isso.
3 - Em sua literatura infantojuvenil há diversos personagens da turma da bicharada: borboletas, focas, libélulas, entre outros, vivendo as mais empolgantes aventuras. Você incumbe os habitantes do mundo imaginário da missão de buscar respostas para as dúvidas do cotidiano dos leitores?
R: Certa vez, eu estava passando por um sofrimento intenso, e um amigo falou: “Pense na força dos bichinhos”. Isso realmente foi profundo para mim. E quanto aos personagens, eles são simbólicos da infância que vivi. Escapei de tudo que aí está, mas não sou contra o espírito da época quando se trata de grandes revoluções como a Internet. A infância reside em nós de forma absoluta. Não podemos fugir de nossos princípios. E nesse aspecto, os bichinhos em sua conversa poética, assim como os outros personagens, orientam o coração, que é de onde tudo deve brotar e se expandir. Ofereço os bichinhos e a literatura infantil como uma forma de repartir a felicidade da minha infância com as crianças. Aliás, felicidade existe para ser repartida. Na verdade, escrever é uma das formas de felicidade do Ser.
4 - Sapabela e Rospo são namorados, amigos filósofos, personagens que gostam de inventar palavras novas e lhes dar sentido, ou ainda, personagens que relatam suas certezas e dúvidas diante dos sentimentos com os quais se deparam?
R: Rospo é demasiado humano, alguém já disse. Na verdade, o personagem é uma trincheira contra a arrogância, sobretudo, a arrogância intelectual, para ele a mais terrível. E também a arrogância no mundo das artes, que afinal ela existe sim. O Sapo acredita na leitura, como única saída para o desabrochar libertador do pensar. Sapabela, é a mulher em toda sua força intelectual, e seu mundo extraordinário, no que ele tem de melhor. É vaidosa e não abre mão disso, para alegria do Rospo. É muito esperta, no bom sentido: ligeira e intuitiva. Não são namorados. São amigos, içados pela Filosofia, pela Poesia e numa fortaleza contra o obscurantismo. São éticos, e primam pela ética, que segundo eles, deve orientar a vida anfíbia. São personagens criados para o público infantil, mas que atingem em cheio o público adulto.
Um comentário:
Nil Medeiros1 de junho de 2012 21:05
Sem dúvida o escritor Marciano Vasques consegue envolver,e principalmente,conquistar cada vez mais o público adulto.Rospo e Sapabela são presentes queridos â todos nós que apreciamos uma bela literatura.
PR: Trevo de leituras - junho de 2012
O Trevo de Leituras é um ciclo promovido pela AEILIJ, com a publicação de um suplemento de resenhas produzidas pelos autores associados. São sempre três livros comentados por três diferentes autores.Coordenação de Cristina Villaça e Naná Martins.
Junho/2012
Antonio Nunes (Tonton) lê Vai e vem, de Naná Martins...
... que lê O balé da chuva, de Marilza Conceição...
... que lê A visão do mundo de um cãozinho de estimação, de Antonio Nunes (Tonton).
Leia em www.aeilij.org.br.
Postado há 1st June 2012 por Marilza Conceição
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